Mapa de questões · 2º dia
Questão 116 — ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia
Visando explicar uma das propriedades da membrana plasmática, fusionou-se uma célula de camundongo com uma célula humana, formando uma célula híbrida. Em seguida, com o intuito de marcar as proteínas de membrana, dois anticorpos foram inseridos no experimento, um específico para as proteínas de membrana do camundongo e outro para as proteínas de membrana humana. Os anticorpos foram visualizados ao microscópio por meio de fluorescência de cores diferentes.

A mudança observada da etapa 3 para a etapa 4 do experimento ocorre porque as proteínas
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Citologia (membrana plasmática e modelo do mosaico fluido)
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um experimento clássico de biologia celular (Frye & Edidin) e conectar a observação experimental a um conceito abstrato (fluidez da membrana).
- 🎯 Tema/Habilidade: Estrutura e dinâmica da membrana plasmática — Competência de área 4 (compreender processos e propriedades dos sistemas biológicos, associando com sua aplicação em processos tecnológicos e a tecnologias experimentais).
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que as proteínas de membrana, inicialmente separadas em dois hemisférios da célula híbrida, aparecem misturadas por toda a superfície após 40 minutos de incubação a 37 °C?"
- Palavras-chave decisivas: célula híbrida, fluorescência de cores diferentes, etapa 3 → etapa 4
- Armadilha típica: confundir o experimento com um processo de sinalização celular desencadeado pelos anticorpos (como se eles "mobilizassem" ou "bloqueassem" as proteínas), quando na verdade os anticorpos são apenas marcadores passivos, ferramentas de visualização, e não agentes que causam o movimento.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que o experimento de Frye & Edidin (1970) comprova o modelo do mosaico fluido, no qual as proteínas de membrana não são fixas, mas se deslocam lateralmente pela bicamada lipídica.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Modelo do mosaico fluido (Singer & Nicolson, 1972): descreve a membrana plasmática como uma bicamada lipídica fluida, na qual proteínas estão inseridas (integrais) ou associadas à superfície (periféricas), podendo se mover lateralmente no plano da membrana, como "icebergs flutuando em um mar de lipídios".
- Imunofluorescência: técnica que utiliza anticorpos ligados a marcadores fluorescentes (fluoresceína = verde; rodamina = vermelho) para localizar proteínas específicas ao microscópio, sem interferir na função biológica delas — os anticorpos apenas "etiquetam" as proteínas, tornando-as visíveis.
- Célula híbrida (heterocárion): célula formada pela fusão artificial de duas células de espécies diferentes (aqui, camundongo e humana), usada como modelo experimental porque permite distinguir, por marcação específica, as proteínas originárias de cada célula-mãe.
- Difusão lateral de proteínas: movimento espontâneo das proteínas de membrana dentro do plano da bicamada lipídica, impulsionado pela agitação térmica; é dependente de temperatura, sendo mais lento ou ausente em baixas temperaturas e mais rápido a 37 °C.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado e da Figura
- Evidência 1 (Etapa 1 a 3): proteína de membrana do camundongo marcada com fluoresceína (verde) e proteína humana marcada com rodamina (vermelho) — no "Tempo = 0 minuto" (etapa 3), a figura mostra os dois tipos de anticorpo/marcação restritos cada um a uma metade da célula híbrida, refletindo a origem de cada membrana original (metade de camundongo, metade humana) → no instante inicial, as proteínas ainda não tiveram tempo de se redistribuir.
- Evidência 2 (Etapa 4): após "Incubação a 37 °C" por "Tempo = 40 minutos", a célula híbrida aparece com os dois marcadores espalhados e entremeados por toda a superfície → as proteínas migraram de suas posições originais e se misturaram uniformemente pela membrana.
- Síntese: a transição da separação nítida (etapa 3) para a distribuição mista (etapa 4), ocorrendo apenas com o aumento do tempo e a manutenção da temperatura fisiológica (37 °C), evidencia um deslocamento espontâneo e livre das proteínas dentro do plano da membrana — exatamente o que prevê o modelo do mosaico fluido.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a variável que mudou entre as etapas 3 e 4
Comparando as duas etapas, a única variável experimental alterada é o tempo de incubação a 37 °C (de 0 para 40 minutos). Não há adição de novas substâncias, nem alteração da célula em si — apenas a passagem do tempo sob temperatura corpórea. Isso indica que a mudança observada (mistura das cores) deve ser explicada por um processo espontâneo e dependente de energia térmica, e não por uma ação direta dos anticorpos.
Subpasso 4.2 — Interpretar o papel dos anticorpos fluorescentes
Os anticorpos marcados com fluoresceína e rodamina servem exclusivamente como repórteres visuais: eles se ligam especificamente às proteínas de membrana de camundongo ou humanas e permitem que o pesquisador "veja" onde essas proteínas estão ao microscópio de fluorescência. Eles não empurram, não bloqueiam e não mobilizam as proteínas — são ferramentas de rastreamento, não agentes causadores do fenômeno biológico observado.
Subpasso 4.3 — Verificação: conectar a observação ao modelo teórico
Se as proteínas estivessem fixas em posições determinadas da membrana (um modelo "estático"), a distribuição em dois hemisférios (metade verde, metade vermelha) permaneceria inalterada mesmo após 40 minutos a 37 °C. Como isso não ocorre — pelo contrário, as marcações se espalham e se misturam por toda a célula — a única explicação coerente é que as proteínas se movem livremente no plano da bicamada lipídica, migrando de suas regiões de origem e se redistribuindo por toda a superfície celular. Esse resultado é justamente a evidência histórica que sustentou o modelo do mosaico fluido de Singer e Nicolson. Confirma-se, portanto, a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) movimentam-se livremente no plano da bicamada lipídica.
✅ Correta: é exatamente o que o experimento demonstra — a bicamada lipídica tem caráter fluido, e as proteínas nela inseridas se deslocam lateralmente por difusão, sem posição fixa. Esse movimento espontâneo, dependente de temperatura, explica a mistura das marcações de camundongo e humana observada entre as etapas 3 e 4.
B) permanecem confinadas em determinadas regiões da bicamada.
❌ Incorreta: essa alternativa descreveria o resultado contrário ao observado. Se as proteínas ficassem confinadas em regiões fixas, a separação nítida entre as cores (metade verde, metade vermelha) persistiria mesmo após os 40 minutos — o que não acontece na figura.
C) auxiliam o deslocamento dos fosfolipídeos da membrana plasmática.
❌ Incorreta: inverte a relação de causa e efeito. No modelo do mosaico fluido, é a fluidez da bicamada de fosfolipídeos que permite o deslocamento das proteínas, e não o contrário. Além disso, o experimento não avalia o comportamento dos lipídios, apenas o das proteínas marcadas.
D) são mobilizadas em razão da inserção de anticorpos.
❌ Incorreta: atribui aos anticorpos um papel ativo que eles não possuem. Os anticorpos são apenas marcadores fluorescentes usados para visualização; eles não geram força mecânica nem sinalizam a movimentação das proteínas — o movimento é uma propriedade intrínseca da membrana fluida, que ocorreria de qualquer forma, com ou sem a marcação.
E) são bloqueadas pelos anticorpos.
❌ Incorreta: se os anticorpos bloqueassem as proteínas, o resultado esperado seria justamente a manutenção da separação entre as cores (proteínas "presas" em suas posições originais), o oposto do que a etapa 4 mostra.
🏆 Gabarito: A — o experimento de fusão celular com dupla marcação por imunofluorescência mostra que, com o tempo e a 37 °C, as proteínas de membrana de origens diferentes se espalham e se misturam por toda a célula híbrida, comprovando que elas se movimentam livremente no plano fluido da bicamada lipídica.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra A é a única alternativa que explica corretamente a transição observada, pois descreve a propriedade real da membrana (fluidez) responsável pela mistura das marcações — nenhuma outra opção é compatível com o resultado experimental mostrado na figura.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa o experimento de Frye & Edidin (fusão de células de camundongo e humanas) para testar a compreensão do modelo do mosaico fluido, geralmente pedindo que o estudante interprete um esquema com etapas sequenciais e relacione a observação experimental ao conceito teórico.
- Generalização: sempre que uma questão apresentar um experimento envolvendo marcação de proteínas de membrana ao longo do tempo e temperatura, desconfie de que o tema central é a fluidez/dinâmica da membrana, e não a ação direta do reagente marcador utilizado.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que atribua ao anticorpo um papel ativo (mobilizar, bloquear, auxiliar) — em experimentos de imunofluorescência, o anticorpo é sempre apenas uma ferramenta de visualização, nunca o agente causador do fenômeno biológico.
- Conexões: esse conceito se conecta a temas como transporte através da membrana (proteínas de canal e carreadoras), fluidez de membrana e composição lipídica (colesterol, saturação dos ácidos graxos) e outros experimentos clássicos de biologia celular cobrados no ENEM, como a osmose e a difusão facilitada.
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