Mapa de questões · 2º dia
Questão 138 — ENEM 2024 PPLCaderno azul · 2º Dia
A capacidade de refrigeração de um condicionador de ar é medida na unidade BTUh. O cálculo de quantos BTUh são necessários para a refrigeração adequada de um ambiente depende de vários fatores. Em um ambiente fechado de altura padrão, com uma única pessoa, cada metro quadrado de área do piso demanda 600 BTUh de capacidade do condicionador de ar e, para cada pessoa a mais nesse ambiente, exige-se mais 600 BTUh. Além disso, cada aparelho eletrônico ligado (excluindo-se o condicionador de ar) demanda mais 600 BTUh.
Disponível em: www.webarcondicionado.com.br. Acesso em: 24 nov. 2021 (adaptado).
Em uma sala retangular fechada de 6 metros de comprimento, 4 metros de largura e altura padrão, 5 pessoas trabalham simultaneamente em 5 computadores ligados, e há um condicionador de ar de 24 600 BTUh.
Um projeto prevê a contratação de novos funcionários e a instalação de novos computadores. Cada funcionário terá acesso a um único computador, e cada computador só poderá ser utilizado por um único funcionário. Serão mantidos os computadores, os funcionários e o condicionador de ar atuais, devendo este ser suficiente para a refrigeração adequada da sala após a implementação do projeto. Não haverá outros aparelhos eletrônicos no local.
Qual é a quantidade máxima de novos funcionários que pode ser contratada de forma que se atenda à implementação do projeto?
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → equações e inequações do 1º grau aplicadas a problemas de dimensionamento
- ⚡ Nível: Médio — exige montar corretamente a expressão da demanda total de BTUh (com o cuidado de não contar a "primeira pessoa" duas vezes) e depois traduzir o enunciado em uma inequação
- 🎯 Tema/Habilidade: Modelagem de problemas reais com equações/inequações do 1º grau (competência de área 5 — construir e interpretar modelos matemáticos para resolver situações-problema)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Sem trocar o aparelho de ar-condicionado, qual é o maior número de funcionários (cada um com seu próprio computador) que ainda pode ser contratado sem que a demanda de BTUh ultrapasse a capacidade de 24 600 BTUh?"
- Palavras-chave decisivas: quantidade máxima, mantido o condicionador de ar atual, cada funcionário terá acesso a um único computador
- Armadilha típica: esquecer que a área do piso (24 m²) já embute a demanda da "primeira pessoa" do ambiente, contando-a de novo como se fosse uma pessoa extra — isso infla a demanda base e reduz o resultado abaixo do correto.
- O que a resposta precisa demonstrar: traduzir a regra verbal em uma soma de parcelas, calcular a folga (capacidade − demanda atual) e dividir pelo incremento de BTUh de cada nova contratação, mantendo o resultado como número inteiro que não estoure a capacidade.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Demanda por área (regra-base): cada m² de piso exige 600 BTUh, e essa cota já inclui a ocupação por uma única pessoa — ao multiplicar a área por 600, a "pessoa 1" já está contabilizada.
- Demanda por pessoa extra: cada pessoa além da primeira soma mais 600 BTUh, de forma independente da área.
- Demanda por equipamento eletrônico: cada aparelho ligado (exceto o ar-condicionado) soma mais 600 BTUh.
- Inequação de capacidade: a soma das demandas (área + pessoas extras + eletrônicos) não pode ultrapassar a capacidade nominal do aparelho instalado — formalizar isso como inequação permite isolar o número de novos funcionários.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "6 metros de comprimento, 4 metros de largura" → área do piso = 6 × 4 = 24 m², dado que entra na parcela dos 600 BTUh/m².
- Evidência 2: "5 pessoas... em 5 computadores ligados" → hoje há 5 pessoas (4 "extras" além da já embutida na área) e 5 eletrônicos, sem outros aparelhos.
- Evidência 3: "Serão mantidos... o condicionador de ar atuais" → a capacidade fica fixa em 24 600 BTUh; não há substituição do aparelho.
- Evidência 4: "cada funcionário terá acesso a um único computador... cada computador só poderá ser utilizado por um único funcionário" → todo novo funcionário traz junto um novo computador ligado, ou seja, cada contratação soma DUAS parcelas de 600 BTUh, não apenas uma.
- Síntese: calcular a demanda atual (área + pessoas extras + computadores), subtrair de 24 600 para achar a folga, e dividir essa folga por 1 200 BTUh — o custo de cada novo par funcionário+computador.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Calcular a demanda atual de BTUh da sala
Área de piso: 6 × 4 = 24 m²
Parcela da área (já inclui a 1ª pessoa): 24 × 600 = 14 400 BTUh
Parcela das pessoas extras (5 pessoas − 1 já embutida = 4 extras): 4 × 600 = 2 400 BTUh
Parcela dos eletrônicos (5 computadores): 5 × 600 = 3 000 BTUh
Demanda atual total: 14 400 + 2 400 + 3 000 = 19 800 BTUh
Subpasso 4.2 — Calcular a folga disponível e traduzir em inequação
O aparelho instalado suporta 24 600 BTUh e será mantido. Chamando de x o número de novos funcionários, cada um adiciona 1 pessoa extra (600 BTUh) e 1 computador novo (600 BTUh), pois funcionário e computador estão amarrados 1 para 1:
600 + 600 = 1 200 BTUh por contratação
Condição de suficiência: 19 800 + 1 200x ≤ 24 600
Isolando x:
1 200x ≤ 4 800
x ≤ 4 800 ÷ 1 200
x ≤ 4
Subpasso 4.3 — Verificação
Com x = 4: 19 800 + 4 × 1 200 = 24 600 BTUh — igual ao limite exato do aparelho, sem ultrapassar. Com x = 5: 19 800 + 6 000 = 25 800 BTUh, o que já excede a capacidade instalada. Logo, o máximo inteiro válido é x = 4, confirmando a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 3
❌ Incorreta: surge ao supor que a área (24 × 600 = 14 400) não inclui nenhuma pessoa e tratar as 5 pessoas atuais (em vez de 4 extras) como parcela adicional, o que reduz a folga real de 4 800 para 3 600 BTUh (3 600 ÷ 1 200 = 3). Ignora que a cota de 600 BTUh/m² já contempla a primeira pessoa do ambiente.
B) 4
✅ Correta: resultado exato da inequação 19 800 + 1 200x ≤ 24 600, respeitando que a área já inclui a primeira pessoa e que cada novo funcionário soma 1 200 BTUh (pessoa + computador). Com x = 4, a demanda atinge exatamente 24 600 BTUh.
C) 6
❌ Incorreta: aparece quando se erra a demanda-base (por exemplo, tratando as 5 pessoas como todas "extras") e mesmo assim se divide a folga resultante por 1 200. O erro está na montagem da demanda atual, e o valor não resiste à verificação do Subpasso 4.3.
D) 7
❌ Incorreta: incompatível com a capacidade do aparelho. Com 7 novos funcionários, a demanda extra seria 7 × 1 200 = 8 400 BTUh, elevando o total a 28 200 BTUh — bem acima dos 24 600 BTUh disponíveis.
E) 8
❌ Incorreta: obtida ao dividir a folga de 4 800 BTUh apenas por 600 (8 = 4 800 ÷ 600), como se cada novo funcionário gerasse só uma parcela de demanda. É o erro mais grave: ignora que cada funcionário traz também um computador ligado, dobrando o real impacto de cada contratação.
🏆 Gabarito: B — a folga de 4 800 BTUh entre a capacidade instalada (24 600) e a demanda atual (19 800) só comporta contratações que somem, no máximo, 4 800 BTUh; como cada novo funcionário com seu computador soma 1 200 BTUh, o número máximo de contratações é 4 800 ÷ 1 200 = 4.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só x = 4 satisfaz a regra de cálculo de BTUh e o limite de capacidade do aparelho (24 600 BTUh) sem ultrapassá-lo — valores maiores excedem a capacidade, e menores não são o máximo pedido.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma montar problemas de "dimensionamento" (ar-condicionado, elevadores, reservatórios, consumo de energia) em que uma grandeza fixa funciona como teto, exigindo uma inequação linear com uma variável representando a quantidade de itens a acrescentar.
- Generalização: sempre que o texto disser "não pode ultrapassar" ou "deve ser suficiente", traduza para (demanda atual) + (incremento por unidade) × x ≤ (capacidade máxima) e isole x, interpretando o resultado como número inteiro no contexto.
- Dica de eliminação rápida: calcule a folga (capacidade − demanda atual) e o incremento por unidade; descarte alternativas cujo valor, multiplicado pelo incremento, ultrapasse a folga — isso elimina D e E em segundos.
- Conexões: problemas de "cota fixa por elemento" (consumo de energia por eletrodoméstico, vazão por torneira) e inequações lineares aplicadas a orçamento.
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