Mapa de questões · 2º dia
Questão 100 — ENEM 2017Caderno azul · 2º Dia
Pesquisadores criaram um tipo de plaqueta artificial, feita com um polímero gelatinoso coberto de anticorpos, que promete agilizar o processo de coagulação quando injetada no corpo. Se houver sangramento, esses anticorpos fazem com que a plaqueta mude sua forma e se transforme em uma espécie de rede que gruda nas lesões dos vasos sanguíneos e da pele.
MOUTINHO, S. Coagulação acelerada. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br. Acesso em: 19 fev. 2013 (adaptado).
Qual a doença cujos pacientes teriam melhora de seu estado de saúde com o uso desse material?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia humana (hemostasia e coagulação sanguínea)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar a função da plaqueta artificial (acelerar coagulação) com uma doença ligada à deficiência de coagulação
- 🎯 Tema/Habilidade: Coagulação sanguínea e doenças hemorrágicas; competência de interpretar um avanço biotecnológico e aplicá-lo a um contexto de saúde (H9/H10 da matriz de Ciências da Natureza)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Dado um material que acelera a coagulação do sangue, identifique qual doença, entre as listadas, é causada por uma falha nesse mesmo processo."
- Palavras-chave decisivas: agilizar a coagulação, rede que gruda nas lesões dos vasos, melhora de seu estado de saúde
- Armadilha típica: confundir doenças que envolvem o sangue ou vasos sanguíneos (aterosclerose, Chagas) com doenças que envolvem especificamente o mecanismo de coagulação; o candidato apressado marca qualquer alternativa "relacionada ao sangue" sem checar se o problema é a coagulação em si.
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que o benefício terapêutico da plaqueta artificial só faz sentido em uma condição na qual o corpo tem dificuldade de formar coágulos — ou seja, uma doença hemorrágica por deficiência de fatores de coagulação.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Hemostasia: conjunto de mecanismos que o organismo usa para estancar sangramentos, envolvendo vasoconstrição, agregação plaquetária e a cascata de coagulação (proteínas plasmáticas chamadas fatores de coagulação, que culminam na formação da rede de fibrina).
- Plaquetas (trombócitos): fragmentos celulares que, ao entrar em contato com uma lesão no vaso, se ativam, mudam de forma e se agregam, iniciando o "tampão plaquetário" — é exatamente esse comportamento que o material artificial do enunciado imita.
- Hemofilia: doença genética hereditária, ligada ao cromossomo X, causada pela deficiência ou ausência de um fator de coagulação (fator VIII na hemofilia A, fator IX na hemofilia B). Sem esse fator, a cascata de coagulação não se completa e o paciente sangra excessivamente após pequenos cortes ou até espontaneamente.
- Aterosclerose: doença em que placas de gordura (ateromas) se acumulam na parede das artérias, estreitando-as e favorecendo a formação de trombos indesejados — aqui o problema é excesso/desregulação da coagulação em local errado, não falta dela.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "promete agilizar o processo de coagulação quando injetada no corpo" → o material tem função de acelerar um processo que, no paciente-alvo, está lento ou deficiente.
- Evidência 2: "os anticorpos fazem com que a plaqueta mude sua forma e se transforme em uma espécie de rede que gruda nas lesões dos vasos sanguíneos" → o mecanismo imita exatamente o comportamento fisiológico normal das plaquetas, suprindo artificialmente essa função quando ela falha no organismo.
- Síntese: a pergunta pede a doença cujo problema central é justamente a falta de coagulação eficiente. Isso aponta diretamente para doenças hemorrágicas — e, entre as opções, a única com esse perfil é uma coagulopatia hereditária.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a função terapêutica do material
O texto descreve uma "plaqueta artificial" que, na presença de sangramento, se transforma em uma rede adesiva que veda lesões nos vasos. Essa é a mesma função das plaquetas naturais na hemostasia primária. Logo, o material é útil em qualquer situação clínica na qual o corpo não consiga coagular o sangue de forma eficiente por conta própria.
Subpasso 4.2 — Buscar, entre as alternativas, a doença que se define por falha na coagulação
Percorrendo as cinco opções: filariose (parasitose do sistema linfático), aterosclerose (obstrução arterial por placas), doença de Chagas (protozoose que ataca coração e sistema digestivo) e AIDS (imunodeficiência viral) não têm como característica central um distúrbio de coagulação — pelo contrário, aterosclerose está associada a coágulos em excesso. A hemofilia, por sua vez, é definida geneticamente pela ausência de um fator de coagulação, tornando o paciente incapaz de formar coágulos estáveis mesmo após lesões pequenas.
Subpasso 4.3 — Verificação
Um hemofílico injetado com a plaqueta artificial teria, mesmo sem produzir o fator de coagulação ausente, uma "rede" externa cobrindo a lesão do vaso e estancando o sangramento — exatamente o benefício que falta nesse paciente. Esse raciocínio bate com a alternativa B e é incompatível com todas as demais, confirmando a resposta.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Filariose.
❌ Incorreta: é uma doença parasitária causada pelo nematódeo Wuchereria bancrofti, transmitido por mosquitos, que obstrui vasos linfáticos e pode causar elefantíase. O problema está no sistema linfático, não na coagulação sanguínea — a plaqueta artificial não atua nesse mecanismo.
B) Hemofilia.
✅ Correta: é um distúrbio genético em que falta um fator de coagulação (VIII ou IX), impedindo a formação normal do coágulo. A plaqueta artificial, ao criar mecanicamente uma rede que veda a lesão, supre essa deficiência e reduz o risco de hemorragias — beneficiando diretamente esse paciente.
C) Aterosclerose.
❌ Incorreta: consiste no acúmulo de placas de gordura nas paredes arteriais, que já aumenta o risco de formação de trombos e obstruções. Acelerar ainda mais a coagulação seria prejudicial, podendo provocar infartos ou AVCs — o oposto de uma melhora.
D) Doença de Chagas.
❌ Incorreta: causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, afeta principalmente o coração (cardiomiopatia chagásica) e o tubo digestivo (megacólon, megaesôfago). Não há relação direta entre esse quadro e a capacidade de coagulação do sangue.
E) Síndrome da imunodeficiência adquirida.
❌ Incorreta: a AIDS é causada pelo HIV, que ataca linfócitos T-CD4 e compromete o sistema imunológico, deixando o paciente vulnerável a infecções oportunistas. O problema é imunológico, não hemostático, então o material descrito não interfere no curso dessa doença.
🏆 Gabarito: B — a hemofilia é a única doença listada cujo quadro clínico decorre diretamente da falha no processo de coagulação; a plaqueta artificial, ao imitar e substituir a função das plaquetas naturais, compensa exatamente essa deficiência.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre filariose, hemofilia, aterosclerose, doença de Chagas e AIDS, apenas a hemofilia tem como causa primária um defeito no mecanismo de coagulação — a mesma função que a plaqueta artificial vem substituir.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer avanços biotecnológicos ou científicos reais (retirados de reportagens de divulgação científica) e pede que o candidato relacione a função do dispositivo/material a uma condição de saúde compatível, testando leitura interpretativa aliada a conhecimento biológico básico.
- Generalização: sempre que uma questão descrever um mecanismo terapêutico, identifique primeiro qual processo fisiológico ele imita ou substitui e depois procure, entre as alternativas, a doença definida pela falha desse mesmo processo — as demais, mesmo "parecendo" ligadas ao tema, tratam de sistemas diferentes.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara doenças infecciosas/parasitárias sem relação com coagulação (filariose, Chagas, AIDS) — elas atacam sistema linfático, cardíaco/digestivo e imunológico, respectivamente. Depois, desconfie de doenças em que o corpo já coagula demais (aterosclerose): o material do enunciado só ajuda quem coagula de menos.
- Conexões: este tema se conecta a genética (herança ligada ao X, como na hemofilia) e a imunologia (mecanismo de anticorpos), reforçando a importância de dominar hemostasia, herança genética e sistema imune como blocos integrados na prova de Ciências da Natureza.
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