Mapa de questões · 2º dia
Questão 137 — ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia
Para realizar a viagem dos sonhos, uma pessoa precisava fazer um empréstimo no valor de R$ 5000,00. Para pagar as prestações, dispõe de, no máximo, R$ 400,00 mensais. Para esse valor de empréstimo, o valor da prestação (P) é calculado em função do número de prestações (n) segundo a fórmula

Se necessário, utilize 0,005 como aproximação para log 1,013; 2,602 como aproximação para log 400; 2,525 como aproximação para log 335.
De acordo com a fórmula dada, o menor número de parcelas cujos valores não comprometem o limite definido pela pessoa é
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Logaritmos aplicados a Matemática Financeira (juros compostos, inequações exponenciais)
- ⚡ Nível: Difícil — exige transformar uma inequação exponencial em uma relação logarítmica e, principalmente, interpretar corretamente o arredondamento do valor de n.
- 🎯 Tema/Habilidade: Resolução de problemas com função logarítmica em contexto financeiro (empréstimos e prestações) — Competência de Área 2 do ENEM (grandezas e suas relações, com uso de logaritmos).
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o menor número inteiro de parcelas (n) que faz a prestação P ficar menor ou igual a R$ 400,00?"
- Palavras-chave decisivas: no máximo R$ 400,00, menor número de parcelas, não comprometem o limite
- Armadilha típica: encontrar o valor decimal de n (que dá algo entre 15 e 16) e arredondar para baixo, escolhendo 15 em vez de 16 — isso inverte o sentido da desigualdade, pois um n menor gera uma prestação maior, não menor.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de montar a inequação P ≤ 400, isolar a variável que está no expoente usando logaritmos com os valores aproximados fornecidos, e arredondar corretamente para o menor inteiro que satisfaz a condição (ou seja, arredondar para cima).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Juros compostos e prestações (Sistema Price): a fórmula dada, P = 5000 × 1,013ⁿ × 0,013 / (1,013ⁿ − 1), é o modelo clássico de amortização: quanto maior o número de parcelas n, menor a prestação P.
- Inequação exponencial: para resolver P ≤ 400, isolamos 1,013ⁿ e chegamos a uma comparação do tipo 1,013ⁿ ≥ k, com a variável no expoente.
- Logaritmo como ferramenta de "descer" o expoente: aplicando log e usando log(aᵇ) = b·log(a), o expoente n vira fator multiplicativo, tornando a inequação linear e solucionável com os valores aproximados fornecidos.
- Propriedade do logaritmo do quociente: log(a/b) = log(a) − log(b), essencial para calcular log(400/335) a partir de log 400 e log 335, sem calculadora.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "dispõe de, no máximo, R$ 400,00 mensais" → define a restrição matemática P ≤ 400, aplicada diretamente na fórmula dada.
- Evidência 2: "utilize 0,005 para log 1,013; 2,602 para log 400; 2,525 para log 335" → sinaliza que a resolução exige logaritmos e que os números 400 e 335 vão aparecer na inequação — pista de que surgirá a razão 400/335.
- Evidência 3: "o menor número de parcelas cujos valores não comprometem o limite" → pede o menor n inteiro que garante P ≤ 400, exigindo arredondar o resultado decimal para cima.
- Síntese: o caminho é substituir P por 400, transformar a fórmula em uma inequação com 1,013ⁿ isolado, aplicar logaritmo com os valores fornecidos (que entregam a razão 400/335) e interpretar corretamente o arredondamento.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Montar a inequação com P ≤ 400
Partindo da fórmula fornecida na figura:
P = (5 000 × 1,013ⁿ × 0,013) / (1,013ⁿ − 1)
Para que a prestação não ultrapasse o limite de R$ 400,00, impomos P ≤ 400. Chamando x = 1,013ⁿ para simplificar a escrita:
(5 000 × 0,013 × x) / (x − 1) ≤ 400
Como 5 000 × 0,013 = 65, a inequação fica:
65x / (x − 1) ≤ 400
Subpasso 4.2 — Isolar 1,013ⁿ e aplicar logaritmo
Multiplicando os dois lados por (x − 1), que é positivo (pois x = 1,013ⁿ > 1 para n ≥ 1):
65x ≤ 400(x − 1)
65x ≤ 400x − 400
400 ≤ 400x − 65x
400 ≤ 335x
x ≥ 400/335
Substituindo x de volta por 1,013ⁿ:
1,013ⁿ ≥ 400/335
Aplicando log em ambos os lados (o log é crescente, então a desigualdade se mantém):
log(1,013ⁿ) ≥ log(400/335)
n · log 1,013 ≥ log 400 − log 335
Usando os valores aproximados dados no enunciado (log 1,013 ≈ 0,005; log 400 ≈ 2,602; log 335 ≈ 2,525):
n · 0,005 ≥ 2,602 − 2,525
n · 0,005 ≥ 0,077
n ≥ 0,077 / 0,005
n ≥ 15,4
Subpasso 4.3 — Verificação e arredondamento correto
O resultado n ≥ 15,4 significa que qualquer número de parcelas menor que 15,4 (por exemplo, n = 15) não satisfaz a condição P ≤ 400 — a prestação ainda ficaria acima do limite. Como n precisa ser um número inteiro de parcelas, o menor valor inteiro que atende n ≥ 15,4 é:
n = 16
Verificação de coerência: quanto maior o número de parcelas, menor a prestação mensal (a dívida é diluída em mais pagamentos). Logo, é esperado que o menor n que "cabe" no orçamento de R$ 400,00 seja um valor relativamente alto — 16 parcelas é consistente com essa lógica e corresponde exatamente à alternativa D.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 12
❌ Incorreta: 12 está bem abaixo de 15,4. Com apenas 12 parcelas, o valor 1,013¹² é pequeno demais, tornando o denominador (1,013ⁿ − 1) pequeno e a prestação P muito acima de R$ 400,00 — não atende ao limite financeiro da pessoa.
B) 14
❌ Incorreta: mesmo com 14 parcelas, ainda estamos abaixo do limiar n ≥ 15,4 encontrado na resolução. A prestação continuaria superior a R$ 400,00, violando a restrição do problema.
C) 15
❌ Incorreta: é a alternativa "armadilha" — resulta de arredondar 15,4 para baixo, um erro conceitual clássico. Como a inequação exige n ≥ 15,4, o valor n = 15 (que é menor que 15,4) não satisfaz a condição P ≤ 400; a prestação com 15 parcelas ainda ultrapassaria o teto de R$ 400,00, ainda que por uma margem pequena.
D) 16
✅ Correta: 16 é o menor número inteiro de parcelas que satisfaz n ≥ 15,4. É o primeiro valor inteiro a partir do qual a prestação mensal fica igual ou inferior a R$ 400,00, respeitando integralmente o limite de orçamento da pessoa.
E) 17
❌ Incorreta: embora 17 também satisfaça a condição P ≤ 400,00 (pois é maior que 15,4), não é o menor valor possível — a questão pede especificamente o menor número de parcelas, e esse é 16, não 17.
🏆 Gabarito: D — o menor número inteiro de parcelas que garante P ≤ 400,00 é 16, obtido ao resolver n ≥ 15,4 e arredondar para cima (nunca para baixo, já que arredondar para baixo violaria a restrição do problema).
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: como a inequação resolvida fornece n ≥ 15,4 e n representa uma quantidade inteira de parcelas, apenas valores inteiros a partir de 16 satisfazem a restrição; entre esses, 16 é o menor, tornando D a única resposta compatível com o enunciado.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra logaritmos como ferramenta para "trazer o expoente para baixo" em contextos de juros compostos, crescimento populacional ou decaimento radioativo, sempre fornecendo valores aproximados de log para dispensar calculadora.
- Generalização: sempre que uma variável estiver no expoente dentro de uma inequação, isole a potência de base fixa em um dos lados, aplique logaritmo (mantendo o sentido, pois log é crescente) e use log(a/b) = log(a) − log(b) e log(aⁿ) = n·log(a) para linearizar a expressão.
- Dica de eliminação rápida: ao obter um resultado decimal para n (aqui, 15,4), pergunte "a grandeza cresce ou decresce com n?". Como a prestação diminui quando n aumenta, o n que resolve "P ≤ 400" exige arredondar para cima — isso elimina de imediato 15 e tudo abaixo, e também qualquer valor maior que o imediatamente superior (17), restando apenas 16.
- Conexões: o mesmo raciocínio aparece em meia-vida radioativa e capitalização composta (Montante = Capital × (1+i)ⁿ), sempre resolvidas isolando a potência e aplicando logaritmo com valores aproximados fornecidos no enunciado.
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