Mapa de questões · 2º dia
Questão 149 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia
Em uma fábrica de circuitos elétricos, há diversas linhas de produção e montagem. De acordo com o controle de qualidade da fábrica, as peças produzidas devem seguir um padrão. Em um processo produtivo, nem todas as peças produzidas são totalmente aproveitáveis, ou seja, há um percentual de peças defeituosas que são descartadas. Em uma linha de produção dessa fábrica, trabalham três máquinas, M1 M2 e M3 dia e noite. A máquina M1 produz 25% das peças, a máquina M2 produz 30% e a máquina M3 produz 45%. O percentual de peças defeituosas da máquina M1 é de 2%, da máquina M2 é de 3% e da máquina M3 é igual a 4%.
A probabilidade de uma peça defeituosa ter sido produzida pela máquina M2 é mais próxima de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Probabilidade condicional (Teorema de Bayes) e Probabilidade Total
- ⚡ Nível: Difícil — exige combinar a Regra da Probabilidade Total com o Teorema de Bayes envolvendo três eventos simultâneos, "invertendo" uma condicional conhecida.
- 🎯 Tema/Habilidade: Cálculo de probabilidade condicional a partir de dados de produção e defeito de múltiplas máquinas (Competência de Área 7 do ENEM — noções de probabilidade aplicadas a situações reais de controle de qualidade).
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Sorteando ao acaso uma peça defeituosa dentre todas as produzidas pela linha, qual é a probabilidade de que ela tenha saído da máquina M₂?"
- Palavras-chave decisivas: peça defeituosa, percentual de produção de cada máquina, percentual de defeito de cada máquina
- Armadilha típica: confundir P(M₂) — a fatia de 30% que M₂ representa na produção total — com P(M₂ | defeituosa), que é a fatia de M₂ dentro do grupo já filtrado das peças com defeito. Outro erro comum é parar no produto 0,30×0,03 = 0,9% e marcá-lo diretamente, esquecendo de dividir pelo total de defeitos da linha.
- O que a resposta precisa demonstrar: domínio do Teorema de Bayes, isto é, a capacidade de inverter a condicional (de "defeito dado a máquina" para "máquina dado o defeito").
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Probabilidade condicional: P(A|B) mede a chance de A ocorrer sabendo que B já aconteceu. Aqui o alvo é P(M₂ | defeituosa).
- Regra da probabilidade total: quando um evento (peça defeituosa) pode acontecer por caminhos disjuntos — vir de M₁, M₂ ou M₃ —, sua probabilidade total é a soma das probabilidades de cada caminho: P(def) = ΣP(Mᵢ)×P(def|Mᵢ).
- Teorema de Bayes: permite inverter a condicional: P(Mᵢ|def) = [P(Mᵢ)×P(def|Mᵢ)] ÷ P(def). Ou seja, é a fração que a máquina i representa dentro do total de peças defeituosas.
- Regra do produto (eventos em sequência): como cada máquina opera de forma independente das demais, P(Mᵢ ∩ def) = P(Mᵢ)×P(def|Mᵢ).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "M₁ produz 25%, M₂ produz 30% e M₃ produz 45%" → são as probabilidades a priori P(M₁), P(M₂), P(M₃), que somam 100% e formam uma partição do espaço amostral (toda peça vem de exatamente uma máquina).
- Evidência 2: "defeituosas... M₁ é 2%, M₂ é 3%, M₃ é 4%" → são as probabilidades condicionais P(def|M₁), P(def|M₂), P(def|M₃), ou seja, a taxa de falha própria de cada linha.
- Síntese: o enunciado descreve uma árvore de probabilidades de dois níveis (máquina → defeito). Responder "qual a chance de ter vindo de M₂, dado que a peça é defeituosa" exige montar essa árvore por completo, somar as probabilidades conjuntas para achar P(defeituosa) e, depois, isolar apenas o ramo de M₂ — exatamente a estrutura do Teorema de Bayes.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Probabilidades conjuntas (máquina ∩ defeito)
Multiplica-se a fração de produção de cada máquina pela sua taxa de defeito:
P(M₁∩def) = 0,25 × 0,02 = 0,0050 (0,50% de toda a produção)
P(M₂∩def) = 0,30 × 0,03 = 0,0090 (0,90% de toda a produção)
P(M₃∩def) = 0,45 × 0,04 = 0,0180 (1,80% de toda a produção)
Subpasso 4.2 — Probabilidade total de peça defeituosa
P(def) = 0,0050 + 0,0090 + 0,0180 = 0,0320
Ou seja, 3,2% de tudo o que a linha produz sai com defeito, somando as três máquinas.
Subpasso 4.3 — Aplicação do Teorema de Bayes
P(M₂ | def) = P(M₂∩def) ÷ P(def) = 0,0090 ÷ 0,0320 = 0,28125 ≈ 28,1%
Subpasso 4.4 — Verificação
As três frações condicionais devem somar 100% do universo "defeituosa", pois M₁, M₂ e M₃ esgotam todas as origens possíveis:
P(M₁|def) + P(M₂|def) + P(M₃|def) = (0,0050+0,0090+0,0180) ÷ 0,0320 = 0,0320 ÷ 0,0320 = 1 ✓
A soma bate em 100%, confirmando que a árvore foi montada corretamente e que 28,1% é o valor coerente para M₂, compatível com a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 15,6%
❌ Incorreta: é o valor de P(M₁ | defeituosa) = 0,0050 ÷ 0,0320 ≈ 15,6%. Erro típico de quem monta a razão certa, mas usa o numerador da máquina errada (M₁ em vez de M₂).
B) 28,1%
✅ Correta: é exatamente P(M₂ | defeituosa) = 0,0090 ÷ 0,0320 ≈ 28,1%, obtido pelo Teorema de Bayes ao dividir a probabilidade conjunta de "M₂ e defeituosa" pela probabilidade total de defeito.
C) 43,7%
❌ Incorreta: corresponde a P(M₁ ou M₂ | defeituosa) = (0,0050+0,0090) ÷ 0,0320 ≈ 43,7%. É o erro de quem interpreta a pergunta como "não veio de M₃" e soma indevidamente dois ramos em vez de isolar apenas M₂.
D) 56,2%
❌ Incorreta: é P(M₃ | defeituosa) = 0,0180 ÷ 0,0320 ≈ 56,2%. Armadilha para quem identifica corretamente que M₃ é a maior fonte de defeitos da linha, mas responde à pergunta errada (a questão pede M₂, não M₃).
E) 71,8%
❌ Incorreta: é P(M₁ ou M₃ | defeituosa) = (0,0050+0,0180) ÷ 0,0320 ≈ 71,8%, o complementar exato de B. Quem chega nesse valor calculou "a probabilidade de a peça NÃO ter vindo de M₂", invertendo o sentido da pergunta.
🏆 Gabarito: B — Dentre as peças defeituosas da linha, 28,1% são provenientes da máquina M₂, valor obtido dividindo a probabilidade conjunta P(M₂∩defeituosa) = 0,90% pela probabilidade total de defeito da linha (3,2%).
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B representa corretamente a fração que M₂ ocupa dentro do universo já filtrado das peças defeituosas; as demais trocam a máquina, somam ramos indevidamente ou calculam o complementar do que foi pedido.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra esse formato em contextos de controle de qualidade industrial, exames diagnósticos (testes de doença dado resultado positivo) e urnas/sorteios com múltiplas etapas — sempre pedindo para "inverter" uma condicional já dada no enunciado.
- Generalização: sempre que o enunciado fornecer "probabilidade de A" e "probabilidade de B dado A", e a pergunta pedir "probabilidade de A dado B", monte uma tabela com as probabilidades conjuntas de cada ramo, some todas para achar P(B) e divida o ramo de interesse por essa soma — isso é o Teorema de Bayes na prática.
- Dica de eliminação rápida: calcule primeiro os três produtos (fração de produção × taxa de defeito) — a soma deles é o denominador comum de todas as alternativas. Isso evita refazer contas e mostra de imediato que a resposta buscada é sempre "produto do ramo pedido ÷ soma total dos produtos".
- Conexões: testes de diagnóstico médico (sensibilidade e valor preditivo positivo) e problemas clássicos de urnas com duas etapas de sorteio usam exatamente essa mesma estrutura de probabilidade total seguida de Bayes.
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