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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 50ENEM 2017 PPL

A segurança alimentar perseguida por cada agrupamento humano ao longo da história passa a depender atualmente de algumas poucas corporações multinacionais que passam a deter uma posição privilegiada nas novas relações sociais e de poder. Essa concentração de dependência no ano de 2001 se aplica a cada um dos quatro principais grãos — trigo, arroz, milho e soja, — de forma que cerca de 90% da alimentação da população mundial procede de apenas 15 espécies de plantas e de 8 espécies de animais.

PORTO-GONÇALVES, C. W. Geografia da riqueza, fome e meio ambiente. In: OLIVEIRA, A. U.; MARQUES, M. I. M. (Org.). O campo no século XXI: território de vida, de luta e de construção da justiça social. São Paulo: Casa Amarela; Paz e Terra, 2004 (adaptado).

Uma medida de segurança alimentar que contesta o modelo descrito é o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica agrária e segurança alimentar
  • ⚡ Nível: Fácil — basta identificar, entre as opções, aquela que rompe com a lógica de concentração e padronização descrita no texto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Agronegócio, commodities e alternativas ao modelo agroalimentar concentrado (competência de análise de textos geográficos e proposição de soluções socioambientais)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual medida, entre as listadas, se opõe ao modelo de produção alimentar concentrado em poucas corporações e poucas espécies?"
  • Palavras-chave decisivas: contesta, concentração de dependência, corporações multinacionais
  • Armadilha típica: confundir medidas que reforçam a lógica produtivista do agronegócio (mecanização, ampliação de área plantada) com medidas que efetivamente diversificam e descentralizam a produção de alimentos.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar uma prática agrícola que reduza a dependência de poucas corporações e de poucas espécies vegetais/animais, fortalecendo a autonomia produtiva e a diversidade biológica e social do sistema alimentar.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Segurança alimentar: condição em que uma população tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais — e, segundo a leitura crítica do texto, sem depender de poucos agentes econômicos que controlam a oferta.
  • Concentração corporativa do agronegócio: processo pelo qual um número reduzido de multinacionais (sementes, insumos, distribuição) passa a controlar a cadeia produtiva de grãos estratégicos (trigo, arroz, milho, soja), criando relações de dependência e poder assimétrico entre produtores, países e consumidores.
  • Erosão genética e uniformização produtiva: a concentração em poucas espécies (15 vegetais e 8 animais respondendo por 90% da alimentação mundial) reduz a biodiversidade agrícola, tornando o sistema alimentar mais vulnerável a pragas, doenças e oscilações de mercado.
  • Agricultura orgânica como contraponto: modelo de produção que dispensa insumos químicos sintéticos (agrotóxicos, fertilizantes industriais e sementes transgênicas patenteadas), valoriza a diversificação de cultivos, os circuitos curtos de comercialização e, frequentemente, a agricultura familiar — reduzindo a dependência das grandes corporações do agronegócio.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "passa a depender atualmente de algumas poucas corporações multinacionais que passam a deter uma posição privilegiada" → revela que o problema central é a concentração de poder econômico sobre a produção de alimentos, não a insuficiência de produção em si.
  • Evidência 2: "cerca de 90% da alimentação da população mundial procede de apenas 15 espécies de plantas e de 8 espécies de animais" → mostra que, além da concentração corporativa, há uma concentração biológica: pouquíssimas espécies sustentam a alimentação global, o que fragiliza o sistema (monoculturas, dependência de pacotes tecnológicos padronizados).
  • Síntese: o texto descreve um modelo de segurança alimentar capturado por corporações e por poucas espécies-commodity. A "medida que contesta" esse modelo precisa necessariamente ir na contramão dessa concentração — ou seja, precisa diversificar a produção e reduzir a dependência das grandes empresas do agronegócio químico-industrial, e não simplesmente aumentar a produtividade dentro da mesma lógica.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a lógica que o texto denuncia

Porto-Gonçalves descreve um modelo de segurança alimentar capturado: poucas corporações multinacionais controlam os grãos estratégicos (trigo, arroz, milho, soja) e a alimentação mundial depende de um número mínimo de espécies vegetais e animais. Esse modelo é típico do agronegócio químico-dependente: sementes patenteadas, insumos sintéticos vendidos pelas mesmas empresas que controlam o mercado, monocultura em larga escala voltada à exportação e ao mercado de commodities.

Subpasso 4.2 — Traduzir "contestar o modelo" em critério de seleção

Uma medida "contesta" esse modelo quando rompe com pelo menos um dos seus pilares: (a) a concentração corporativa sobre insumos e sementes; (b) a padronização/redução da diversidade de espécies cultivadas; (c) a dependência de poucos elos da cadeia produtiva global. Assim, é preciso eliminar as alternativas que, na prática, reforçam esse mesmo modelo produtivista-concentrador, restando apenas a que caminha na direção oposta.

Subpasso 4.3 — Verificação

A produção orgânica, por definição, reduz a dependência de agrotóxicos e sementes patenteadas fornecidas pelas grandes corporações, favorece o policultivo e a rotação de culturas (logo, mais espécies envolvidas) e costuma estar associada a circuitos mais curtos e descentralizados de produção e comercialização — exatamente o oposto da concentração denunciada no texto. Isso confirma a coerência da alternativa C com o enunciado, antes mesmo de descartar as demais.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) estímulo à mecanização rural.

❌ Incorreta: a mecanização aumenta a produtividade e a escala de produção, mas não altera a dependência estrutural de sementes, insumos e tecnologias controlados pelas mesmas corporações multinacionais — pelo contrário, tende a aprofundar essa dependência, pois maquinário e pacotes tecnológicos também são fornecidos por grandes empresas do setor.

B) ampliação de áreas de plantio.

❌ Incorreta: expandir a área cultivada (muitas vezes às custas de biomas nativos) intensifica o mesmo padrão de monocultura voltada às commodities já dominadas pelas corporações, sem diversificar espécies nem descentralizar o controle da produção — reforça, portanto, o modelo criticado, não o contesta.

C) incentivo à produção orgânica.

✅ Correta: a agricultura orgânica reduz a dependência de insumos químicos e sementes patenteadas vendidos por poucas multinacionais, promove a diversificação de cultivos (contrapondo-se à concentração em 15 espécies vegetais) e frequentemente fortalece a agricultura familiar e circuitos locais de comercialização — indo exatamente na contramão da lógica de concentração de poder descrita no texto.

D) manutenção da estrutura fundiária.

❌ Incorreta: manter a estrutura fundiária significa preservar o status quo — inclusive a concentração de terras que sustenta o latifúndio monocultor exportador. Não há, nessa medida, nenhum elemento de contestação ao modelo corporativo-concentrador descrito.

E) formalização do trabalhador do campo.

❌ Incorreta: trata-se de uma medida de política trabalhista, relevante para direitos sociais no campo, mas que não interfere na concentração corporativa sobre sementes, insumos e espécies cultivadas — não ataca a raiz do problema apresentado no texto, que é produtivo e não trabalhista.

🏆 Gabarito: C — o incentivo à produção orgânica é a única medida que rompe com a lógica de concentração corporativa e de redução da diversidade agrícola denunciada no texto, promovendo maior autonomia e diversificação produtiva.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas a produção orgânica se opõe estruturalmente ao pacote tecnológico controlado pelas grandes corporações (sementes patenteadas, agrotóxicos, monocultura), sendo por isso a única "contestação" real ao modelo descrito.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente contrapõe o agronegócio convencional (produtivista, concentrador, dependente de insumos industriais) à agroecologia e à agricultura orgânica/familiar, cobrando do estudante a capacidade de identificar qual modelo reforça e qual contesta a lógica hegemônica de produção.
  • Generalização: em questões que pedem uma medida que "contesta", "rompe com" ou "se opõe" a um modelo descrito no texto-base, elimine primeiro as alternativas que apenas intensificam a mesma lógica (produtivismo, escala, concentração) — a resposta certa quase sempre representa uma ruptura qualitativa, não apenas quantitativa.
  • Dica de eliminação rápida: mecanização (A) e ampliação de área (B) são sinônimos de "produzir mais do mesmo jeito" — corte ambas de imediato. Estrutura fundiária (D) e formalização trabalhista (E) tratam de posse da terra e direitos do trabalhador, temas distintos do controle corporativo sobre insumos e espécies — também não atacam o problema central do texto.
  • Conexões: revolução verde e dependência tecnológica do campo; agroecologia e soberania alimentar; erosão genética e bancos de sementes (como os defendidos pela FAO e por movimentos como a Via Campesina).

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