Mapa de questões · 2º dia
Questão 99 — ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia
Em uma colisão frontal entre dois automóveis, a força que o cinto de segurança exerce sobre o tórax e abdômen do motorista pode causar lesões graves nos órgãos internos. Pensando na segurança do seu produto, um fabricante de automóveis realizou testes em cinco modelos diferentes de cinto. Os testes simularam uma colisão de 0,30 segundo de duração, e os bonecos que representavam os ocupantes foram equipados com acelerômetros. Esse equipamento registra o módulo da desaceleração do boneco em função do tempo. Os parâmetros como massa dos bonecos, dimensões dos cintos e velocidade imediatamente antes e após o impacto foram os mesmos para todos os testes. O resultado final obtido está no gráfico de aceleração por tempo.

Qual modelo de cinto oferece menor risco de lesão interna ao motorista?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Impulso, Quantidade de Movimento e Leis de Newton (aplicados à segurança veicular)
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um gráfico não trivial (aceleração × tempo) e articular dois conceitos físicos (impulso = área e força = pico) ao mesmo tempo
- 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre impulso, força e tempo de colisão — competência de leitura e interpretação de gráficos aplicada a um contexto de segurança veicular (Ciências da Natureza, eixo Tecnologia e Sociedade)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Entre cinco cintos de segurança testados na mesma colisão, qual deles reduz mais a chance de lesão interna no motorista?"
- Palavras-chave decisivas: menor risco de lesão interna, desaceleração (módulo da aceleração), mesmos parâmetros de massa, dimensões e velocidade
- Armadilha típica: olhar apenas para "qual curva tem o pico mais alto" ou "qual freia mais rápido" e concluir que pico alto = cinto mais eficiente. Na verdade, pico alto significa força de impacto mais violenta sobre o tórax — exatamente o que causa lesão interna.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que, para um mesmo impulso (mesma variação de velocidade), o cinto ideal é aquele que distribui a força ao longo de mais tempo, reduzindo o valor de pico da aceleração — e não o que produz o maior "solavanco".
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Teorema do impulso (Impulso = variação da quantidade de movimento): I = Δp = m·Δv. Como a massa do boneco e as velocidades antes/depois do impacto são iguais em todos os testes, o impulso total (a variação de quantidade de movimento) é o mesmo para os cinco cintos.
- Impulso como área do gráfico a × t: como a = dv/dt, a integral (área sob a curva) de aceleração em função do tempo é justamente Δv. Logo, as áreas sob as cinco curvas do gráfico são aproximadamente iguais — todas "gastam" a mesma variação de velocidade.
- 2ª Lei de Newton (F = m·a): com a massa do boneco fixa, o valor instantâneo da força sobre o corpo é diretamente proporcional ao valor instantâneo da aceleração. Portanto, o pico do gráfico a × t corresponde ao pico de força que o cinto transmite ao tórax/abdômen.
- Relação entre força de pico e lesão: dado um mesmo impulso, quanto maior o intervalo de tempo Δt em que a força atua, menor precisa ser a intensidade dessa força (é o mesmo princípio por trás de air bags e zonas de deformação programada: "esticar" a colisão no tempo reduz o pico de força). Picos de força elevados e concentrados em pouco tempo são o que rompe vasos e lesiona órgãos internos.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "os parâmetros como massa dos bonecos, dimensões dos cintos e velocidade imediatamente antes e após o impacto foram os mesmos para todos os testes" → garante que o impulso (área sob cada curva) é o mesmo nos cinco testes — a diferença entre os cintos está apenas na FORMA como cada um distribui essa desaceleração ao longo do tempo.
- Evidência 2: "Esse equipamento registra o módulo da desaceleração do boneco em função do tempo" → o gráfico mostra |a(t)| para cada cinto; o eixo vertical vai de 0 a 200 m/s² e o eixo horizontal, de 0 a 0,30 s, exatamente a duração da colisão simulada.
- Síntese: como todas as curvas têm área semelhante, a leitura correta do gráfico não é "qual desacelera mais rápido", mas sim "qual curva tem a menor altura máxima (pico)" — essa é a curva que aplica a força mínima sobre o corpo do motorista em qualquer instante da colisão.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Ler os picos de cada curva no gráfico
Observando o gráfico de aceleração (m/s²) por tempo (s), cada cinto corresponde a um traçado com estilo de linha diferente (indicado na legenda: Cinto 1, 2, 3, 4 e 5). Extraindo os valores aproximados de pico (aceleração máxima) e o instante em que ocorrem:
- Cinto 1 (traço-ponto): pico ≈ 150 m/s² em t ≈ 0,08 s — curva estreita e alta.
- Cinto 2 (pontilhado): pico ≈ 65 m/s² em t ≈ 0,15 s — curva larga e achatada, a de menor altura entre todas.
- Cinto 3 (tracejado fino): pico ≈ 190 m/s² em t ≈ 0,15 s — o maior pico do gráfico, curva estreita e alta.
- Cinto 4 (linha sólida grossa): pico ≈ 85 m/s² em t ≈ 0,21 s — curva larga, mas ainda com pico maior que o Cinto 2.
- Cinto 5 (tracejado largo): pico ≈ 170 m/s² em t ≈ 0,28 s — pico alto e concentrado próximo ao fim da colisão.
Subpasso 4.2 — Comparar as áreas (impulso) e isolar a variável relevante (pico de força)
Todas as cinco curvas ocupam, de forma aproximada, a mesma área sob o gráfico — coerente com o enunciado, já que Δv e a massa são iguais em todos os testes (I = m·Δv = constante). Isso significa que nenhuma curva "freia mais" que a outra em termos de resultado final de velocidade — a diferença está unicamente em como a desaceleração é distribuída no tempo. Como F = m·a e m é constante, o pico de aceleração de cada curva é diretamente proporcional ao pico de força transmitido pelo cinto ao corpo do boneco. Comparando os cinco valores de pico levantados no Subpasso 4.1: 150, 65, 190, 85 e 170 m/s². O menor valor entre eles é, com folga, o do Cinto 2 (≈ 65 m/s²), que também é a curva mais "espalhada" ao longo do eixo do tempo — exatamente o comportamento que reduz a força máxima para um mesmo impulso.
Subpasso 4.3 — Verificação
Se o Cinto 2 tem o menor pico de aceleração, então tem o menor pico de força de reação sobre o tórax e o abdômen do motorista em qualquer instante da colisão, o que corresponde ao menor risco de lesão interna — exatamente o que a questão pede. Isso bate com a alternativa B (modelo 2). Verificando os concorrentes mais próximos: o Cinto 4, apesar de também ser uma curva larga, ainda atinge ≈ 85 m/s² no pico, cerca de 30% acima do Cinto 2; os cintos 1, 3 e 5 têm picos entre 150 e 190 m/s², de 2 a quase 3 vezes maiores que o do Cinto 2. A resposta B é, portanto, consistente e a única compatível com o critério "menor força máxima aplicada ao corpo".
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 1
❌ Incorreta: o Cinto 1 apresenta pico de aceleração alto (≈ 150 m/s²) concentrado em um intervalo curto de tempo (por volta de t = 0,08 s). Essa concentração de força em pouco tempo gera um "solavanco" intenso sobre o tórax, aumentando o risco de lesão, mesmo com o mesmo impulso total dos demais.
B) 2
✅ Correta: o Cinto 2 tem o menor pico de aceleração do gráfico (≈ 65 m/s²) e é a curva mais distribuída ao longo do tempo. Como o impulso (área) é igual para todos os cintos, distribuir a mesma variação de velocidade num intervalo de tempo maior reduz a intensidade máxima da força sobre o corpo — é o princípio de segurança que minimiza o risco de lesão interna.
C) 3
❌ Incorreta: o Cinto 3 é o pior caso do teste, com o maior pico de todo o gráfico (≈ 190 m/s²) concentrado num intervalo muito estreito de tempo. Essa é a curva mais perigosa: gera o maior pico de força instantânea sobre os órgãos internos do motorista.
D) 4
❌ Incorreta: o Cinto 4 também distribui a desaceleração por um intervalo relativamente longo, mas seu pico (≈ 85 m/s²) ainda é visivelmente maior que o do Cinto 2. É uma "armadilha de proximidade" — parece a curva mais suave à primeira vista por ser a linha sólida mais grossa e larga do gráfico, mas uma leitura cuidadosa do eixo vertical mostra que não é o menor pico.
E) 5
❌ Incorreta: o Cinto 5 tem pico elevado (≈ 170 m/s²) e, agravante, esse pico ocorre muito perto do fim da colisão (t ≈ 0,28 s), quando o corpo já acumulou boa parte do deslocamento contra o cinto — uma força alta nesse instante também representa risco elevado de lesão interna.
🏆 Gabarito: B — o Cinto 2 é o único modelo cujo pico de aceleração (força) é o menor entre os cinco, garantindo, para o mesmo impulso total da colisão, a menor força máxima aplicada ao tórax e abdômen do motorista.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre os cinco cintos testados, apenas o modelo 2 combina o menor valor de pico de aceleração com a distribuição mais ampla dessa aceleração ao longo do tempo de colisão, o que reduz a força máxima transmitida ao corpo e, consequentemente, o risco de lesão interna.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora usar contextos de segurança veicular (cinto, air bag, zona de deformação, capacete) para cobrar o teorema do impulso de forma gráfica, sem exigir cálculo de integral — o candidato precisa "ler" a área e o pico do gráfico, não calculá-los algebricamente.
- Generalização: sempre que o impulso (ou variação de quantidade de movimento) for o mesmo em situações comparadas, a opção mais segura é a que distribui essa variação por mais tempo, reduzindo o pico de força — esse é o princípio geral por trás de air bags, capacetes, colchões de queda e zonas de deformação de carros.
- Dica de eliminação rápida: ao ver um gráfico de força ou aceleração × tempo num contexto de segurança, ignore imediatamente a curva com o pico mais alto e estreito (aqui, o Cinto 3) — ela é sempre a pior opção. Em seguida, compare apenas as alturas de pico das curvas restantes; a menor altura vence, mesmo que a curva não pareça a "mais larga" visualmente.
- Conexões: o mesmo raciocínio aparece em questões sobre air bags e zonas de deformação de automóveis (que aumentam o tempo de colisão para reduzir a força de impacto) e em questões de colisões elásticas/inelásticas que usam o teorema impulso-quantidade de movimento (I = Δp = F·Δt = m·Δv).
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