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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 123ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia

A Mata Atlântica caracteriza-se por uma grande diversidade de epífitas, como as bromélias. Essas plantas estão adaptadas a esse ecossistema e conseguem captar luz, água e nutrientes mesmo vivendo sobre as árvores.

Disponível em: www.ib.usp.br. Acesso em: 23 fev. 2013 (adaptado).

Essas espécies captam água do(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (relações ecológicas e adaptações vegetais)
  • ⚡ Nível: Fácil — exige apenas conhecimento consolidado sobre a morfologia e a estratégia adaptativa das bromélias, sem cálculos ou raciocínios encadeados complexos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Adaptações morfofisiológicas de epífitas na Mata Atlântica; competência de interpretar processos biológicos a partir de um contexto ecológico descrito no texto.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "De onde vem a água que as bromélias, vivendo sobre outras árvores, conseguem captar?"
  • Palavras-chave decisivas: epífitas, captam água, vivendo sobre as árvores
  • Armadilha típica: confundir a relação de epifitismo com parasitismo, imaginando que a bromélia "rouba" seiva ou água diretamente da árvore hospedeira (armadilha das alternativas D e A).
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a epífita é autossuficiente hidricamente porque desenvolveu uma estrutura própria — o "tanque" foliar — capaz de reter água da chuva, sem depender de raízes no solo nem de qualquer relação de dependência nutricional com a planta que a sustenta.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Epifitismo: relação ecológica em que a epífita cresce sobre outra planta (forófito) apenas como suporte físico, sem retirar dela nutrientes ou água — diferente do parasitismo, que extrai recursos do hospedeiro.
  • Morfologia das bromélias (fitotelmata): as folhas se dispõem em roseta, sobrepostas na base, formando um reservatório natural ("tanque" ou fitotelmo) que acumula água da chuva e detritos orgânicos.
  • Absorção foliar (tricomas): ao contrário da maioria das plantas, as bromélias absorvem água e nutrientes diretamente pelas folhas, por meio de tricomas foliares especializados, dispensando as raízes nessa função.
  • Raízes de fixação: nas bromélias epífitas, as raízes servem quase só para fixação mecânica ao forófito, sem papel absortivo relevante — por isso qualquer alternativa que aposte em captação via raízes está descartada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "grande diversidade de epífitas, como as bromélias" → situa a bromélia como planta que vive sobre outras plantas, sem ser parasita; é o pano de fundo ecológico da Mata Atlântica.
  • Evidência 2: "conseguem captar luz, água e nutrientes mesmo vivendo sobre as árvores" → reforça que, apesar de não tocarem o solo, essas plantas resolveram de forma independente o problema de obter água — a chave está em entender COMO isso é fisicamente possível estando no alto do dossel.
  • Síntese: o enunciado aponta para uma adaptação estrutural própria da bromélia que substitui a função das raízes; a única fonte de água disponível no alto de uma árvore, sem contato com o solo, é a água da chuva, e a bromélia evoluiu uma "arquitetura" foliar (roseta em forma de tanque) especializada em captá-la e retê-la.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o problema ecológico enfrentado pela bromélia

Uma planta epífita vive presa ao tronco ou aos galhos de uma árvore, muitas vezes a dezenas de metros de altura, sem qualquer contato de suas raízes com o solo. Ela não pode usar a estratégia tradicional das plantas terrestres (raízes profundas absorvendo água do solo). A pergunta central é: qual é a única fonte de água acessível para uma planta que vive "no ar", sobre outra árvore?

Subpasso 4.2 — Relacionar a morfologia da bromélia à solução desse problema

As bromélias resolveram esse desafio desenvolvendo folhas em roseta, encaixadas e sobrepostas na base, que formam um reservatório em forma de funil — o fitotelmo ("tanque"). A cada chuva, a água escorre pelas folhas e se acumula nesse tanque central, junto com detritos que fornecem nutrientes. A planta absorve essa água pelas paredes internas das folhas, via tricomas foliares, sem depender das raízes para essa função.

Subpasso 4.3 — Verificação

A única opção compatível com "planta presa a um tronco, sem contato com o solo, que desenvolveu um reservatório foliar" é a que menciona a água da chuva acumulada entre as folhas — a alternativa C. As demais exigiriam contato com o solo (raízes) ou uma relação de parasitismo com a árvore, o que contraria a definição de epifitismo do texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) organismo das plantas vizinhas.

❌ Incorreta: não existe mecanismo pelo qual a bromélia extraia água do "organismo" de plantas próximas; essa ideia sugere parasitismo, o que não ocorre no epifitismo — a bromélia não possui haustórios nem estruturas de penetração em tecidos de outras plantas.

B) solo através de suas longas raízes.

❌ Incorreta: contraria o enunciado, que afirma que a planta vive "sobre as árvores"; as raízes das bromélias epífitas são curtas e servem apenas para fixação mecânica ao forófito, sem contato com o solo.

C) chuva acumulada entre suas folhas.

✅ Correta: as folhas da bromélia se organizam em roseta, formando um tanque (fitotelmo) que retém a água da chuva; essa água é absorvida por tricomas foliares especializados, tornando a planta hidricamente independente do solo — a adaptação que permite sua sobrevivência como epífita no dossel da Mata Atlântica.

D) seiva bruta das plantas hospedeiras.

❌ Incorreta: descreve uma relação de parasitismo (como plantas parasitas verdadeiras, com haustórios conectados ao xilema do hospedeiro); a bromélia, sendo epífita, usa a árvore apenas como suporte, sem desviar sua seiva.

E) comunidade que vive em seu interior.

❌ Incorreta: o tanque das bromélias realmente abriga pequenos organismos (insetos, larvas, até anfíbios), mas esses seres não são a fonte da água — é a água acumulada da chuva que cria o microhabitat propício a essa comunidade, e não o inverso.

🏆 Gabarito: C — a bromélia capta a água que se acumula entre suas folhas dispostas em roseta após a chuva, adaptação que a torna independente do solo e viável como epífita no alto das árvores da Mata Atlântica.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C descreve uma fonte de água fisicamente acessível a uma planta que vive presa a um tronco, sem contato com o solo e sem parasitar a árvore hospedeira — a água da chuva retida no tanque foliar.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora adaptações de plantas a ambientes ou nichos incomuns (epífitas, plantas de restinga, cactáceas, plantas carnívoras), sempre associando a estrutura morfológica à função ecológica que ela cumpre.
  • Generalização: sempre que uma questão descrever uma planta "fora do padrão" (sem contato com o solo, em ambiente seco, ou em solo pobre em nutrientes), busque a adaptação estrutural específica que substitui a função das raízes ou das folhas convencionais.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que mencione dependência de outro organismo vivo (plantas vizinhas, seiva do hospedeiro, comunidade interna) — epifitismo, por definição, não é parasitismo; sobra a opção ligada a um recurso abiótico (a chuva).
  • Conexões: relações ecológicas (parasitismo × epifitismo × mutualismo) e adaptações de plantas a ambientes com escassez hídrica (xerófitas, como cactáceas, que também aparecem com frequência no ENEM).

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