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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 122ENEM 2024 PPLCaderno azul · 2º Dia

Pisaster ochraceus é uma espécie de estrela-do-mar que ocorre em comunidades da zona entremarés da América do Norte Ocidental. Seu principal alimento são moluscos da espécie Mytilus californianus. Esse molusco, por sua vez, é dominante e compete por espaço com muitos outros invertebrados e até algas. Pesquisadores estudam as relações ecológicas nesse ambiente desde a década de 1960, com o objetivo de entender a dinâmica dessas comunidades. Alguns dados são apresentados no gráfico

A presença de Pisaster influencia a diversidade de espécies, nesse ecossistema, porque esses animais

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (predação, competição interespecífica e espécie-chave)
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de um gráfico experimental com um conceito ecológico específico
  • 🎯 Tema/Habilidade: Papel do predador na manutenção da biodiversidade — interpretar um experimento ecológico e relacioná-lo a um modelo teórico (cascata trófica)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que a presença de Pisaster ochraceus aumenta a diversidade de espécies na comunidade entremarés?"
  • Palavras-chave decisivas: influencia a diversidade, principal alimento (o molusco Mytilus), compete por espaço com muitos outros invertebrados e algas
  • Armadilha típica: trocar "predador que controla a diversidade via predação sobre o competidor dominante" por mecanismos que soam plausíveis mas não estão no texto — isolamento geográfico, química ou fragmentação de hábitat
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender a cadeia de causa e efeito: Pisaster preda Mytilus → menos Mytilus dominando o espaço → mais recursos livres → mais espécies coexistindo

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Espécie-chave (keystone species): organismo cujo impacto sobre a comunidade é desproporcional à sua abundância; sua remoção causa colapso na diversidade local. O conceito foi criado por Robert Paine exatamente a partir de experimentos com Pisaster ochraceus na costa oeste dos EUA — o experimento clássico descrito nesta questão.
  • Competidor dominante: espécie que, sem controle, monopoliza um recurso limitante (aqui, o espaço rochoso) e exclui as demais por competição.
  • Controle top-down: quando um predador reduz a população do competidor dominante, libera recursos (espaço, luz) que passam a ser ocupados por outras espécies, aumentando a diversidade — o oposto do que a intuição ingênua sugeriria.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (texto): "Mytilus californianus é dominante e compete por espaço com muitos outros invertebrados e até algas" → sem controle, Mytilus tende a excluir competidores ao monopolizar o substrato.
  • Evidência 2 (gráfico): de 1963 a 1973, a área com Pisaster mantém-se estável entre 16 e 20 espécies; a área sem Pisaster (removido pelos pesquisadores) despenca para 2-3 espécies já em 1966 e permanece baixa até 1973 → comprova experimentalmente que a ausência do predador causa o colapso da diversidade.
  • Síntese: a única leitura coerente com os dois dados é que Pisaster, ao predar Mytilus, impede que este monopolize o espaço, sustentando a alta diversidade — assinatura clássica de espécie-chave por controle predatório (top-down), não por isolamento, fragmentação ou química.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a variável do experimento

O gráfico compara duas parcelas ao longo de dez anos: uma com Pisaster (controle) e outra em que os pesquisadores removiam continuamente os indivíduos (experimento). A única variável manipulada é a presença do predador, logo qualquer diferença entre as curvas deve ser atribuída ao seu efeito sobre a comunidade.

Subpasso 4.2 — Interpretar o resultado com a biologia do sistema

Sem Pisaster, a diversidade cai abruptamente e permanece baixa. Como o texto já informa que Mytilus é o competidor dominante por espaço, a explicação coerente é: sem predação, Mytilus se multiplica sem controle e cobre o substrato quase por completo, impedindo a fixação de algas, cracas e outros invertebrados — a diversidade despenca por exclusão competitiva de um único vencedor. Com Pisaster, o predador consome parte da população de Mytilus continuamente, abrindo espaço para recolonização por múltiplas espécies.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando esse raciocínio com as alternativas, só uma descreve a cadeia causal correta — predador reduz o competidor dominante, o que reduz a competição deste com as demais espécies e permite maior coexistência: "diminuem o número de moluscos, reduzindo a competição destes com outros seres". Confirma-se a letra D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) fragmentam hábitats, formando novos espaços de colonização.

❌ Incorreta: fragmentação de hábitat é um processo físico de grande escala (desmatamento, barreiras geográficas) que divide um hábitat contínuo. Pisaster não fragmenta o costão rochoso; atua biologicamente, predando um competidor específico. Não há qualquer menção a fragmentação espacial no texto ou no gráfico.

B) servem de presa, aumentando a competição entre as outras espécies.

❌ Incorreta: inverte o papel trófico dos organismos — Pisaster é o predador, Mytilus é a presa, não o contrário. Além disso, o efeito observado é a redução da competição (mais espécies coexistindo), e não seu aumento.

C) isolam geograficamente as populações, reduzindo a taxa de especiação.

❌ Incorreta: isolamento geográfico é o mecanismo da especiação alopátrica, processo evolutivo de longuíssimo prazo, sem relação com a variação no número de espécies presentes em poucos anos mostrada no gráfico — um fenômeno ecológico local, não evolutivo.

D) diminuem o número de moluscos, reduzindo a competição destes com outros seres.

✅ Correta: é exatamente o mecanismo de espécie-chave descrito por Robert Paine. Pisaster preda Mytilus, reduz sua abundância e, com isso, sua capacidade de monopolizar o espaço por competição, liberando recursos para outras espécies — o que explica a alta diversidade com Pisaster e o colapso sem ele, como no gráfico.

E) liberam substâncias inibidoras de outros organismos, favorecendo o aumento da população de moluscos.

❌ Incorreta: descreve alelopatia/interferência química, não mencionada no enunciado. Além disso, contraria o próprio texto: Pisaster se alimenta de moluscos (reduz sua população), não favorece seu aumento.

🏆 Gabarito: D — Pisaster atua como espécie-chave: ao predar o molusco dominante Mytilus californianus, reduz sua capacidade de monopolizar o espaço por competição, permitindo que mais espécies coexistam — exatamente o padrão do gráfico (alta diversidade com Pisaster, colapso sem ele).

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D descreve a cadeia causal predador → redução do competidor dominante → menor competição por espaço → maior diversidade, documentada pelo gráfico e pelo texto-base.
  • Padrão de cobrança: o ENEM traz recorrentemente experimentos ecológicos clássicos (como o de Paine com Pisaster, ou cascatas tróficas com lobos em Yellowstone) para testar se o estudante entende relações indiretas entre predação, competição e biodiversidade, sempre exigindo leitura conjunta de texto e gráfico.
  • Generalização: quando um predador controla um competidor dominante, sua remoção reduz a diversidade — padrão de espécie-chave, contrário à intuição ingênua de que "tirar o predador ajuda as presas".
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que troquem os papéis ecológicos (B, que faz de Pisaster presa) ou tragam mecanismos ausentes do texto, como fragmentação física (A), especiação (C) ou química (E) — a resposta certa costuma reafirmar quase literalmente a relação de causa e efeito já dada no enunciado.
  • Conexões: teoria da espécie-chave de Robert Paine; cascata trófica; exclusão competitiva (Princípio de Gause).

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