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Mapa de questões · 2º dia
MatemáticaMatemáticaDifícil

Questão 153ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia

A manchete demonstra que o transporte de grandes cargas representa cada vez mais preocupação quando feito em vias urbanas.

Caminhão entala em viaduto no Centro

Um caminhão de grande porte entalou embaixo do viaduto no cruzamento das avenidas Borges de Medeiros e Loureiro da Silva no sentido Centro-Bairro, próximo à Ponte de Pedra, na capital. Esse veículo vinha de São Paulo para Porto Alegre e transportava três grandes tubos, conforme ilustrado na foto.

Questão 153 - ENEM 2017 - Questão 153,Geometria Plana

Considere que o raio externo de cada cano da imagem seja 0,60 m e que eles estejam em cima de uma carroceria cuja parte superior está a 1,30 m do solo. O desenho representa a vista traseira do empilhamento dos canos.

Questão 153 - ENEM 2017 - Questão 153,Geometria Plana

A margem de segurança recomendada para que um veículo passe sob um viaduto é que a altura total do veículo com a carga seja, no mínimo, 0,50 m menor do que a altura do vão do viaduto.

Considere 1,7 como aproximação para √3.

Qual deveria ser a altura mínima do viaduto, em metro, para que esse caminhão pudesse passar com segurança sob seu vão?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Geometria Plana (tangência de circunferências e triângulo equilátero)
  • ⚡ Nível: Médio-Difícil — exige "enxergar" que o empilhamento de três tubos forma um triângulo equilátero escondido dentro de um enunciado longo e contextualizado
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relações métricas entre circunferências tangentes; resolver situação-problema real usando geometria e composição de alturas
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Some a altura da carroceria, a altura do empilhamento triangular dos três tubos e a margem de segurança de 0,50 m para achar a altura mínima do vão do viaduto."
  • Palavras-chave decisivas: raio externo 0,60 m, 1,30 m do solo, 0,50 m menor
  • Armadilha típica: tratar a "altura do vão do viaduto" como se fosse igual à altura do caminhão carregado (esquecendo de somar a margem de 0,50 m), ou calcular a altura da pilha de tubos como se fossem dois diâmetros empilhados verticalmente, ignorando que a disposição é triangular (2 embaixo, 1 em cima, encaixado no "vale" entre os dois primeiros).
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de decompor a altura total em três parcelas — carroceria, empilhamento geométrico dos tubos e margem de segurança — aplicando corretamente a geometria de circunferências tangentes para a parcela do meio.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Circunferências tangentes externamente: quando duas circunferências de mesmo raio r são tangentes uma à outra (encostam sem se cruzar), a distância entre seus centros é exatamente 2r.
  • Triângulo equilátero formado por três centros: ao apoiar um terceiro círculo igual sobre dois círculos já tangentes entre si, os três centros formam um triângulo equilátero de lado 2r, pois o novo círculo é tangente a cada um dos outros dois.
  • Altura de um triângulo equilátero: para um triângulo equilátero de lado l, a altura vale h = (l√3)/2. Aplicado ao lado 2r, essa altura vale exatamente r√3.
  • Composição de alturas colineares: quando objetos estão empilhados verticalmente (carroceria → tubos → margem de ar), a altura total do conjunto é a soma simples das alturas parciais, desde que estejam alinhados na mesma vertical.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o raio externo de cada cano ... seja 0,60 m" → define r = 0,60 m para os três tubos (todos do mesmo tamanho), valor que será usado tanto para a espessura de cada tubo quanto para o cálculo geométrico do encaixe entre eles.
  • Evidência 2: "estejam em cima de uma carroceria cuja parte superior está a 1,30 m do solo" → fixa o "piso" de onde os tubos partem: 1,30 m já é altura garantida, à qual deve-se somar a altura ocupada pelos tubos.
  • Evidência 3 (figura dos círculos): a segunda imagem mostra dois círculos apoiados lado a lado sobre uma linha horizontal (a carroceria) e um terceiro círculo encaixado exatamente na reentrância entre eles, tangenciando os dois — confirmando o modelo do triângulo equilátero de centros.
  • Evidência 4: "a altura total do veículo com a carga seja, no mínimo, 0,50 m menor do que a altura do vão do viaduto" → isso significa que o viaduto precisa ser 0,50 m maior que o caminhão carregado, ou seja, viaduto = altura do caminhão + 0,50 m (a margem se soma, não se subtrai).
  • Síntese: o problema pede uma soma de três parcelas verticais — 1,30 m (carroceria) + altura do empilhamento triangular dos tubos + 0,50 m (margem) — sendo a parcela do meio a única que exige geometria não trivial.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Modelando o empilhamento dos tubos como triângulo equilátero

Como os três tubos têm o mesmo raio r = 0,60 m e são mutuamente tangentes (os dois de baixo tangenciam-se entre si e cada um tangencia o de cima), os centros das três circunferências formam um triângulo equilátero cujo lado é a distância entre dois centros de círculos tangentes de mesmo raio:

lado = 2r = 2 × 0,60 = 1,20 m

A altura desse triângulo equilátero (distância vertical entre o segmento que une os dois centros de baixo e o centro de cima) é:

h = (lado × √3)/2 = (1,20 × 1,7)/2 = 2,04/2 = 1,02 m

Repare que isso equivale exatamente a r√3 = 0,60 × 1,7 = 1,02 m.

Subpasso 4.2 — Altura total do empilhamento e do caminhão carregado

A altura total ocupada pelos tubos (do ponto onde tocam a carroceria até o topo do tubo superior) tem três trechos verticais:

  • do piso da carroceria até o centro dos círculos de baixo: r = 0,60 m (um raio, pois o centro fica a uma distância r acima da superfície de apoio);
  • do centro dos círculos de baixo até o centro do círculo de cima: r√3 = 1,02 m (a altura do triângulo equilátero calculada acima);
  • do centro do círculo de cima até o topo desse tubo: r = 0,60 m (mais um raio).

Altura do empilhamento = r + r√3 + r = 2r + r√3 = r(2 + √3) = 0,60 × (2 + 1,7) = 0,60 × 3,7 = 2,22 m

Somando a altura da carroceria:

Altura do caminhão carregado = 1,30 + 2,22 = 3,52 m

Agora aplica-se a margem de segurança de 0,50 m exigida pelo enunciado:

Altura mínima do viaduto = 3,52 + 0,50 = 4,02 m

Subpasso 4.3 — Verificação

Conferindo a ordem de grandeza: um caminhão com carga de tubos de 1,20 m de diâmetro cada, empilhados em formação triangular sobre uma carroceria de 1,30 m, resultando em quase 3,5 m de altura total, é plausível para um veículo de grande porte — e bate exatamente com a manchete da notícia, que descreve um caminhão que "entalou" sob um viaduto. O valor 4,02 m aparece de forma exata entre as alternativas, confirmando o cálculo.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) 2,82.

❌ Incorreta: essa é a "pegadinha" de quem calcula certo a distância entre os centros das circunferências (r√3 = 1,02 m), mas esquece de somar os dois raios que completam a extensão física real do empilhamento (um raio embaixo, para ir do piso até o centro dos círculos inferiores, e um raio em cima, para ir do centro do círculo superior até o topo do tubo). O cálculo fica 1,30 + 1,02 + 0,50 = 2,82, subestimando a altura real da carga porque mede "de centro a centro" e não "de ponta a ponta".

B) 3,52.

❌ Incorreta: é exatamente a altura real do caminhão carregado (carroceria + tubos = 1,30 + 2,22 = 3,52 m), mas sem somar a margem de segurança de 0,50 m exigida pelo enunciado. Quem marca essa alternativa fez toda a geometria corretamente, porém confundiu "altura do caminhão" com "altura mínima do viaduto" — são grandezas diferentes por definição do próprio problema.

C) 3,70.

❌ Incorreta: resulta de um erro de modelagem geométrica — em vez de reconhecer o triângulo equilátero formado pelos três tubos tangentes, o candidato imagina os tubos empilhados em "duas camadas retas", somando dois diâmetros inteiros (2 × 1,20 = 2,40 m) à carroceria: 1,30 + 2,40 = 3,70, sem sequer aplicar a margem. Esse erro ignora que o tubo de cima está encaixado na reentrância entre os dois de baixo, e não apoiado diretamente sobre eles.

D) 4,02.

✅ Correta: é o resultado da soma completa e correta: altura da carroceria (1,30 m) + altura do empilhamento triangular dos tubos, calculada via triângulo equilátero de centros (2,22 m) + margem de segurança (0,50 m) = 4,02 m. Todas as três parcelas do problema foram contempladas com a geometria adequada.

E) 4,20.

❌ Incorreta: repete o mesmo erro de modelagem geométrica da alternativa C (somar dois diâmetros cheios em vez de aplicar o triângulo equilátero), mas dessa vez somando também a margem de segurança: 1,30 + 2,40 + 0,50 = 4,20. É a versão "com margem" do erro de empilhamento incorreto — mostra que aplicar corretamente um passo do problema (a margem) não compensa um erro conceitual em outro (a geometria da pilha).

🏆 Gabarito: D — a altura mínima do viaduto é 4,02 m, obtida somando a altura da carroceria (1,30 m), a altura do empilhamento triangular dos tubos calculada via triângulo equilátero (2,22 m) e a margem de segurança (0,50 m).

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D combina a modelagem geométrica correta (triângulo equilátero de lado 2r para o empilhamento dos três tubos tangentes) com a leitura correta do enunciado (a margem de 0,50 m se soma à altura do caminhão, não se subtrai).
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de embutir geometria plana clássica (círculos tangentes, triângulos equiláteros, teorema de Pitágoras) dentro de situações do cotidiano — aqui, uma notícia de jornal sobre um caminhão preso num viaduto. A dificuldade real não está na conta, e sim em identificar qual figura geométrica está "escondida" na situação.
  • Generalização: sempre que três circunferências de mesmo raio estiverem mutuamente tangentes (duas embaixo e uma encaixada em cima), os centros formam um triângulo equilátero de lado 2r, e a altura total do empilhamento é 2r + r√3 = r(2+√3). Memorizar essa fórmula pronta economiza tempo em provas.
  • Dica de eliminação rápida: identifique primeiro se a alternativa usa o valor "limpo" da soma de dois diâmetros (2,40 m) — isso denuncia quem ignorou a geometria triangular (são as alternativas C e E). Em seguida, verifique se a margem de 0,50 m foi somada ao resultado geometricamente correto: se não foi, é a alternativa B; se foi, é a D.
  • Conexões: esse mesmo raciocínio de "triângulo equilátero entre centros de círculos tangentes" aparece em problemas de empacotamento de esferas/latas cilíndricas e em questões de engrenagens ou polias tangentes, temas recorrentes em geometria aplicada do ENEM.

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