Mapa de questões · 2º dia
Questão 134 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia
Segundo a propaganda de uma rede de hotéis, “milhões de toneladas de detergentes são lançados na natureza para a lavagem de toalhas utilizadas uma única vez”. Num projeto para reduzir os impactos ambientais da lavagem de toalhas, além de incentivar a sua reutilização, a rede implementou melhorias no processo de lavagem e substituição dos surfactantes sintéticos por biossurfactantes.
A vantagem do uso de biossurfactantes na rede de hotéis seria
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Química → química ambiental; tensoativos (surfactantes) e biodegradabilidade; Química Verde
- ⚡ Nível: Fácil — o enunciado já entrega o problema (poluição por detergentes) e a solução (troca por biossurfactantes), bastando conectar causa e efeito
- 🎯 Tema/Habilidade: Impactos ambientais de produtos de limpeza e o papel dos biossurfactantes na mitigação da poluição hídrica — competência de relacionar tecnologia, sociedade e meio ambiente (Química Ambiental/Química Verde)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o objetivo ambiental de trocar surfactantes sintéticos por biossurfactantes na lavagem das toalhas do hotel?"
- Palavras-chave decisivas: reduzir os impactos ambientais, substituição dos surfactantes sintéticos por biossurfactantes, milhões de toneladas de detergentes lançados na natureza
- Armadilha típica: confundir "melhorias no processo de lavagem" (que pode, sim, economizar água) com o efeito específico da troca do tipo de surfactante, que é uma medida química, não hidráulica. As bancas adoram misturar duas ações do enunciado (reutilização de toalhas + troca de surfactante) para empurrar o candidato a uma alternativa "quase certa", como a B.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que biossurfactantes são biodegradáveis e menos tóxicos, logo sua função é diminuir a carga poluidora despejada nos corpos d'água — não economizar água, nem dinheiro, nem desinfetar.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Surfactantes (tensoativos): moléculas anfifílicas — possuem uma "cabeça" hidrofílica (polar) e uma "cauda" hidrofóbica (apolar) — capazes de reduzir a tensão superficial da água e emulsionar gorduras/sujeiras, permitindo sua remoção durante a lavagem.
- Surfactantes sintéticos: produzidos a partir de derivados de petróleo (ex.: alquilbenzeno sulfonato linear, LAS). Muitos são de baixa biodegradabilidade ou geram subprodutos tóxicos e persistentes quando descartados em rios e lagos, causando eutrofização (proliferação excessiva de algas por excesso de nutrientes) e formação de espuma tóxica para a fauna aquática.
- Biossurfactantes: compostos tensoativos produzidos por microrganismos (bactérias, leveduras e fungos) a partir de substratos renováveis. Exemplos clássicos são os ramnolipídeos e a surfactina. Sua principal vantagem ambiental é a biodegradabilidade — são metabolizados por outros microrganismos no ambiente — associada a baixa toxicidade e menor bioacumulação em ecossistemas.
- Química Verde (Green Chemistry): conjunto de princípios que orienta o desenvolvimento de processos e produtos químicos que minimizam o uso e a geração de substâncias nocivas à saúde humana e ao ambiente; a substituição de insumos sintéticos por biológicos é um exemplo direto de aplicação desses princípios.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "milhões de toneladas de detergentes são lançados na natureza para a lavagem de toalhas utilizadas uma única vez" → mostra a escala do problema: o volume de resíduos químicos despejados no ambiente é o foco central da crítica da propaganda, não o consumo de água ou o custo financeiro.
- Evidência 2: "substituição dos surfactantes sintéticos por biossurfactantes" → é a ação química específica que a questão pede para justificar; biossurfactantes são conhecidos justamente por sua biodegradabilidade e menor toxicidade, atributos que atacam diretamente o problema apontado na evidência 1.
- Síntese: o enunciado constrói uma relação causa-efeito muito direta — "detergentes poluem a natureza" (causa do problema) leva a "trocar por biossurfactantes" (solução química), e a consequência lógica dessa solução só pode ser a diminuição da contaminação ambiental por resíduos de limpeza. Note que "incentivar a reutilização das toalhas" e "melhorias no processo de lavagem" são medidas citadas à parte, mas a pergunta isola especificamente o efeito da troca de surfactante.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que está sendo perguntado
A questão não pergunta sobre o projeto do hotel como um todo (que envolve três frentes: reutilização de toalhas, melhorias no processo de lavagem e troca de surfactantes). Ela pergunta, especificamente, qual é a consequência esperada da substituição do tipo de surfactante. Isso restringe o raciocínio: não vale usar argumentos sobre economia de água (ligada à reutilização de toalhas) nem sobre custo (que não é mencionado no texto).
Subpasso 4.2 — Relacionar propriedade química ao efeito ambiental
Surfactantes sintéticos convencionais, quando não totalmente biodegradáveis, permanecem no ambiente por mais tempo, contaminando rios, lagos e lençóis freáticos, além de poderem ser tóxicos a organismos aquáticos. Já os biossurfactantes, por serem de origem microbiana, apresentam estrutura química mais facilmente reconhecida e degradada pelos decompositores do ecossistema, sendo convertidos em substâncias mais simples e menos nocivas (idealmente CO₂, H₂O e biomassa). Ao trocar um pelo outro, a quantidade de resíduo químico persistente que chega à natureza diminui.
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando esse raciocínio com as cinco alternativas, apenas a opção que fala em "reduzir a contaminação ambiental por resíduos de limpeza" traduz corretamente o efeito de trocar um insumo pouco biodegradável por outro biodegradável. As demais alternativas descrevem efeitos que pertencem a outras frentes do projeto do hotel (reutilização de toalhas → menos água e menos detergente consumido; processo de lavagem → possível otimização de recursos) ou a propriedades que os biossurfactantes não têm como função primária (maciez das toalhas, desinfecção). Isso confirma que a resposta converge para a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) aumentar a maciez e durabilidade das toalhas.
❌ Incorreta: maciez e durabilidade do tecido dependem de fatores mecânicos e da presença de amaciantes/condicionadores têxteis, não da natureza sintética ou biológica do surfactante usado na limpeza. A troca de surfactante tem finalidade ambiental, não têxtil.
B) diminuir o consumo de água utilizada na lavagem.
❌ Incorreta: essa é a armadilha mais forte da questão. Reduzir o consumo de água está ligado à reutilização das toalhas e a melhorias no processo de lavagem (menos ciclos de lavagem), não à composição química do surfactante. Trocar um surfactante sintético por um biossurfactante não altera, por si só, o volume de água gasto no ciclo de lavagem.
C) economizar com a compra de produtos de limpeza.
❌ Incorreta: biossurfactantes, produzidos por rotas biotecnológicas (fermentação microbiana), costumam ter custo de produção comparável ou até superior ao dos surfactantes sintéticos petroquímicos em larga escala. O enunciado também não menciona qualquer motivação econômica — todo o texto é construído em torno do discurso ambiental da propaganda.
D) incrementar a desinfecção no processo de lavagem.
❌ Incorreta: a função de um surfactante é reduzir a tensão superficial da água e emulsionar sujidades/gorduras, promovendo a limpeza mecânica-química; desinfecção é papel de agentes biocidas (como compostos clorados, quaternários de amônio ou alta temperatura), não do surfactante em si. Trocar o tipo de surfactante não amplia a ação desinfetante.
E) reduzir a contaminação ambiental por resíduos de limpeza.
✅ Correta: biossurfactantes são biodegradáveis e menos tóxicos que muitos surfactantes sintéticos, de modo que sua adoção diminui diretamente a carga de resíduos químicos persistentes lançados nos corpos d'água — exatamente o problema denunciado na propaganda citada no enunciado ("milhões de toneladas de detergentes lançados na natureza").
🏆 Gabarito: E — a troca de surfactantes sintéticos por biossurfactantes ataca diretamente o problema apresentado no enunciado (poluição por detergentes), pois biossurfactantes são biodegradáveis e menos tóxicos, reduzindo a contaminação ambiental por resíduos de limpeza.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas a E descreve uma consequência que decorre diretamente da propriedade química que diferencia biossurfactantes de surfactantes sintéticos — a biodegradabilidade/baixa toxicidade — conectando-se ao problema ambiental citado no início do texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra questões de "química ambiental aplicada", em que um cenário do cotidiano (produtos de limpeza, cosméticos, agrotóxicos, plásticos) é usado para testar se o aluno entende o conceito de biodegradabilidade e o impacto de substâncias persistentes em ecossistemas aquáticos ou terrestres.
- Generalização: sempre que uma questão trocar um insumo "sintético/petroquímico" por um "biológico/natural" e perguntar qual o objetivo dessa troca, a resposta correta quase sempre envolve biodegradabilidade, menor toxicidade e menor persistência ambiental — e não economia financeira, textura do produto ou propriedades físicas secundárias.
- Dica de eliminação rápida: leia o enunciado separando "quem faz o quê": se a pergunta isola uma ação específica (aqui, a troca de surfactante), descarte de cara qualquer alternativa que descreva o efeito de outra ação mencionada no texto (aqui, reutilização de toalhas → economia de água) — essa separação elimina B e C quase instantaneamente.
- Conexões: eutrofização de corpos d'água por detergentes fosfatados; princípios da Química Verde; biodegradação e ciclos biogeoquímicos; rotulagem ambiental e greenwashing em propagandas de sustentabilidade.
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