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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 131ENEM 2024 PPLCaderno azul · 2º Dia

O bioma Pampa corresponde a quase dois terços do Rio Grande do Sul e pouco mais de 2% do Brasil, contendo cerca de 3 mil espécies de plantas. Dentre essas, aproximadamente 400 são gramíneas, que são ervas comumente chamadas de grama ou capim e apresentam polinização pelo vento (anemocoria). Esse tipo de polinização é pouco eficiente, pois o encontro entre os grãos de pólen e o estigma ocorre ao acaso.

Disponível em: http://zh.clicrbs.com.br. Acesso em: 15 nov. 2014 (adaptado).

Uma adaptação que também favoreceu o sucesso reprodutivo nessas plantas é o fato de elas possuírem flores com

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Botânica (reprodução das angiospermas e síndromes de polinização)
  • ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar o mecanismo de polinização (vento) com uma adaptação morfológica compensatória, sem cálculos ou dados complexos
  • 🎯 Tema/Habilidade: Adaptações reprodutivas das plantas às síndromes de polinização (H12/H14 — relacionar estrutura biológica e ambiente)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Além do vento como agente polinizador, qual característica floral das gramíneas também aumenta a chance de fecundação?"
  • Palavras-chave decisivas: anemocoria (polinização pelo vento), "pouco eficiente", "ao acaso"
  • Armadilha típica: transportar para essa questão características de flores polinizadas por animais (pétalas coloridas, néctar, perfume), que são exatamente o oposto do que se espera em plantas anemófilas.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que, quando o meio de transporte do pólen não é dirigido (o vento não "escolhe" o estigma), a planta compensa a baixa probabilidade de acerto investindo em quantidade, não em atração.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Anemofilia (polinização anemófila): síndrome de polinização em que o pólen é disperso pelo vento. Não depende de um vetor biológico, logo não há "intencionalidade" no trajeto do grão até o estigma — o encontro é estatístico.
  • Síndromes de polinização e trade-off evolutivo: cada estratégia reprodutiva envolve um investimento energético direcionado. Flores zoófilas (polinizadas por animais) investem em atrativos — cor, cheiro, néctar — porque precisam "convencer" um polinizador a visitá-las. Flores anemófilas dispensam esse investimento, pois não há quem atrair; o custo energético é redirecionado para a produção maciça de pólen.
  • Pressão seletiva sobre a eficiência reprodutiva: como a probabilidade de um grão de pólen específico atingir o estigma certo é muito baixa ao acaso, a seleção natural favorece indivíduos que produzem pólen em grande quantidade — isso aumenta a probabilidade combinada de sucesso, mesmo que cada grão isolado tenha baixa chance de êxito.
  • Morfologia floral reduzida em anemófilas: flores de gramíneas costumam ser pequenas, esverdeadas, sem pétalas vistosas e sem odor — características que, isoladamente, pareceriam "desvantagens", mas fazem sentido justamente porque a atração animal é dispensável nesse sistema.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "cerca de 3 mil espécies de plantas... aproximadamente 400 são gramíneas" → contextualiza que se trata de um grupo vegetal específico (Poaceae), cuja biologia reprodutiva é bem conhecida e didaticamente relevante.
  • Evidência 2: "polinização pelo vento (anemocoria)" → define o mecanismo de dispersão do pólen como não dirigido, dependente de correntes de ar.
  • Evidência 3: "esse tipo de polinização é pouco eficiente, pois o encontro entre os grãos de pólen e o estigma ocorre ao acaso" → é a chave interpretativa da questão: o enunciado já entrega o problema biológico (baixa eficiência por acaso) e pede a solução evolutiva adotada pela planta.
  • Síntese: o texto constrói um raciocínio de causa e efeito — "polinização ineficiente por acaso" exige uma "adaptação compensatória". A resposta correta precisa ser a característica que aumenta estatisticamente a chance de sucesso diante da aleatoriedade, não uma característica de atração animal (que seria irrelevante e até contraditória num sistema sem polinizador biológico).

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o problema biológico posto pelo texto

O enunciado afirma que, na anemocoria, o encontro entre pólen e estigma é aleatório — ou seja, a planta não controla a rota do grão de pólen como ocorre quando um inseto ou ave carrega o pólen diretamente até outra flor da mesma espécie. Isso gera uma taxa de sucesso, por grão, muito baixa.

Subpasso 4.2 — Traduzir "baixa eficiência ao acaso" em termos de probabilidade biológica

Do ponto de vista estatístico, se cada grão de pólen tem uma probabilidade individual pequena (p) de atingir um estigma receptivo, a forma mais eficaz de aumentar a probabilidade de pelo menos um sucesso é aumentar o número de "tentativas" — ou seja, aumentar drasticamente a quantidade de grãos de pólen liberados. Quanto maior o número de grãos lançados ao vento, maior a chance de que, mesmo por acaso, um número suficiente deles alcance estigmas de outras plantas e garanta a fecundação e a produção de sementes.

Subpasso 4.3 — Verificação: eliminar o que não resolve o problema da aleatoriedade

Pétalas atrativas, néctar açucarado, odor (mesmo desagradável, que atrairia certos polinizadores) e tamanho floral pronunciado são todas estratégias que fazem sentido em síndromes que dependem de um vetor biológico guiado — não em um sistema movido pelo vento. Nenhuma dessas alternativas resolve o problema descrito no texto (encontro ao acaso); apenas o aumento no número de grãos de pólen ataca diretamente essa limitação, compensando estatisticamente a baixa taxa de acerto individual. Isso confirma a alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) pétalas atrativas.

❌ Incorreta: pétalas vistosas e coloridas são adaptações típicas de zoofilia (polinização por animais), servindo como sinal visual para atrair polinizadores. Em anemofilia não há polinizador a ser atraído, então esse investimento seria energeticamente desperdiçado — por isso as gramíneas têm flores discretas, sem pétalas chamativas.

B) néctar açucarado.

❌ Incorreta: o néctar é uma recompensa alimentar oferecida a polinizadores animais (abelhas, beija-flores, borboletas) em troca do transporte de pólen. Como o vento não se alimenta de néctar, produzir essa substância não traria nenhuma vantagem reprodutiva às gramíneas, apenas custo metabólico sem retorno.

C) odor desagradável.

❌ Incorreta: odores fortes (agradáveis ou não) são estratégias olfativas para atrair vetores biológicos específicos — por exemplo, odores fétidos atraem moscas e besouros (miofilia/cantarofilia). Esse tipo de sinalização química não tem função na anemofilia, pois o vento não é sensível a odores.

D) tamanho pronunciado.

❌ Incorreta: flores grandes e chamativas facilitam a localização visual por polinizadores animais a distância. Gramíneas fazem exatamente o oposto: possuem flores pequenas e reduzidas (muitas vezes agrupadas em espiguetas), pois não precisam ser "vistas" — apenas precisam expor anteras ao vento e estigmas plumosos para capturar o pólen que passa.

E) grãos de pólen numerosos.

✅ Correta: como a chegada do pólen ao estigma depende inteiramente do acaso, a produção de grande quantidade de grãos de pólen é a adaptação que maximiza estatisticamente a probabilidade de fecundação bem-sucedida, compensando a baixa eficiência intrínseca da polinização anemófila.

🏆 Gabarito: E — a produção maciça de grãos de pólen é a resposta evolutiva das gramíneas à natureza aleatória e pouco dirigida da polinização pelo vento, aumentando as chances estatísticas de fecundação sem depender de atrativos voltados a polinizadores animais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas o aumento no número de grãos de pólen ataca diretamente o problema apresentado pelo texto — o encontro ao acaso entre pólen e estigma; todas as demais alternativas descrevem atrativos próprios de polinização por animais, incompatíveis com um sistema movido pelo vento.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma contrastar síndromes de polinização (anemofilia × zoofilia × entomofilia) pedindo que o estudante reconheça qual adaptação floral é coerente com cada tipo de vetor — biótico ou abiótico.
  • Generalização: sempre que o agente polinizador for abiótico (vento ou água), a planta tende a investir em quantidade de pólen e reduzir estruturas de atração; quando o agente é biótico (animal), a planta investe em sinais sensoriais (cor, cheiro, néctar, forma) para guiar o polinizador.
  • Dica de eliminação rápida: ao ler "vento" ou "anemocoria" no enunciado, elimine imediatamente qualquer alternativa que fale em cor, cheiro, néctar ou tamanho vistoso — são pistas de zoofilia, o oposto do que a questão pede.
  • Conexões: síndromes de polinização (zoofilia, entomofilia, ornitofilia, quiropterofilia); dispersão de sementes (anemocoria, zoocoria); biologia reprodutiva das angiospermas.

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