Mapa de questões · 2º dia
Questão 111 — ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia
Os botos-cinza (Sotalia guianensis), mamíferos da família dos golfinhos, são excelentes indicadores da poluição das áreas em que vivem, pois passam toda a sua vida — cerca de 30 anos — na mesma região. Além disso, a espécie acumula mais contaminantes em seu organismo, como o mercúrio, do que outros animais da sua cadeia alimentar.
MARCOLINO, B. Sentinelas do mar. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br. Acesso em: 1 ago. 2012 (adaptado).
Os botos-cinza acumulam maior concentração dessas substâncias porque
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (cadeias alimentares e magnificação trófica)
- ⚡ Nível: Médio — exige conectar um dado do texto (posição na cadeia alimentar) a um mecanismo ecológico específico, e não apenas interpretar o enunciado de forma literal.
- 🎯 Tema/Habilidade: Bioacumulação e biomagnificação de contaminantes na cadeia trófica (Competência de área 4/5 — compreender interações entre organismos e ambiente).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual característica ecológica explica por que o boto-cinza acumula mais mercúrio do que os outros animais da sua cadeia alimentar?"
- Palavras-chave decisivas: acumula mais contaminantes, do que outros animais da sua cadeia alimentar, cerca de 30 anos na mesma região
- Armadilha típica: confundir "viver muito tempo no mesmo lugar" (que explica a exposição contínua à poluição local) com o motivo do acúmulo relativo maior em comparação aos outros animais — são dois fenômenos distintos e a questão pergunta especificamente sobre o segundo.
- O que a resposta precisa demonstrar: o entendimento de que a concentração de um poluente aumenta a cada elo da cadeia alimentar, de modo que quem está mais acima acumula mais do que quem está abaixo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Cadeia alimentar: sequência de transferência de energia e matéria entre organismos, dos produtores (base) até os consumidores de diferentes níveis (topo).
- Bioacumulação: processo pelo qual um organismo retém, ao longo da vida, substâncias tóxicas (como metais pesados) que não são eliminadas ou metabolizadas na mesma velocidade em que são ingeridas.
- Biomagnificação (magnificação trófica): aumento progressivo da concentração de um contaminante à medida que ele passa de um nível trófico para o seguinte, porque cada predador precisa consumir muitas presas (e o contaminante de cada uma delas) para obter a energia necessária à sua sobrevivência.
- Consumidor de topo: organismo situado no nível trófico mais alto de uma cadeia/teia alimentar, que se alimenta de outros consumidores e, por isso, é o ponto final de concentração dos poluentes que subiram por todos os elos anteriores.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "passam toda a sua vida — cerca de 30 anos — na mesma região" → indica exposição contínua e prolongada à poluição local, o que explica por que são bons indicadores ambientais, mas não explica, sozinho, por que acumulam MAIS que outros animais.
- Evidência 2: "a espécie acumula mais contaminantes em seu organismo, como o mercúrio, do que outros animais da sua cadeia alimentar" → é a chave da questão: compara o boto-cinza com os demais integrantes da MESMA cadeia alimentar, ou seja, pede o motivo pelo qual ele acumula mais do que quem está abaixo dele nessa cadeia.
- Síntese: como o boto-cinza é um predador que se alimenta de peixes (que por sua vez já acumularam mercúrio de presas menores e da água), ele soma em seu organismo todo o mercúrio ingerido ao longo de toda a cadeia. Isso só é possível porque ele ocupa a posição mais alta dela — o fenômeno da biomagnificação.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Entendendo o caminho do mercúrio na cadeia alimentar
O mercúrio despejado na água (por atividades industriais, garimpo, etc.) é absorvido por microrganismos e fitoplâncton (produtores). Pequenos peixes se alimentam desses produtores e retêm o mercúrio presente em milhares de células ingeridas. Peixes maiores comem muitos desses peixes pequenos, somando em seu corpo o mercúrio de cada um deles. O boto-cinza, por sua vez, consome vários peixes por dia, ao longo de ~30 anos de vida.
Subpasso 4.2 — Aplicando o conceito de biomagnificação
Em cada nível trófico, a quantidade de contaminante não diminui — ao contrário, ela se concentra, pois metais pesados como o mercúrio são pouco solúveis em água, se ligam a tecidos gordurosos e não são eliminados com facilidade. Assim, quanto mais alto o organismo está na cadeia alimentar, maior é a soma acumulada de todos os níveis anteriores. O boto-cinza, como predador de topo (não tem predadores naturais relevantes na sua cadeia), é o "destino final" de todo o mercúrio que subiu pelos elos anteriores.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com o texto: a questão afirma que o boto acumula mais mercúrio "do que outros animais da sua cadeia alimentar" — ou seja, mais do que os peixes que ele consome. Isso só se explica biologicamente pelo fato de ele estar no topo dessa cadeia, recebendo e somando o mercúrio de todos os elos abaixo dele. Esse raciocínio aponta diretamente para a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) são animais herbívoros.
❌ Incorreta: o boto-cinza é um mamífero carnívoro, que se alimenta de peixes e outros animais aquáticos, não de vegetais. Além disso, se fosse herbívoro (base da cadeia), ele acumularia menos mercúrio, e não mais — o erro conceitual inverte a lógica da biomagnificação.
B) são animais detritívoros.
❌ Incorreta: detritívoros se alimentam de matéria orgânica morta e detritos, geralmente ocupando papel de decompositores/recicladores de nutrientes, não de predadores de topo. O boto-cinza caça presas vivas (peixes e crustáceos), portanto não se enquadra nesse grupo, e a característica de detritivoria não está associada a maior acúmulo relativo de contaminantes na cadeia.
C) são animais de grande porte.
❌ Incorreta: o tamanho do corpo, isoladamente, não é o fator determinante da bioacumulação de mercúrio. O que importa é a posição trófica: um animal grande, mas herbívoro ou de nível trófico baixo, acumularia menos contaminante do que um animal pequeno situado no topo de uma cadeia curta. Porte físico é uma característica morfológica, não ecológica-trófica.
D) digerem o alimento lentamente.
❌ Incorreta: a velocidade de digestão está relacionada à fisiologia digestiva do animal, não ao mecanismo de concentração progressiva de poluentes ao longo da cadeia alimentar. Mesmo com digestão rápida, um predador de topo continuaria acumulando mais mercúrio simplesmente por comer muitas presas já contaminadas.
E) estão no topo da cadeia alimentar.
✅ Correta: por ocupar o nível trófico mais alto, o boto-cinza consome diversos peixes que já haviam acumulado mercúrio de seus próprios alimentos. Esse é exatamente o fenômeno da biomagnificação: a concentração do contaminante aumenta a cada nível trófico, tornando os predadores de topo os organismos com as maiores cargas de poluentes no corpo.
🏆 Gabarito: E — o boto-cinza acumula mais mercúrio do que os demais animais da sua cadeia alimentar porque ocupa a posição de topo dessa cadeia, somando em seu organismo, ao longo da vida, o contaminante que se concentrou progressivamente em cada elo trófico anterior (biomagnificação).
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: nenhuma outra alternativa liga corretamente "acumular mais contaminante do que os outros animais da cadeia" a um mecanismo ecológico válido — apenas a posição no topo da cadeia trófica explica a soma progressiva de mercúrio via biomagnificação.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz casos reais de bioacumulação (peixes predadores, aves de rapina, mamíferos marinhos, seres humanos no topo da cadeia) para cobrar o conceito de biomagnificação, muitas vezes citando metais pesados (mercúrio, chumbo, cádmio) ou agrotóxicos (como o DDT).
- Generalização: sempre que o enunciado disser que um organismo "acumula mais" um poluente do que os outros da sua cadeia, a resposta quase sempre remete à posição trófica elevada (predador de topo) e ao fenômeno da biomagnificação — não a características morfológicas ou fisiológicas isoladas (tamanho, digestão, tipo de alimentação vegetal/detrito).
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem dieta vegetal ou de detritos (A e B), pois contrariam a informação de que o animal é um predador em cadeia alimentar com "outros animais"; em seguida, descarte características puramente morfológicas/fisiológicas sem relação direta com nível trófico (C e D), restando apenas a opção que trata da posição na cadeia (E).
- Conexões: o mesmo raciocínio aparece em questões sobre DDT em aves de rapina, mercúrio em peixes predadores (como o atum) e riscos à saúde humana pelo consumo de pescado contaminado — todos exemplos clássicos de biomagnificação em provas de Biologia.
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