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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 92ENEM 2024 PPLCaderno azul · 2º Dia

Nas últimas décadas, a população dos centros urbanos tem requerido a pavimentação das vias públicas, visando o aumento do conforto e a minimização do desgaste de veículos. No entanto, essa melhoria da qualidade de vida pode trazer implicações ao meio ambiente. A impermeabilização impede a infiltração de água no solo, sendo carreados, portanto, todos os dejetos e impurezas para os cursos de água.

Qual ação poderia mitigar os efeitos danosos da contaminação dos cursos de água em virtude da impermeabilização das vias públicas?

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ciclo hidrológico e impactos ambientais da urbanização
  • ⚡ Nível: Fácil — a charge e o comando já apontam diretamente para o conceito de permeabilidade do solo, sem cálculos ou dados técnicos a interpretar
  • 🎯 Tema/Habilidade: Impermeabilização do solo urbano e suas consequências no ciclo hidrológico (competência de área ligada a intervenções humanas no meio ambiente e qualidade de vida)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual ação reduz a poluição dos rios que é causada pela água da chuva escoando sobre ruas e calçadas impermeabilizadas?"
  • Palavras-chave decisivas: impermeabilização, carreados (dejetos), mitigar
  • Armadilha típica: confundir "tratar o esgoto/lixo" (o que ataca a origem da poluição) com "restaurar a capacidade de infiltração do solo" (o que ataca o mecanismo de transporte da poluição até o rio) — o enunciado pede especificamente uma ação sobre a impermeabilização, não sobre a geração de resíduos
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o problema central descrito é a perda de área permeável nas vias públicas, e que a solução deve recompor, ainda que parcialmente, essa permeabilidade

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Ciclo hidrológico e infiltração: em solos naturais (permeáveis), boa parte da água da chuva infiltra, é filtrada pelas camadas do solo e recarrega o lençol freático; apenas o excedente escoa superficialmente até os corpos d'água.
  • Impermeabilização urbana: asfalto, concreto e outras pavimentações bloqueiam a infiltração. Praticamente toda a água da chuva vira escoamento superficial (runoff), que arrasta óleo, fezes de animais, lixo, metais pesados e outros poluentes diretamente para rios e córregos, sem qualquer filtragem natural.
  • Áreas verdes como infraestrutura de drenagem: parques, praças e espaços arborizados mantêm solo exposto e vegetado, funcionando como "esponjas urbanas". Eles reduzem o volume e a velocidade do escoamento superficial, permitem infiltração e retêm parte dos poluentes nas raízes e no solo antes que cheguem aos cursos de água.
  • Diferença entre mitigar a causa e tratar a origem do lixo: ações como reciclagem ou fossas sépticas atuam sobre a geração de resíduos (esgoto doméstico, lixo seco), mas não interferem no fenômeno físico descrito no enunciado — o escoamento superficial gerado pela pavimentação.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A impermeabilização impede a infiltração de água no solo" → revela que a causa raiz do problema é física/hidrológica: a água não penetra mais no solo.
  • Evidência 2: "sendo carreados, portanto, todos os dejetos e impurezas para os cursos de água" → mostra que o mecanismo de poluição é o transporte (arraste) de sujeira pela água que escoa na superfície, e não a geração de esgoto ou lixo em si.
  • Evidência 3 (charge): o personagem explica que a impermeabilização "é uma das principais alterações causadas nos ambientes urbanos", implicando "mudanças no ciclo hidrológico" → reforça que a resposta certa precisa atuar sobre o ciclo hidrológico, restaurando de alguma forma a infiltração.
  • Síntese: o enunciado e a charge convergem para um único caminho lógico: se o problema é a falta de infiltração causada pelo asfalto, a mitigação eficaz é recriar superfícies permeáveis e vegetadas na malha urbana — exatamente o papel de parques e espaços arborizados.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o mecanismo de dano ambiental

O texto descreve uma cadeia de causa e efeito bem definida: pavimentação → impermeabilização → ausência de infiltração → escoamento superficial total → arraste de dejetos e impurezas para os cursos de água. A questão não pergunta "como reduzir o lixo produzido", mas sim "como reduzir o dano que a água de escoamento causa aos rios". Isso já elimina, de saída, qualquer alternativa que trate apenas da origem de resíduos sólidos ou líquidos, sem tocar no escoamento em si.

Subpasso 4.2 — Buscar a ação que restaura a função hidrológica perdida

Como a impermeabilização é o problema, a solução lógica é reduzir essa impermeabilização (ou compensá-la) em outros pontos da malha urbana. Parques e espaços arborizados cumprem exatamente essa função: mantêm solo exposto, com raízes e matéria orgânica que favorecem a infiltração, diminuem o volume de água que corre pela superfície e retêm parte da carga poluidora antes que ela alcance rios e córregos. É a chamada função de "esponja urbana", hoje associada ao conceito de cidades esponja (sponge cities) e às técnicas de drenagem urbana sustentável (jardins de chuva, biovaletas, telhados verdes, parques lineares).

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando a alternativa D com o mecanismo de dano identificado no Passo 4.1: parques e áreas arborizadas atacam diretamente a causa física do problema (falta de infiltração), reduzindo o volume de escoamento superficial e, consequentemente, a quantidade de dejetos carreados para os cursos de água. Nenhuma outra alternativa intervém sobre esse mecanismo hidrológico — confirmando que a letra D é a única coerente com o enunciado.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Reciclar o lixo doméstico seco.

❌ Incorreta: a reciclagem trata do destino do lixo sólido já separado e coletado nas residências, um processo de gestão de resíduos que nada tem a ver com o escoamento de água da chuva sobre vias pavimentadas. Não reduz o volume de água escoando nem a quantidade de dejetos arrastados pela chuva.

B) Incentivar a construção de fossas sépticas.

❌ Incorreta: fossas sépticas tratam do esgoto doméstico (efluentes sanitários) em locais sem rede coletora, evitando que esse esgoto seja despejado diretamente no solo ou em corpos d'água. É uma solução de saneamento básico pontual, mas não atua sobre o fenômeno da impermeabilização das vias nem sobre o escoamento superficial urbano descrito no enunciado.

C) Difundir o uso de vasos de plantas nas vias públicas.

❌ Incorreta: embora pareça alinhada ao espírito da resposta certa, vasos de plantas são recipientes isolados, com área de solo exposto irrisória diante da escala do escoamento superficial de toda uma via pavimentada. Não têm capacidade de infiltração significativa nem de retenção de poluentes em volume relevante — é uma medida estética/pontual, não uma solução de drenagem urbana.

D) Promover a construção de parques e espaços arborizados.

✅ Correta: parques e áreas verdes recriam, em escala significativa, superfícies permeáveis dentro da cidade. Eles permitem a infiltração da água da chuva, reduzem o volume e a velocidade do escoamento superficial e funcionam como filtro natural, retendo parte dos poluentes antes que atinjam os cursos de água — atacando exatamente o mecanismo de dano descrito no enunciado.

E) Propor políticas de expansão da canalização das redes fluviais.

❌ Incorreta: canalizar rios significa revesti-los com concreto e retificar seu curso, o que na verdade aumenta a velocidade do escoamento e a impermeabilização do sistema como um todo, agravando enchentes e a incapacidade de filtragem natural. É o oposto de uma medida mitigadora — intensifica o problema em vez de resolvê-lo.

🏆 Gabarito: D — é a única alternativa que restaura, ainda que parcialmente, a capacidade de infiltração do solo urbano, reduzindo o escoamento superficial responsável por carrear dejetos e impurezas até os cursos de água.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas a construção de parques e espaços arborizados devolve área permeável em escala relevante à cidade, atacando a causa física (impermeabilização) e não apenas os sintomas (lixo, esgoto) do problema ambiental descrito.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora o tema "urbanização versus meio ambiente", cobrando o entendimento de que soluções de infraestrutura verde (parques, telhados verdes, áreas de recarga) são estratégias de mitigação de impactos hidrológicos causados pela pavimentação e impermeabilização das cidades.
  • Generalização: sempre que uma questão descrever um problema ligado à impermeabilização do solo (enchentes, poluição de rios, aquecimento urbano), a resposta correta tende a envolver a recomposição de áreas permeáveis e vegetadas — nunca soluções que apenas tratam resíduos ou que aumentam ainda mais a impermeabilização/canalização.
  • Dica de eliminação rápida: leia o comando procurando o verbo-chave do dano ("carrear", "escoar", "infiltrar"). Se a alternativa fala em lixo/esgoto (A, B) ou em canalizar/concretar mais (E), ela ataca outro problema ou piora o descrito — elimine. Se a alternativa envolve pouca área de solo exposto (C), ela é insuficiente em escala — elimine. Sobra a que amplia área verde em escala urbana.
  • Conexões: cidades esponja (sponge cities) e infraestrutura verde; drenagem urbana sustentável; ilhas de calor urbanas e o papel da arborização na regulação térmica e hídrica das cidades.

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