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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 93ENEM 2024 PPLCaderno azul · 2º Dia

A figura ilustra diferentes etapas de um experimento realizado por Frederick Griffith em 1928 com camundongos
e pneumococos.

Disponível em: www.ck12.org. Acesso em: 27 jul. 2012.

A hipótese testada com a realização desse experimento é que

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Genética molecular (transformação bacteriana e experimento de Griffith)
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar uma sequência de 4 grupos experimentais em imagem e identificar qual variável está sendo testada, não apenas descrita
  • 🎯 Tema/Habilidade: Base histórica da genética molecular (experimento de Griffith, 1928) — competência de interpretar procedimentos experimentais e formular a hipótese que eles testam
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual hipótese o experimento representado na figura está testando?"
  • Palavras-chave decisivas: hipótese testada, quatro grupos, combinação de bactérias
  • Armadilha típica: confundir um resultado observado isoladamente (como "o calor mata bactérias") com a hipótese central que o desenho experimental como um todo foi montado para investigar. O experimento só faz sentido quando os quatro grupos são comparados entre si — a resposta certa é a única que explica por que o grupo 4 existe.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de olhar para o desenho experimental completo (controle + variável) e identificar a pergunta científica que ele responde, e não apenas repetir um dado isolado de uma das etapas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Virulência bacteriana: capacidade de uma bactéria causar doença. Na pneumonia pneumocócica, a cepa lisa (S), com cápsula de polissacarídeo, é virulenta e letal; a cepa rugosa (R), sem cápsula, é inofensiva.
  • Inativação por calor: aquecer uma bactéria pode destruir sua capacidade de causar doença (matando-a), mas, como Griffith mostrou, isso não destrói necessariamente todo o seu material — algo dela pode permanecer funcional mesmo após a morte celular.
  • Princípio transformante: substância proveniente das bactérias mortas por calor que, ao entrar em contato com bactérias vivas não virulentas, é incorporada por elas e as torna virulentas. Décadas depois, Avery, MacLeod e McCarty identificariam essa substância como o DNA.
  • Desenho experimental por comparação de grupos: a lógica do experimento não está em nenhum grupo isolado, mas na comparação entre eles — é isso que permite isolar a variável responsável pelo efeito observado (nesse caso, a morte do camundongo do grupo 4).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (grupos 1 e 2): camundongo injetado com bactérias não virulentas vivas sobrevive; camundongo injetado com bactérias virulentas vivas morre → confirma que a virulência das bactérias vivas, por si só, é letal — isso é o controle esperado, não a novidade do experimento.
  • Evidência 2 (grupo 3): camundongo injetado com bactérias virulentas mortas por calor sobrevive → mostra que o calor efetivamente elimina a capacidade patogênica das bactérias virulentas quando aplicado sozinho.
  • Evidência 3 (grupo 4 — o grupo-chave): camundongo injetado com a mistura de bactérias não virulentas vivas + virulentas mortas por calor morre → esse é o resultado inesperado: nenhum dos dois componentes, sozinho, mata (grupo 1 não mata, grupo 3 não mata), mas juntos, matam. Logo, algo passou da bactéria morta para a bactéria viva, tornando-a virulenta.
  • Síntese: o experimento só se sustenta como investigação científica por causa do grupo 4. Ele foi desenhado justamente para testar se uma característica (virulência) de uma bactéria morta poderia ser adquirida por uma bactéria viva diferente — ou seja, se a virulência é transferível entre bactérias.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar a função de cada grupo no desenho experimental

Grupos 1, 2 e 3 são, na verdade, controles: eles estabelecem o comportamento esperado de cada componente isoladamente. Bactéria não virulenta viva não mata (controle negativo). Bactéria virulenta viva mata (controle positivo — confirma que a cepa usada é de fato patogênica). Bactéria virulenta morta por calor não mata (confirma que o calor inativa a capacidade patogênica). Até aqui, nenhuma novidade: são apenas verificações necessárias para validar o experimento.

Subpasso 4.2 — Identificar a variável testada pelo grupo experimental (grupo 4)

O grupo 4 combina exatamente os dois componentes que, sozinhos, não mataram: bactéria não virulenta viva (grupo 1) e bactéria virulenta morta (grupo 3). Se a virulência não pudesse ser transferida, o resultado esperado seria a sobrevivência do camundongo — afinal, nem o componente vivo nem o componente morto, isoladamente, causam a doença. Mas o camundongo morre. Isso só é explicável se algo da bactéria virulenta morta (posteriormente identificado como DNA) foi incorporado pela bactéria não virulenta viva, transformando-a em uma bactéria virulenta.

Subpasso 4.3 — Verificação (voltando à pergunta do comando)

A pergunta pede a hipótese testada, não um resultado isolado. Reunindo os quatro grupos: a única leitura que dá sentido lógico ao desenho experimental completo — por que colocar lado a lado exatamente esses quatro tratamentos — é que Griffith estava testando se a característica "virulência" poderia ser transmitida de uma bactéria (morta) para outra bactéria (viva, de linhagem diferente). Essa é a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) os seres vivos sofrem mutações pelo calor.

❌ Incorreta: o experimento não avalia mutação alguma nem manipula genes de camundongos ou bactérias por radiação/agentes mutagênicos. O calor aqui tem apenas a função de inativar/matar a bactéria virulenta (grupo 3), não de induzir mutação. Confundir "inativação por calor" com "mutação induzida pelo calor" é um erro conceitual, não apenas de leitura.

B) o calor é eficaz para matar microrganismos.

❌ Incorreta: essa é uma constatação real do grupo 3 (bactéria virulenta morta por calor não mata o camundongo), mas é apenas um resultado auxiliar usado para validar o desenho experimental — não é a pergunta que o experimento como um todo foi criado para responder. Se essa fosse a hipótese central, o grupo 4 (a mistura) seria dispensável, e é justamente o grupo 4 o clímax do experimento.

C) as bactérias virulentas não são alteradas pelo calor.

❌ Incorreta: contraria diretamente o próprio resultado do grupo 3, no qual as bactérias virulentas mortas por calor perdem a capacidade de causar doença — ou seja, elas são alteradas (inativadas) pelo calor. A afirmação inverte o que a figura mostra.

D) a virulência de uma bactéria pode ser transferida para outra.

✅ Correta: é a única leitura que explica por que o grupo 4 mata o camundongo mesmo combinando dois componentes que, isolados, não matam. A morte do camundongo do grupo 4 só se explica pela transferência de uma característica (virulência) da bactéria morta para a bactéria viva — exatamente o que ficou conhecido depois como fenômeno da transformação bacteriana.

E) a sobrevivência dos camundongos depende da quantidade de bactérias injetadas.

❌ Incorreta: a figura não varia a quantidade (dose) de bactérias entre os grupos — a variável manipulada é o tipo/estado da bactéria injetada (viva ou morta, virulenta ou não, isolada ou combinada), não sua concentração. Não há nenhum controle de dosagem apresentado que sustente essa leitura.

🏆 Gabarito: D — o experimento de Griffith foi desenhado para testar, por meio da comparação entre os quatro grupos (especialmente o grupo da mistura), se a virulência de uma bactéria morta poderia ser transferida a uma bactéria viva não virulenta, tornando-a patogênica.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa D explica o resultado mais importante da figura — a morte do camundongo do grupo 4, que combina dois componentes inofensivos isoladamente. Todas as outras alternativas descrevem detalhes pontuais do procedimento, não a hipótese que amarra o experimento inteiro.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer o experimento de Griffith (e, em versões mais avançadas, o de Avery-MacLeod-McCarty) como porta de entrada para a genética molecular, sempre pedindo a interpretação do desenho experimental completo a partir de uma figura com grupos comparativos.
  • Generalização: em questões de "qual é a hipótese testada", procure sempre o grupo experimental que rompe a expectativa criada pelos grupos controle — é nele que está a resposta, nunca em uma conclusão isolada de um controle.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que descrevem apenas um grupo isolado (como B e C, que falam só do efeito do calor) — a hipótese de um experimento com múltiplos grupos comparativos quase sempre está na relação entre os grupos, não em um resultado isolado.
  • Conexões: DNA como material genético (experimento de Avery-MacLeod-McCarty); transformação bacteriana como técnica usada na Engenharia Genética moderna (plasmídeos, bactérias competentes).

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