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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 106ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia

Na Idade Média, para elaborar preparados a partir de plantas produtoras de óleos essenciais, as coletas das espécies eram realizadas ao raiar do dia. Naquela época, essa prática era fundamentada misticamente pelo efeito mágico dos raios lunares, que seria anulado pela emissão dos raios solares. Com a evolução da ciência, foi comprovado que a coleta de algumas espécies ao raiar do dia garante a obtenção de material com maiores quantidades de óleos essenciais.

A explicação científica que justifica essa prática se baseia na

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Propriedades físicas da matéria (volatilidade, pressão de vapor e mudança de estado físico)
  • ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um fenômeno cotidiano (variação do rendimento de óleo essencial ao longo do dia) com um conceito físico-químico abstrato, descartando distratores que "soam plausíveis" por citarem luz solar e fotossíntese
  • 🎯 Tema/Habilidade: Propriedades físicas de substâncias orgânicas voláteis; competência de usar conhecimento científico para explicar práticas e fenômenos do cotidiano (eixo Ciências da Natureza — interpretação de processos físico-químicos)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual fenômeno físico-químico explica por que colher plantas ao raiar do dia rende mais óleo essencial?"
  • Palavras-chave decisivas: maiores quantidades de óleos essenciais, raiar do dia, evolução da ciência
  • Armadilha típica: o enunciado menciona "raios solares" duas vezes (na crença mística e na explicação científica esperada), o que induz o candidato a associar a resposta a fotossíntese ou a alguma reação química "ativada pela luz" (alternativas B, D e E). A pista real, porém, não é a luz em si, mas o aumento de temperatura que ela provoca ao longo do dia.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o óleo essencial é uma substância volátil e que o aumento de temperatura — típico das horas após o nascer do sol — acelera sua passagem do estado líquido para o gasoso, fazendo-o escapar dos tecidos vegetais antes da colheita.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Óleos essenciais: misturas de compostos orgânicos voláteis (terpenos, terpenoides e derivados aromáticos) sintetizadas e armazenadas em estruturas secretoras da planta, como tricomas glandulares e bolsas secretoras em folhas e flores.
  • Volatilidade: propriedade física de substâncias com baixo ponto de ebulição e alta pressão de vapor à temperatura ambiente, que as faz passar espontaneamente do estado líquido para o gasoso mesmo sem atingir a fervura.
  • Volatilização (evaporação): mudança de estado líquido → gasoso, sem alteração da composição química da substância, cuja taxa cresce com a temperatura: quanto mais calor, maior a energia cinética das moléculas e maior a fração que escapa para a atmosfera.
  • Ciclo térmico diário: a temperatura ambiente é mínima ao amanhecer e sobe progressivamente com o sol, aquecendo o ar e os tecidos vegetais.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "as coletas das espécies eram realizadas ao raiar do dia" → aponta para o horário de menor temperatura ambiente do ciclo diário, antes do aquecimento provocado pelo sol.
  • Evidência 2: "a coleta de algumas espécies ao raiar do dia garante a obtenção de material com maiores quantidades de óleos essenciais" → confirma que há perda progressiva de óleo ao longo do dia; se a coleta tardia rende menos óleo, algo está fazendo essa substância "desaparecer" do tecido vegetal com o passar das horas quentes.
  • Síntese: a lógica do enunciado é temporal e térmica (manhã fria × tarde quente, com perda crescente de óleo), o que aponta diretamente para um fenômeno físico dependente de temperatura — a volatilização — e não para uma transformação química que dependeria de reações específicas de luz, como fotossíntese, oxidação ou polimerização.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Caracterizar a substância de interesse

Óleos essenciais são compostos orgânicos de massa molecular relativamente baixa (mono e sesquiterpenos, fenilpropanoides etc.), com pontos de ebulição bem inferiores aos de óleos fixos (gordurosos) e, por isso, alta pressão de vapor mesmo à temperatura ambiente. É essa característica que os torna "essenciais" no sentido olfativo: evaporam com facilidade, liberando o aroma da planta.

Subpasso 4.2 — Relacionar a volatilidade com a variação de temperatura ao longo do dia

Ao raiar do dia, a temperatura do ar e da superfície das plantas está em seu ponto mais baixo. À medida que o sol se eleva, a radiação solar aquece progressivamente o ambiente e os tecidos vegetais. Esse aumento de temperatura fornece energia cinética adicional às moléculas do óleo armazenado nas estruturas secretoras superficiais, aumentando a fração capaz de vencer as forças intermoleculares que as mantêm líquidas e escapar para a atmosfera. Quanto mais tarde a colheita, maior o tempo de exposição ao calor e maior a perda de óleo por volatilização antes do processamento.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com as alternativas, apenas a opção A descreve um processo físico de mudança de estado (líquido → gasoso) diretamente dependente da temperatura, coerente com a observação de que colher mais cedo — quando está mais frio — preserva maior quantidade de óleo. As demais descrevem reações químicas (oxidação, polimerização) ou processos biológicos (fotossíntese) incompatíveis com a lógica "mais calor ao longo do dia = menos óleo coletado".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) volatilização das substâncias de interesse.

✅ Correta: é o processo físico responsável pela perda progressiva de óleo essencial à medida que a temperatura sobe ao longo do dia. Como os componentes do óleo são altamente voláteis, o calor acelera sua evaporação a partir das estruturas secretoras da planta; colher ao raiar do dia, quando a temperatura ainda é baixa, minimiza essa perda e maximiza o rendimento.

B) polimerização dos óleos catalisada pela radiação solar.

❌ Incorreta: polimerização é uma reação química em que moléculas menores se unem formando cadeias maiores, alterando a composição da substância — ela não faz o óleo "desaparecer" do tecido, apenas o transformaria em outra substância ainda presente na planta. Isso não explica a redução na quantidade extraível.

C) solubilização das substâncias de interesse pelo orvalho.

❌ Incorreta: óleos essenciais são majoritariamente apolares, pouco solúveis em água; o orvalho (água condensada nas primeiras horas) não teria capacidade significativa de dissolver e "carregar" esses compostos para fora da planta. Além disso, essa hipótese inverteria a lógica do enunciado, já que o orvalho está presente justamente no horário de coleta recomendado.

D) oxidação do óleo pelo oxigênio produzido na fotossíntese.

❌ Incorreta: a oxidação alteraria a estrutura molecular do óleo, formando outros produtos, mas não faria a substância evaporar ou desaparecer fisicamente do tecido. Além disso, a produção fotossintética de O₂ ocorre durante todo o período de luz, não apenas nas primeiras horas, o que não sustenta a distinção temporal do enunciado.

E) liberação das moléculas de óleo durante o processo de fotossíntese.

❌ Incorreta: a fotossíntese converte CO₂ e água em glicose e O₂ usando energia luminosa; ela não produz nem libera óleos essenciais, que são metabólitos secundários sintetizados por vias bioquímicas distintas. Confundir os dois processos não explica por que a coleta tardia reduziria o rendimento de óleo.

🏆 Gabarito: A — a explicação científica correta é a volatilização: como os óleos essenciais são substâncias voláteis, o aumento de temperatura ao longo do dia acelera sua evaporação a partir dos tecidos vegetais, de modo que colher ao raiar do dia, quando a temperatura é mais baixa, preserva a maior quantidade possível de óleo.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa A é a única que descreve um fenômeno físico (mudança de estado líquido → gasoso, dependente de temperatura) plenamente coerente com a observação de que a coleta matinal, mais fria, garante maior quantidade de óleo essencial.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma explorar fenômenos cotidianos — extração de óleos, perfumaria, culinária, conservação de alimentos — para testar conceitos básicos de química, como volatilidade, pressão de vapor e ponto de ebulição, sempre em contraste com explicações populares ou místicas.
  • Generalização: sempre que o enunciado descrever "perda de uma substância com o aumento de temperatura ou com o passar do tempo sob calor", pense primeiro em mudança de estado físico (evaporação/volatilização) antes de cogitar reações químicas mais complexas.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato as alternativas que citam "fotossíntese" (D e E), pois tratam de um processo metabólico que produz glicose e oxigênio, não óleo; em seguida, desconfie de termos que implicam transformação química da substância ("polimerização", "oxidação"), já que eles alterariam o óleo, mas não explicariam seu desaparecimento físico do material coletado.
  • Conexões: o tema se conecta diretamente com a técnica industrial de destilação por arraste de vapor, usada para extrair óleos essenciais, e com os conceitos de pressão de vapor e ponto de ebulição estudados em termoquímica e propriedades coligativas.

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