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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 120ENEM 2024 PPLCaderno azul · 2º Dia

Doenças negligenciadas são um grupo de enfermidades tropicais endêmicas que incapacitam ou matam milhões de pessoas e representam uma necessidade médica importante que permanece não atendida. Comuns em áreas pobres do mundo, as populações atingidas por essas doenças não possuem recursos para pagar por um tratamento que exigiria anos de pesquisa e um alto investimento dos laboratórios. Por isso, uma parcela considerável de investimentos aplicados em estudos dessas doenças vem de atividades filantrópicas.

Esses investimentos filantrópicos poderiam melhorar a realidade de doentes acometidos pelo(a):

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Saúde Coletiva e Parasitologia (doenças tropicais negligenciadas)
  • ⚡ Nível: Fácil — basta reconhecer, dentre cinco patologias, qual delas se encaixa no conceito de "doença negligenciada" descrito no texto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Determinantes sociais e econômicos da saúde; classificação epidemiológica de doenças tropicais negligenciadas (competência de área de Ciências da Natureza — relação entre ciência, tecnologia, sociedade e saúde pública)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual doença, entre as listadas, se beneficiaria de investimentos filantrópicos por ser uma doença negligenciada?"
  • Palavras-chave decisivas: negligenciadas, filantrópicas, áreas pobres
  • Armadilha típica: confundir "doença grave e de alta mortalidade" com "doença negligenciada". Câncer, infarto e Alzheimer matam milhões e são muito graves, mas isso não as torna negligenciadas — o critério não é a letalidade, é a ausência de interesse comercial da indústria farmacêutica.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar, dentro do enunciado, os critérios operacionais que definem uma doença negligenciada (endemicidade tropical, população pobre, ausência de retorno financeiro para pesquisa) e aplicá-los corretamente às cinco alternativas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Doenças negligenciadas (Neglected Tropical Diseases – NTDs): grupo de doenças infecciosas e parasitárias definido pela OMS que atinge predominantemente populações pobres de regiões tropicais. "Negligenciada" não se refere à gravidade clínica, mas ao baixíssimo investimento em pesquisa e novos medicamentos, já que o público afetado não representa mercado lucrativo para a indústria farmacêutica.
  • Lógica de mercado da indústria farmacêutica: desenvolver um fármaco exige mais de uma década de pesquisa e bilhões em investimento. Laboratórios privados priorizam doenças com público pagante (países ricos), enquanto doenças tropicais de países pobres dependem de ONGs e fundações filantrópicas (como a Fundação Bill & Melinda Gates).
  • Leishmaniose: doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos (mosquitos-palha, gênero Lutzomyia no Brasil). Tem formas cutânea, mucocutânea e visceral (calazar, potencialmente fatal). É endêmica em áreas pobres da África, Ásia e América Latina — inclusive no Brasil — e figura na lista oficial da OMS de doenças tropicais negligenciadas.
  • Contraponto comercial: infarto, câncer, Alzheimer e influenza A atingem de forma significativa populações de países desenvolvidos e/ou geram demanda constante por medicamentos e vacinas, garantindo investimento privado contínuo.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "grupo de enfermidades tropicais endêmicas que incapacitam ou matam milhões de pessoas" → define o recorte epidemiológico: doenças de regiões tropicais, endêmicas, associadas a parasitoses e infecções tropicais — não a doenças crônico-degenerativas de países ricos.
  • Evidência 2: "populações atingidas... não possuem recursos para pagar por um tratamento que exigiria anos de pesquisa e um alto investimento dos laboratórios" → revela o mecanismo econômico central: sem retorno financeiro garantido, a indústria não prioriza a pesquisa, deixando a doença dependente de filantropia.
  • Síntese: o enunciado constrói o perfil da doença negligenciada — tropical, endêmica, ligada à pobreza, sem atrativo comercial. Basta comparar esse perfil às cinco alternativas e eliminar as que não se encaixam.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Traduzir o conceito em critérios objetivos

Do texto extraem-se três critérios que uma doença precisa cumprir simultaneamente para ser "negligenciada": (1) ser tropical e endêmica; (2) atingir principalmente populações pobres; (3) não despertar interesse comercial da indústria farmacêutica, dependendo de filantropia. Falhar em qualquer um desses critérios já exclui a alternativa.

Subpasso 4.2 — Testar cada alternativa contra os três critérios

Infarto, câncer, Alzheimer e influenza A atingem de forma expressiva populações de países desenvolvidos e geram grande demanda de mercado (cardiovasculares, quimioterápicos, terapias para demência, vacinas anuais contra gripe), recebendo investimento privado contínuo — não dependem primariamente de filantropia. A leishmaniose, ao contrário, é tropical, endêmica em regiões pobres (inclusive no Brasil, sobretudo Norte e Nordeste) e não representa mercado lucrativo, dependendo historicamente de OMS, ONGs e fundações filantrópicas para financiar pesquisa — exatamente o cenário descrito no texto.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com a lista oficial de doenças tropicais negligenciadas da OMS (leishmaniose, doença de Chagas, esquistossomose, dengue, hanseníase, entre outras), apenas a leishmaniose atende a todos os requisitos — confirmando a alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Infarto.

❌ Incorreta: condição cardiovascular associada a fatores de risco típicos de países desenvolvidos e em desenvolvimento (hipertensão, obesidade, sedentarismo). Movimenta mercado farmacêutico bilionário (anti-hipertensivos, anticoagulantes, stents) — investimento comercial robusto, sem depender de filantropia.

B) Câncer.

❌ Incorreta: engloba neoplasias que afetam populações do mundo todo, inclusive países ricos, sendo uma das áreas mais financiadas globalmente por governos e indústria farmacêutica, dado o enorme mercado de quimioterápicos e imunoterapias.

C) Alzheimer.

❌ Incorreta: doença neurodegenerativa cuja prevalência cresce sobretudo em países de alta expectativa de vida, o que garante interesse comercial contínuo de laboratórios em desenvolver tratamentos, mesmo sem cura definitiva.

D) Influenza A.

❌ Incorreta: apesar de causar surtos e pandemias, a influenza afeta populações do mundo todo, inclusive países ricos, e movimenta a indústria de vacinas anualmente atualizadas — mercado lucrativo e consolidado, sem depender de filantropia.

E) Leishmaniose.

✅ Correta: doença parasitária tropical, endêmica em regiões pobres (América Latina, África, Ásia), transmitida por flebotomíneos e classificada pela OMS como doença tropical negligenciada — não representa mercado lucrativo, dependendo de investimentos filantrópicos para financiar pesquisa e tratamento.

🏆 Gabarito: E — a leishmaniose é a única alternativa que reúne simultaneamente os três critérios do enunciado (doença tropical, endêmica em populações pobres e sem interesse comercial da indústria farmacêutica), sendo o exemplo clássico de doença negligenciada cobrado pelo ENEM.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a leishmaniose é doença tropical parasitária, endêmica em populações pobres e desprovida de mercado farmacêutico atrativo — os três pilares que definem "doença negligenciada" no texto, o que torna a letra E a única resposta compatível.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente relaciona saúde pública a fatores sociais e econômicos, cobrando doenças tropicais negligenciadas (leishmaniose, doença de Chagas, esquistossomose, dengue, hanseníase) em contraste com doenças crônico-degenerativas de países ricos.
  • Generalização: sempre que a questão mencionar "doença negligenciada", "endêmica em áreas pobres" ou "sem interesse comercial da indústria farmacêutica", associe a parasitoses tropicais transmitidas por vetores, e não a doenças crônicas típicas de países desenvolvidos.
  • Dica de eliminação rápida: elimine doenças crônico-degenerativas de países ricos (infarto, câncer, Alzheimer) e doenças com vacina industrial já consolidada e lucrativa (influenza A) — sobra apenas a parasitose tropical da lista.
  • Conexões: doença de Chagas e esquistossomose (outros exemplos clássicos); vigilância epidemiológica do SUS no combate a parasitoses tropicais no Brasil.

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