Mapa de questões · 2º dia
Questão 95 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia
Em uma palestra, o apresentador falou sobre uma importante doença negligenciada no Brasil, citando algumas medidas ou ações que podem ser adotadas para o seu controle, tais como: a eutanásia de cães soropositivos, a borrifação com inseticida, a remoção de matéria orgânica e a poda de árvores no quintal das residências.
No texto, a qual doença o apresentador se referia?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Saúde pública, epidemiologia e doenças negligenciadas
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer um conjunto específico de medidas profiláticas e associá-las à doença correta, sem que o nome da doença apareça no texto
- 🎯 Tema/Habilidade: Vigilância epidemiológica e controle de zoonoses (competência de compreender a relação entre agentes biológicos, vetores, reservatórios e saúde coletiva)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Identifique, a partir de um conjunto de medidas de controle, qual doença negligenciada estava sendo descrita pelo palestrante."
- Palavras-chave decisivas: eutanásia de cães soropositivos, borrifação com inseticida, remoção de matéria orgânica e poda de árvores
- Armadilha típica: confundir com raiva (que também envolve cães) ou com dengue/malária (que também envolvem inseticida), ignorando que a questão exige a combinação exata das quatro medidas, não apenas uma delas isoladamente
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de reconhecer que cada doença tem um "pacote" próprio de medidas profiláticas, definido pelo seu agente etiológico, vetor e reservatório específicos — e que só uma doença reúne simultaneamente reservatório canino, vetor flebotomíneo e ambiente com matéria orgânica/vegetação
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Doenças negligenciadas: grupo de enfermidades infecciosas e parasitárias associadas à pobreza, ao saneamento precário e à baixa prioridade em políticas públicas globais, incluindo leishmanioses, doença de Chagas, esquistossomose e hanseníase — tema recorrente no ENEM por sua relevância social.
- Leishmaniose visceral (calazar): zoonose causada pelo protozoário Leishmania infantum (também referida como L. chagasi na literatura brasileira), que parasita células do sistema fagocitário mononuclear (fígado, baço, medula óssea) e pode ser letal se não tratada.
- Vetor — flebotomíneo: o mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis), pequeno inseto hematófago que se reproduz preferencialmente em ambientes ricos em matéria orgânica em decomposição (fezes, folhas caídas, restos vegetais) e encontra abrigo na vegetação e em galhos próximos às residências — daí a recomendação de poda de árvores e limpeza de quintais.
- Reservatório urbano — cão doméstico: o cão é o principal amplificador da transmissão em áreas urbanas; animais soropositivos (com anticorpos detectados no sangue) mantêm o protozoário circulante e alimentam novos flebotomíneos, perpetuando o ciclo de transmissão para humanos.
- Tríade de controle da leishmaniose visceral: (1) controle do reservatório canino — incluindo, historicamente, a eutanásia de cães soropositivos preconizada pelo Ministério da Saúde; (2) controle do vetor — borrifação de inseticida residual em paredes e abrigos de animais; (3) manejo ambiental — remoção de matéria orgânica e poda de vegetação para reduzir criadouros e abrigos do flebotomíneo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "eutanásia de cães soropositivos" → aponta diretamente para uma doença cujo reservatório é o cão doméstico e cujo diagnóstico é feito por sorologia — característica central do controle da leishmaniose visceral no Brasil.
- Evidência 2: "borrifação com inseticida" → indica controle de um inseto vetor; por si só é inespecífica (vale também para dengue, malária, doença de Chagas), mas combinada à evidência do cão, restringe fortemente as possibilidades.
- Evidência 3: "remoção de matéria orgânica e a poda de árvores no quintal das residências" → revela o hábito reprodutivo do vetor: o flebotomíneo prolifera em solo com matéria orgânica em decomposição e se abriga em vegetação densa, ao contrário do Aedes aegypti (água parada limpa) ou do Anopheles (água parada de coleções naturais).
- Síntese: apenas a leishmaniose visceral reúne, ao mesmo tempo, reservatório canino confirmado por sorologia, vetor artrópode combatido por inseticida e manejo ambiental voltado à matéria orgânica e à vegetação do peridomicílio — as quatro medidas juntas formam uma "impressão digital" inconfundível dessa doença.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar cada medida citada e seu significado biológico
O enunciado apresenta quatro ações: (1) eutanásia de cães soropositivos; (2) borrifação com inseticida; (3) remoção de matéria orgânica; (4) poda de árvores. Cada uma delas ataca um elo diferente da cadeia de transmissão de uma doença: a primeira elimina o reservatório vertebrado; a segunda elimina o vetor adulto; a terceira e a quarta eliminam os criadouros/abrigos do vetor imaturo e adulto.
Subpasso 4.2 — Testar a compatibilidade de cada doença com o conjunto completo de medidas
Uma doença só é candidata se explicar simultaneamente as quatro ações. A raiva envolve cães, mas seu controle se baseia em vacinação e observação de animais agressores, não em borrifação de inseticida nem em manejo de matéria orgânica (não há vetor artrópode). A malária e a dengue envolvem inseticida, mas seus vetores (Anopheles e Aedes) se reproduzem em água parada, não em matéria orgânica de quintal, e nenhuma delas tem o cão como reservatório. A toxoplasmose tem reservatório felino (não canino) e não possui vetor artrópode combatido por borrifação. Apenas a leishmaniose visceral satisfaz as quatro condições ao mesmo tempo: reservatório canino (eutanásia de soropositivos), vetor flebotomíneo (inseticida) e hábitat do vetor ligado à matéria orgânica e à vegetação (remoção de matéria orgânica e poda de árvores).
Subpasso 4.3 — Verificação
Confirmando contra o conhecimento de vigilância epidemiológica: o protocolo brasileiro de controle da leishmaniose visceral, historicamente adotado pelo Ministério da Saúde, baseia-se exatamente nesse tripé — vigilância sorológica canina com eutanásia dos animais positivos, borrifação residual de inseticida nos domicílios e manejo ambiental do peridomicílio. Isso confirma, sem ambiguidade, que a doença descrita é a leishmaniose visceral, validando a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Raiva.
❌ Incorreta: o controle da raiva é feito por vacinação de cães e gatos, observação de animais suspeitos e vacinação humana pós-exposição. Não existe vetor artrópode nessa doença (a transmissão ocorre por mordedura/saliva de mamíferos infectados), logo borrifação de inseticida, remoção de matéria orgânica e poda de árvores não fazem parte do seu protocolo de controle.
B) Malária.
❌ Incorreta: causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida pelo mosquito Anopheles, que se reproduz em coleções de água limpa e parada, típicas de áreas de mata e rios da região amazônica. Não há relação alguma com cães como reservatório, o que descarta a medida de eutanásia canina citada no texto.
C) Dengue.
❌ Incorreta: transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, cujos criadouros são recipientes com água parada limpa (pneus, vasos, caixas d'água), e não matéria orgânica em decomposição no solo. Também não envolve cães como reservatório, tornando a alternativa incompatível com a primeira medida descrita.
D) Toxoplasmose.
❌ Incorreta: causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, cujo hospedeiro definitivo é o gato (não o cão), e a transmissão ocorre por ingestão de oocistos presentes em fezes de felinos ou carne malcozida — não existe vetor artrópode combatido por inseticida nesse ciclo.
E) Leishmaniose visceral.
✅ Correta: é a única doença cujo conjunto de medidas de controle corresponde exatamente ao descrito — eutanásia de cães soropositivos (controle do reservatório), borrifação com inseticida (controle do flebotomíneo vetor) e remoção de matéria orgânica com poda de árvores (eliminação dos criadouros e abrigos do vetor, que se desenvolve em solo rico em matéria orgânica e vegetação densa).
🏆 Gabarito: E — o conjunto de quatro medidas (cão soropositivo, inseticida, matéria orgânica e poda de árvores) forma o protocolo clássico e exclusivo de controle da leishmaniose visceral no Brasil.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a leishmaniose visceral explica simultaneamente as quatro medidas citadas; qualquer outra doença falha em pelo menos uma delas.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente descreve doenças por meio de suas medidas de controle ou dos elementos do ciclo de transmissão (agente, vetor, reservatório, hospedeiro), exigindo do estudante a "engenharia reversa" do nome da doença — uma estratégia recorrente em questões de saúde pública e doenças negligenciadas.
- Generalização: ao identificar uma doença descrita por suas medidas profiláticas, monte mentalmente a cadeia epidemiológica (reservatório → vetor → ambiente de proliferação) e verifique qual doença conhecida bate com todos os elos, não apenas com um deles isoladamente.
- Dica de eliminação rápida: se a questão menciona "cão" como alvo de controle, restrinja-se a raiva ou leishmaniose visceral; se também menciona inseticida e manejo de vegetação/matéria orgânica (não água parada), a resposta só pode ser leishmaniose visceral, pois a raiva não tem vetor artrópode.
- Conexões: doenças negligenciadas (Calendário de Aichi/OMS), zoonoses urbanas, protozooses transmitidas por vetores (leishmanioses, doença de Chagas), políticas de vigilância epidemiológica do SUS.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.