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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 87ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

A utilização dos métodos da Revolução Verde (RV) fez com que aumentasse dramaticamente a produção mundial de alimentos nas quatro últimas décadas, tanto assim que agora se produz comida suficiente para alimentar todas as pessoas do mundo. Mas o fundamental é que, apesar de todo esse avanço, a fome continua a assolar vastas regiões do planeta.

LACEY, H.; OLIVEIRA, M. B. Prefácio. In: SHIVA, V. Biopirataria:
a pilhagem da natureza e do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2001.

O texto considera que para erradicar a fome é necessário

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Agrária (Revolução Verde e geopolítica da fome)
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto entrega a chave do raciocínio de forma explícita, bastando interpretar o contraste que ele constrói entre "produção suficiente" e "fome persistente".
  • 🎯 Tema/Habilidade: Revolução Verde, produção agrícola x distribuição de alimentos — competência de leitura crítica de texto sobre problemas geopolíticos e sociais do mundo contemporâneo.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, o que precisa ser feito para acabar com a fome no mundo?"
  • Palavras-chave decisivas: "produção suficiente", "fundamental", "apesar de todo esse avanço"
  • Armadilha típica: associar automaticamente "erradicar a fome" a "produzir mais alimentos", já que o texto fala em Revolução Verde e aumento de produtividade — mas essa é justamente a leitura que o autor rejeita.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que o texto separa dois problemas distintos — quantidade de alimento produzido e acesso a esse alimento — e que a fome persiste no segundo, não no primeiro.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Revolução Verde: conjunto de tecnologias agrícolas (sementes híbridas, mecanização, insumos químicos, irrigação) difundido a partir das décadas de 1960-1970, que multiplicou a produtividade agrícola mundial, sobretudo em grãos.
  • Segurança alimentar x acesso ao alimento: produzir alimento suficiente no mundo não garante que todas as pessoas o consigam comprar ou obter; a fome, nesse enfoque, é primeiro um problema de distribuição e poder de compra, não de escassez física de comida.
  • Concentração de renda e da terra: a Revolução Verde, por exigir alto investimento em insumos e maquinário, tendeu a beneficiar grandes produtores, aprofundando desigualdades que dificultam o acesso da população mais pobre ao alimento disponível.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "agora se produz comida suficiente para alimentar todas as pessoas do mundo" → o texto descarta explicitamente a hipótese de que falta alimento produzido; a oferta já é adequada à demanda mundial.
  • Evidência 2: "apesar de todo esse avanço, a fome continua a assolar vastas regiões do planeta" → mesmo com produção suficiente, a fome persiste, o que empurra a causa do problema para fora da esfera produtiva.
  • Síntese: se o alimento existe em quantidade suficiente e ainda assim há fome, o problema não é "quanto se produz", mas "quem consegue ter acesso ao que é produzido" — ou seja, um problema de distribuição, ligado à desigualdade de renda entre países e dentro deles.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o que o texto afirma e o que ele nega

O texto constrói uma afirmação em duas partes ligadas pelo conectivo "mas": (1) a Revolução Verde aumentou "dramaticamente" a produção mundial de alimentos, ao ponto de já existir comida suficiente para toda a população do planeta; (2) "o fundamental" é que, mesmo assim, a fome continua atingindo grandes regiões. Essa estrutura argumentativa é um clássico movimento de tese-e-contraponto: o autor primeiro reconhece o sucesso produtivo da Revolução Verde para, em seguida, negar que esse sucesso tenha resolvido o problema central — a fome.

Subpasso 4.2 — Identificar a causa implícita da fome, segundo o texto

Se a quantidade de alimento não é mais o gargalo (já há "comida suficiente"), a persistência da fome só pode ser explicada por um fator que impede as pessoas de acessar esse alimento já produzido. Esse fator é a desigualdade na distribuição — tanto da renda quanto do próprio alimento produzido. Populações pobres não passam fome porque não há comida no mundo, mas porque não têm renda, terra ou poder de compra para obtê-la. Logo, o texto sinaliza que a solução para a fome não está em produzir ainda mais (isso já foi feito e não resolveu), e sim em redistribuir o que já existe, o que no plano socioeconômico se traduz em distribuir renda.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando a alternativa "distribuir a renda" contra a lógica do texto: ela é exatamente o tipo de medida que ataca o problema de acesso, não o de produção — coerente com o diagnóstico do autor de que o excedente produtivo já existe, mas não chega a quem precisa. As demais opções (expandir lavoura, migrar, aumentar produtividade, desenvolver infraestrutura) giram em torno de "produzir mais" ou de mover pessoas/recursos, contrariando a premissa explícita de que a produção já é suficiente. A alternativa A é a única compatível com o argumento do texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) distribuir a renda.

✅ Correta: é a única medida que ataca a causa apontada pelo texto — a fome persiste não por falta de alimento produzido, mas por desigualdade no acesso a ele, que decorre da concentração de renda. Redistribuir renda amplia o poder de compra das populações pobres e lhes dá acesso ao alimento que já existe em quantidade suficiente.

B) expandir a lavoura.

❌ Incorreta: expandir a área plantada é uma estratégia para aumentar a produção, mas o texto já afirma que a produção atual é suficiente para alimentar todo o planeta; o problema não está na quantidade cultivada, e sim na distribuição do que já se produz.

C) estimular a migração.

❌ Incorreta: o texto não trata de deslocamento populacional como resposta à fome; deslocar pessoas não resolve a desigualdade de acesso ao alimento, que é a causa apontada pelo autor, e essa alternativa é estranha ao argumento apresentado.

D) aumentar a produtividade.

❌ Incorreta: é a alternativa mais tentadora por remeter diretamente à Revolução Verde, mas é justamente o que o texto descarta — aumentar a produtividade foi o que a Revolução Verde já fez "dramaticamente", e mesmo assim a fome continuou. Repetir essa estratégia não ataca a causa real do problema segundo o texto.

E) desenvolver a infraestrutura.

❌ Incorreta: embora infraestrutura (transporte, armazenamento) possa ajudar a escoar alimentos, o texto não menciona esse fator como causa da fome; seu foco está no contraste entre produção suficiente e persistência da fome, apontando para um problema distributivo e não logístico.

🏆 Gabarito: A — o texto afirma que já existe comida suficiente para todo o planeta, mas a fome persiste; logo, a solução apontada pelo autor não é produzir mais, e sim redistribuir renda para garantir acesso ao alimento já disponível.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra A é a única alternativa coerente com a premissa explícita do texto de que a produção mundial de alimentos já é suficiente; toda solução baseada em "produzir mais" contradiz essa premissa.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra textos que criticam a Revolução Verde não pelo seu fracasso produtivo, mas pelos seus limites sociais — mostrando que aumento de produção agrícola não resolve, sozinho, problemas estruturais como fome e desigualdade.
  • Generalização: sempre que um texto separar explicitamente "quantidade produzida/disponível" de "quantidade efetivamente acessada pela população", a resposta correta tende a apontar para fatores de distribuição, renda ou acesso — não para fatores de produção.
  • Dica de eliminação rápida: ao ler "já se produz o suficiente", elimine de imediato qualquer alternativa que fale em "aumentar", "expandir" ou "produzir mais" (D e B somem em segundos); depois descarte opções sem relação direta com o argumento do texto, como migração (C).
  • Conexões: o tema dialoga com a geografia da fome de Josué de Castro (fome como problema social, não natural) e com discussões sobre soberania e segurança alimentar, recorrentes em questões de Geografia sobre desigualdade Norte-Sul.

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