Mapa de questões · 2º dia
Questão 134 — ENEM 2024 PPLCaderno azul · 2º Dia
Problemas no DNA são responsáveis por cerca de metade dos casos de perda de audição na infância. Um estudo com camundongos mostrou que a injeção de um vírus, geneticamente modificado, no embrião desses animais pode corrigir o problema e restaurar parte da audição.
Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 11 jul. 2015 (adaptado).
De acordo com o texto, qual técnica permite a correção parcial do problema?
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Biotecnologia e Engenharia Genética (terapia gênica)
- ⚡ Nível: Médio — o texto não usa o termo técnico diretamente; é preciso reconhecer, entre cinco nomes parecidos de biotecnologia, qual descreve exatamente "inserir um gene corretivo dentro de um organismo vivo por meio de um vetor viral"
- 🎯 Tema/Habilidade: Terapia gênica como aplicação da engenharia genética à medicina — competência de interpretar um relato científico e associá-lo a um conceito técnico de biotecnologia
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O texto descreve um procedimento; identifique o nome técnico dessa técnica de biotecnologia."
- Palavras-chave decisivas: injeção de um vírus geneticamente modificado, no embrião, corrigir o problema (a mutação no DNA responsável pela perda de audição)
- Armadilha típica: confundir "modificação genética" em sentido amplo com técnicas específicas de diagnóstico (marcação molecular, sequenciamento) ou com técnicas que usam células-tronco (clonagem terapêutica) — todas soam "genéticas", mas nenhuma delas corrige um gene defeituoso dentro do organismo vivo
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de traduzir uma descrição funcional ("vírus modificado entra no organismo e conserta o defeito genético") para o nome técnico correto do procedimento, e não apenas reconhecer palavras soltas como "DNA" ou "genética"
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Terapia gênica: técnica de biotecnologia que introduz, substitui ou corrige genes dentro das células de um organismo vivo para tratar ou prevenir uma doença de origem genética. O "correio" mais usado para entregar o gene terapêutico às células-alvo é um vírus geneticamente modificado (vetor viral), que teve seus genes causadores de doença removidos e substituídos pelo gene de interesse.
- Vetor viral: vírus utilizado como "veículo de entrega" de material genético. Ele infecta a célula normalmente, mas em vez de se replicar e causar doença, insere o gene terapêutico no genoma (ou no núcleo) da célula hospedeira.
- Marcação molecular: conjunto de técnicas (como marcadores de DNA/RNA com fluorescência, radioatividade ou enzimas) usadas para identificar, rastrear ou quantificar moléculas ou organismos — é uma ferramenta de diagnóstico e pesquisa, não de correção genética.
- Clonagem terapêutica: produção de embriões clonados (por transferência nuclear) com o objetivo de extrair células-tronco embrionárias geneticamente compatíveis com o paciente, para regenerar tecidos — não envolve injeção de vírus nem correção direta de um gene.
- Hibridização genômica (comparativa): técnica de análise que compara o DNA de duas amostras (por exemplo, para detectar deleções, duplicações ou variações no número de cópias) — usada em diagnóstico citogenético, não em tratamento.
- Sequenciamento gênico: determinação da ordem exata dos nucleotídeos (A, T, C, G) de um trecho de DNA — permite identificar mutações, mas não as corrige.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Problemas no DNA são responsáveis por cerca de metade dos casos de perda de audição na infância" → estabelece que a causa do problema é genética (mutação no DNA), abrindo caminho para uma solução também genética.
- Evidência 2: "a injeção de um vírus, geneticamente modificado, no embrião desses animais pode corrigir o problema e restaurar parte da audição" → descreve, com precisão, o funcionamento clássico da terapia gênica: um vírus modificado (vetor viral) é injetado no organismo (aqui, ainda no estágio embrionário) para entregar/consertar o gene defeituoso, revertendo o efeito da mutação.
- Síntese: o texto narra causa (mutação no DNA) → intervenção (vírus modificado injetado) → efeito (correção do gene, restauração parcial da audição). Essa sequência causa-intervenção-efeito é a definição funcional de terapia gênica, ainda que a expressão não apareça literalmente no enunciado.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo do problema descrito
O texto afirma que metade dos casos de surdez infantil tem origem em "problemas no DNA", ou seja, mutações em genes ligados à formação ou ao funcionamento do sistema auditivo (por exemplo, genes envolvidos na produção de proteínas das células ciliadas da cóclea). Isso já elimina qualquer alternativa que não trate diretamente de uma intervenção corretiva sobre o material genético.
Subpasso 4.2 — Traduzir a descrição experimental para o conceito técnico
A frase-chave é "injeção de um vírus, geneticamente modificado, no embrião [...] pode corrigir o problema". Decompondo:
- "vírus geneticamente modificado" = vetor viral, isto é, um vírus alterado em laboratório para carregar um gene de interesse e não causar doença;
- "injeção [...] pode corrigir o problema" = o vetor entrega esse gene às células do embrião, restaurando (ainda que parcialmente) a função gênica perdida.
Esse mecanismo — vetor viral entregando um gene corretivo às células de um organismo vivo — é, por definição, terapia gênica.
Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação
Nenhuma das outras quatro técnicas (marcação molecular, clonagem terapêutica, hibridização genômica, sequenciamento gênico) envolve "injetar algo que corrige um gene dentro do organismo". Todas elas são ferramentas de análise, diagnóstico ou obtenção de células, não de correção in vivo de um defeito genético. Isso confirma que a única alternativa compatível com "vírus modificado que corrige o problema geneticamente" é a terapia gênica.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Terapia gênica.
✅ Correta: é exatamente o procedimento descrito — um vetor viral geneticamente modificado entrega um gene funcional às células do embrião, corrigindo o defeito genético responsável pela perda de audição e restaurando parte da função auditiva.
B) Marcação molecular.
❌ Incorreta: a marcação molecular serve para identificar, localizar ou rastrear moléculas específicas (DNA, RNA, proteínas) usando marcadores fluorescentes, radioativos ou enzimáticos. É uma técnica de diagnóstico/pesquisa, não de correção de genes — o texto descreve uma intervenção terapêutica, não um exame de identificação.
C) Clonagem terapêutica.
❌ Incorreta: essa técnica produz embriões clonados por transferência nuclear para gerar células-tronco compatíveis com um paciente, visando regenerar tecidos. Não há injeção de vírus nem correção direta de um gene defeituoso — o mecanismo descrito no texto é completamente diferente.
D) Hibridização genômica.
❌ Incorreta: consiste em comparar sequências de DNA de duas amostras para detectar variações estruturais (deleções, duplicações), sendo usada em diagnósticos citogenéticos. É uma ferramenta analítica que não modifica nem corrige o material genético do organismo.
E) Sequenciamento gênico.
❌ Incorreta: determina a ordem dos nucleotídeos de um trecho de DNA, permitindo identificar mutações. É uma técnica de leitura/diagnóstico da informação genética, mas não tem capacidade de corrigir o gene defeituoso — o texto exige uma técnica de intervenção corretiva, não de leitura.
🏆 Gabarito: A — o texto descreve com precisão o mecanismo de um vetor viral entregando um gene corretivo às células do embrião, que é a definição funcional da terapia gênica; nenhuma das demais técnicas realiza correção genética in vivo.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a alternativa A é a única que descreve uma técnica de intervenção corretiva sobre o DNA usando um vetor viral — exatamente o que o texto narra.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer notícias científicas reais (aqui, adaptada da BBC) e pedir que o estudante identifique o conceito técnico por trás de uma descrição em linguagem simples, sem usar o jargão diretamente no enunciado — a habilidade cobrada é "traduzir" o relato para o vocabulário científico correto.
- Generalização: sempre que o texto disser "inserir/injetar um gene ou vírus modificado para corrigir/tratar uma doença genética", a resposta será terapia gênica; se o texto falar em "identificar", "detectar" ou "comparar" DNA, a resposta estará entre técnicas de diagnóstico (sequenciamento, hibridização, marcação molecular); se falar em "célula-tronco" e "regeneração de tecido", pense em clonagem terapêutica ou terapia celular.
- Dica de eliminação rápida: procure o verbo-chave do texto. Aqui o verbo é "corrigir" (ação terapêutica, não analítica) — isso já elimina de cara marcação molecular, hibridização genômica e sequenciamento gênico, que são todas técnicas de análise. Entre as duas restantes (terapia gênica e clonagem terapêutica), a presença da palavra "vírus" como veículo de entrega do gene fecha a questão para terapia gênica.
- Conexões: vetores virais em terapia gênica (adenovírus, AAV); CRISPR-Cas9 como nova ferramenta de edição genética; doenças hereditárias monogênicas (ex.: surdez hereditária, fibrose cística) como principais alvos da terapia gênica atual.
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