Mapa de questões · 2º dia
Questão 171 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia
Descenso noturno fisiológico é definido como uma redução maior ou igual a 10% da medida da pressão arterial (PA) sistólica registrada entre o período de vigília e o período de sono. O exame para avaliar se um indivíduo apresenta ou não descenso fisiológico é chamado de MAPA e consiste no monitoramento da evolução da PA sistólica do individuo ao longo de 24 horas. O resultado desse exame consiste em um gráfico no qual a região correspondente ao período de sono está hachurada em cinza.
Cinco pacientes foram submetidos a esse exame, e os resultados mostram que apenas um paciente apresentou ausência de descenso noturno.
MELO, R. 0. V. et al. Ausência de descenso noturno se associa a acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio. Arq. Bras. Cardiol., n. 94, 2010.
O gráfico que indica o resultado do exame do paciente que apresentou ausência de descenso noturno é
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Leitura e interpretação de gráficos; Porcentagem aplicada a contexto de saúde
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas extrair pares de valores do gráfico e comparar uma variação percentual com um critério numérico dado no enunciado
- 🎯 Tema/Habilidade: Interpretação de gráficos cartesianos em contexto de saúde (MAPA) associada ao cálculo de variação percentual — competência de área "Tratamento da Informação"
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Entre os cinco gráficos de pressão arterial (PA) sistólica ao longo de 24 horas, identifique o único paciente cuja PA NÃO caiu pelo menos 10% durante o período de sono (faixa hachurada em cinza)."
- Palavras-chave decisivas: ausência de descenso noturno, redução ≥ 10%, região hachurada (sono)
- Armadilha típica: confundir "maior queda em mmHg" com "maior queda em porcentagem" — ou escolher o gráfico com a menor queda absoluta (em vez de calcular o percentual), achando que a menor diferença numérica já garante estar abaixo dos 10%.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ler dois valores num gráfico (PA antes do sono e PA durante o sono), aplicar a fórmula de variação percentual e comparar o resultado com o limiar de 10% estabelecido pelo próprio enunciado.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Descenso noturno fisiológico: definição operacional dada no texto — é a redução ≥ 10% da PA sistólica entre o período de vigília (acordado) e o período de sono. É um marcador clínico de saúde cardiovascular.
- Variação percentual: ferramenta matemática central da questão, calculada por
ΔPA% = [(PA_vigília − PA_sono) / PA_vigília] × 100.
- Leitura gráfica quantitativa: habilidade de estimar, a partir dos eixos de um gráfico, os valores de PA imediatamente antes e durante a faixa hachurada que representa o sono.
- MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial): exame de 24h citado no enunciado; contextualiza a questão em saúde pública, associando ausência de descenso a maior risco de AVC e infarto — reforço de que a interpretação correta tem peso clínico real, não é só exercício abstrato.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "redução maior ou igual a 10% da medida da pressão arterial (PA) sistólica registrada entre o período de vigília e o período de sono" → fixa o critério exatamente em termos percentuais, não em milímetros de mercúrio (mmHg) absolutos. Isso já elimina a tentação de comparar apenas "quem caiu menos em número".
- Evidência 2: "apenas um paciente apresentou ausência de descenso noturno" → garante que, dos cinco gráficos, quatro devem ultrapassar o limiar de 10% de queda, e apenas um deve ficar abaixo dele (ou não cair nada).
- Síntese: a estratégia correta é extrair o par (PA antes do sono; PA durante o sono) de cada gráfico, calcular a variação percentual de cada um e apontar o único caso em que essa variação é inferior a 10%.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Extrair os valores aproximados de cada gráfico
Lendo o eixo vertical (PA em mmHg) logo antes da faixa hachurada (vigília) e no ponto mais baixo dentro dela (sono):
- A) 120 mmHg → 100 mmHg
- B) 125 mmHg → 100 mmHg
- C) 110 mmHg → 90 mmHg
- D) 105 mmHg → 90 mmHg
- E) 150 mmHg → 150 mmHg (a curva permanece praticamente plana, sem queda visível dentro da faixa hachurada)
Subpasso 4.2 — Calcular a variação percentual de cada gráfico
Usando ΔPA% = [(PA_vigília − PA_sono) / PA_vigília] × 100:
- A) (120 − 100)/120 × 100 = 20/120 × 100 ≈ 16,7% ≥ 10% → há descenso
- B) (125 − 100)/125 × 100 = 25/125 × 100 = 20% ≥ 10% → há descenso
- C) (110 − 90)/110 × 100 = 20/110 × 100 ≈ 18,2% ≥ 10% → há descenso
- D) (105 − 90)/105 × 100 = 15/105 × 100 ≈ 14,3% ≥ 10% → há descenso (mesmo sendo a menor queda em mmHg, ainda ultrapassa 10% em termos relativos)
- E) (150 − 150)/150 × 100 = 0/150 × 100 = 0% < 10% → não há descenso
Subpasso 4.3 — Verificação
Dos cinco cálculos, apenas o gráfico E apresenta variação percentual abaixo do critério de 10% — na verdade, variação nula, pois a PA se mantém em torno de 150 mmHg constantemente, inclusive dentro do intervalo hachurado (sono). Isso confirma exatamente a condição do enunciado de que "apenas um paciente apresentou ausência de descenso noturno", validando o gráfico E como resposta única.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Gráfico A (≈120 mmHg → ≈100 mmHg, sono entre 6h–13h)
❌ Incorreta: a queda equivale a aproximadamente 16,7% da PA de vigília, valor acima do limiar de 10% — logo esse paciente apresenta descenso noturno fisiológico normal, não é o caso pedido.
B) Gráfico B (≈125 mmHg → ≈100 mmHg, sono entre 14h–21h)
❌ Incorreta: a queda é de 20%, a maior entre todos os gráficos — é o paciente com o descenso noturno mais evidente, exatamente o oposto do que a questão busca.
C) Gráfico C (≈110 mmHg → ≈90 mmHg, sono entre 12h–19h)
❌ Incorreta: a redução é de aproximadamente 18,2%, também bem acima de 10%, caracterizando descenso noturno presente.
D) Gráfico D (≈105 mmHg → ≈90 mmHg, sono entre 11h–17h)
❌ Incorreta: apesar de ser a menor queda em valor absoluto (apenas 15 mmHg) entre os gráficos com queda, o cálculo percentual ainda dá cerca de 14,3% — acima dos 10% exigidos. É a alternativa "pegadinha", pensada para atrair quem compara valores absolutos em vez de percentuais.
E) Gráfico E (≈150 mmHg constante, sono entre 11h–15h)
✅ Correta: a PA sistólica permanece praticamente constante em torno de 150 mmHg ao longo de toda a monitorização de 24 horas, sem nenhuma queda perceptível durante o intervalo hachurado de sono. A variação percentual é 0%, muito abaixo do critério mínimo de 10% — logo este é o único paciente que não apresenta descenso noturno. Clinicamente, é também o quadro de maior risco, pois combina hipertensão (150 mmHg) com ausência do alívio noturno esperado.
🏆 Gabarito: E — é o único gráfico cuja variação percentual da PA entre vigília e sono é inferior a 10% (na prática, 0%), satisfazendo com exclusividade a definição de ausência de descenso noturno dada no enunciado.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre os cinco gráficos, A (16,7%), B (20%), C (18,2%) e D (14,3%) superam o critério de 10% de queda e, portanto, representam descenso noturno normal; apenas E (0%) fica abaixo do limiar, sendo o único caso de ausência de descenso.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente combina leitura de gráficos com cálculo de porcentagem em contextos de saúde, meio ambiente ou economia — a informação numérica do enunciado (aqui, "10%") sempre funciona como critério de corte a ser aplicado sobre dados lidos visualmente.
- Generalização: sempre que um critério for dado em termos percentuais, calcule a variação relativa [(inicial − final)/inicial × 100] e não apenas a diferença absoluta entre os valores — comparar somente mmHg, reais ou unidades absolutas pode levar à alternativa errada, como mostra o gráfico D.
- Dica de eliminação rápida: procure primeiro o gráfico "plano", sem oscilação visível entre vigília e sono — ele é o candidato natural a "ausência de variação". Em seguida, confirme com um cálculo rápido de porcentagem para descartar erro de leitura visual.
- Conexões: questões de leitura de gráficos e tabelas em contextos de saúde pública; problemas de porcentagem aplicados a variação de grandezas (preços, temperatura, índices); interpretação de dados epidemiológicos no ENEM.
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