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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 131ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia

Em certas anemias hemolíticas, estão presentes no sangue circulante algumas hemácias esféricas (esferócitos), que se rompem mais facilmente que as hemácias normais em soluções hipotônicas. Essa fragilidade é proporcional ao número de esferócitos presentes. Em um laboratório, foi realizada a determinação da fragilidade osmótica de cinco amostras distintas. Os resultados obtidos estão representados na tabela, em percentual de hemólise.

Questão 131 - ENEM PPL 2021 -

Qual amostra apresenta o maior número de esferócitos?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Citologia/Fisiologia celular (osmose, tonicidade e fragilidade de membrana)
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar uma tabela com 5 amostras × 14 concentrações e identificar o critério correto de comparação (limiar de início, não o valor final).
  • 🎯 Tema/Habilidade: Osmose aplicada a hemácias e esferocitose; competência de leitura e interpretação de dados experimentais em tabela.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Entre as cinco amostras de sangue testadas, qual apresenta hemácias com maior fragilidade osmótica — ou seja, maior número de esferócitos?"
  • Palavras-chave decisivas: fragilidade proporcional ao número de esferócitos, rompem mais facilmente... em soluções hipotônicas, percentual de hemólise
  • Armadilha típica: comparar apenas a última coluna da tabela (NaCl a 0,00%) ou o valor numérico mais alto isolado — só que em 0,00% (água pura) TODAS as amostras chegam a 100% de hemólise, então essa coluna não diferencia nada. O candidato apressado também pode confundir "maior % de hemólise em uma concentração intermediária qualquer" com "maior fragilidade", sem perceber que o critério correto é o ponto em que a hemólise começa.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de perceber que fragilidade osmótica se mede pelo limiar — a concentração de NaCl (mais próxima da isotônica) em que a amostra já começa a romper — e não pelo desfecho final, que é igual para todas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Osmose e tonicidade: água se move sempre da solução menos concentrada em soluto (hipotônica) para a mais concentrada (hipertônica). Uma solução de NaCl mais diluída que o citoplasma da hemácia é hipotônica em relação a ela, então a água entra na célula.
  • Solução salina fisiológica (~0,9% NaCl): é aproximadamente isotônica ao plasma humano. Por isso, na tabela, a coluna 1,00% de NaCl é levemente hipertônica (ninguém hemolisa) e, à medida que a concentração cai, a solução fica cada vez mais hipotônica, aumentando o influxo de água até romper a célula.
  • Hemácia normal (disco bicôncavo) vs. esferócito: a hemácia saudável tem forma de disco bicôncavo, o que lhe dá uma "reserva" de membrana — área de superfície maior do que o mínimo necessário para seu volume. Isso permite que ela incorpore uma certa quantidade de água e se arredonde parcialmente antes de romper. O esferócito já nasce na forma esférica, que é geometricamente a de MENOR razão área/volume possível: ele já "gastou" toda a sua reserva de membrana. Por isso, qualquer entrada extra de água já provoca ruptura, mesmo em soluções pouco hipotônicas.
  • Fragilidade osmótica como variável comparativa: quanto maior a fragilidade, MENOR a hipotonicidade necessária para romper a célula — ou seja, a amostra mais frágil hemolisa já em concentrações de NaCl mais próximas da isotônica (valores mais altos na tabela).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "essa fragilidade é proporcional ao número de esferócitos presentes" → a tabela não deve ser lida por um único número isolado, e sim como uma curva: é preciso comparar o comportamento de cada amostra ao longo do gradiente de concentrações.
  • Evidência 2 (dados da figura): ao varrer a tabela da esquerda (1,00% NaCl) para a direita (0,00% NaCl), cada amostra tem um ponto de partida diferente para a hemólise:

Amostra 1 → começa em 0,40% (50%); Amostra 2 → começa em 0,65% (8%); Amostra 3 → começa em 0,85% (4%); Amostra 4 → começa em 0,55% (5%); Amostra 5 → começa em 0,60% (3%).

  • Síntese: a amostra que inicia a hemólise na concentração de NaCl mais alta (a mais próxima da isotônica) é a que possui hemácias mais fracas, logo, é a que tem o maior número de esferócitos.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Definir o critério de leitura

Como a solução de 1,00% de NaCl é a menos hipotônica da tabela (quase isotônica) e a de 0,00% é a mais hipotônica (água pura, onde 100% das hemácias de todas as amostras se rompem), o critério discriminante correto é: qual amostra apresenta a PRIMEIRA célula com % de hemólise diferente de zero, começando a leitura em 1,00% e andando para a direita?

Subpasso 4.2 — Tabulação do limiar de ruptura de cada amostra

  • Amostra 1: 0% até 0,45% de NaCl; primeiro valor > 0 aparece em 0,40% (50% de hemólise).
  • Amostra 2: primeiro valor > 0 em 0,65% (8%).
  • Amostra 3: primeiro valor > 0 em 0,85% (4%).
  • Amostra 4: primeiro valor > 0 em 0,55% (5%).
  • Amostra 5: primeiro valor > 0 em 0,60% (3%).

Ordenando da maior para a menor fragilidade (quanto mais alta a concentração de início, mais frágil):

Amostra 3 (0,85%) > Amostra 2 (0,65%) > Amostra 5 (0,60%) > Amostra 4 (0,55%) > Amostra 1 (0,40%)

Subpasso 4.3 — Verificação

A amostra 3 não só começa a hemolisar antes das demais (0,85% de NaCl, muito próximo do valor fisiológico de ~0,9%), como também evolui rapidamente: 4% em 0,85% → 42% em 0,75% → 88% em 0,65% → 100% já em 0,55%. Esse padrão de ruptura precoce e acelerada é exatamente o esperado de uma amostra com alta proporção de esferócitos, que já não têm reserva de membrana para suportar entrada de água. O resultado bate com o gabarito: alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) 1

❌ Incorreta: a amostra 1 é, na verdade, a mais RESISTENTE de todas — só começa a hemolisar em 0,40% de NaCl (uma solução bem mais hipotônica que as demais exigem) e mesmo assim atinge apenas 100% na faixa de 0,20%. Isso indica hemácias predominantemente bicôncavas, com boa reserva de membrana e poucos esferócitos.

B) 2

❌ Incorreta: fragilidade intermediária-alta (inicia em 0,65% de NaCl), mas ainda suporta uma solução menos hipotônica do que a amostra 3 antes de começar a romper, ou seja, tem menos esferócitos do que ela.

C) 3

✅ Correta: é a única amostra que já apresenta hemólise mensurável em 0,85% de NaCl — a concentração mais próxima da isotônica entre as cinco — e chega a 100% de hemólise rapidamente (já em 0,55%). Esse comportamento evidencia a maior proporção de esferócitos e, portanto, a maior fragilidade osmótica do grupo.

D) 4

❌ Incorreta: é praticamente a segunda amostra mais resistente; só hemolisa a partir de 0,55% de NaCl e com progressão lenta (39% em 0,50%, 66% em 0,45%), padrão incompatível com alta fragilidade.

E) 5

❌ Incorreta: fragilidade intermediária (começa em 0,60% de NaCl) — mais frágil que as amostras 1 e 4, porém menos frágil que as amostras 2 e 3. Não é a de maior fragilidade.

🏆 Gabarito: C — a amostra 3 é a única que inicia a hemólise em uma concentração de NaCl próxima da isotônica (0,85%) e evolui mais rápido até 100%, evidenciando o maior número de esferócitos entre as cinco amostras.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a amostra 3 rompe hemácias já numa solução quase isotônica, uma assinatura direta e inequívoca de que ela concentra a maior proporção de esferócitos — por isso, e somente por isso, a resposta é a letra C.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma cobrar leitura de tabelas de "dose-resposta" (fragilidade osmótica, titulação, efeito de fármaco por concentração) pedindo que o estudante identifique o LIMIAR em que o fenômeno começa, e não o desfecho final — que costuma ser igual em todos os grupos e funciona como distrator.
  • Generalização: sempre que uma tabela mostrar a mesma variável de resposta convergindo para 100% (ou outro valor máximo) em todos os grupos ao final da escala, essa última coluna NÃO discrimina nada — o dado relevante está no início da curva, onde os grupos se diferenciam.
  • Dica de eliminação rápida: ignore de cara a coluna de NaCl a 0,00% (todas em 100%) e percorra a tabela da esquerda (1,00%) para a direita, marcando apenas a primeira célula diferente de zero de cada linha; a maior concentração de NaCl nesse comparativo já indica a resposta em poucos segundos.
  • Conexões: osmose e tonicidade celular; anemias hemolíticas hereditárias, como a esferocitose hereditária (mutações em proteínas de membrana como espectrina e anquirina); curvas dose-resposta em bioquímica e farmacologia.

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