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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 108ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia

Uma informação genética (um fragmento de DNA) pode ser inserida numa outra molécula de DNA diferente, como em vetores de clonagem molecular, que são os responsáveis por transportar o fragmento de DNA para dentro de uma célula hospedeira. Por essa biotecnologia, podemos, por exemplo, produzir insulina humana em bactérias. Nesse caso, o fragmento do DNA (gene da insulina) será transcrito e, posteriormente, traduzido na sequência de aminoácidos da insulina humana dentro da bactéria.

LOPES, D. S.A. et al. A produção de insulina artificial através da tecnologia do DNA recombinante para o tratamento de diabetes mellitus. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 10, n. 1, 2012 (adaptado).

De onde podem ser retirados esses fragmentos de DNA?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Biologia Celular (organelas e núcleo) e Biotecnologia (DNA recombinante)
  • ⚡ Nível: Fácil — exige apenas reconhecer onde o DNA fica armazenado dentro de uma célula eucariota, sem cálculos ou mecanismos moleculares complexos
  • 🎯 Tema/Habilidade: Localização do material genético na célula e fundamentos da tecnologia do DNA recombinante (competência de área 4 — compreender processos biotecnológicos que envolvem manipulação genética)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Em qual estrutura celular está armazenado o fragmento de DNA (gene) que será retirado para a produção de insulina recombinante?"
  • Palavras-chave decisivas: fragmento de DNA, gene da insulina, retirados
  • Armadilha típica: confundir o local de armazenamento do DNA (núcleo) com os locais onde a informação genética é processada depois de sair do núcleo — como o ribossomo (tradução) ou o retículo endoplasmático rugoso (síntese de proteínas de secreção, caso da insulina). O enunciado menciona transcrição e tradução dentro da bactéria, o que pode levar o candidato a associar erroneamente esses processos ao local de origem do gene, na célula humana.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o estudante sabe diferenciar organelas de armazenamento genético (núcleo) de organelas de expressão gênica (ribossomo, RE rugoso) e de organelas de processamento de proteínas (complexo golgiense), aplicando esse conhecimento ao contexto da engenharia genética.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Núcleo celular: organela membranosa presente em células eucariotas que armazena o DNA organizado em cromatina/cromossomos. É o único compartimento celular onde o DNA genômico fica normalmente localizado (ressalvada a pequena fração de DNA mitocondrial, irrelevante para esta questão).
  • Gene: trecho específico da molécula de DNA que contém a sequência de nucleotídeos capaz de codificar um produto funcional — no caso, a proteína insulina. Para ser manipulado em laboratório, o gene precisa primeiro ser localizado e extraído de dentro do núcleo, onde o DNA está compactado.
  • DNA recombinante: técnica de biotecnologia em que um fragmento de DNA de um organismo (ex.: gene humano da insulina) é inserido em um vetor de clonagem (plasmídeo bacteriano) e introduzido em uma célula hospedeira (bactéria), que passa a expressar essa informação genética "estranha" como se fosse sua.
  • Transcrição e tradução: processos de expressão gênica que ocorrem depois que o gene já foi transferido para dentro da bactéria — a transcrição converte o DNA em RNA mensageiro, e a tradução, realizada nos ribossomos, converte esse RNA em uma sequência de aminoácidos (a proteína insulina). Esses processos não indicam de onde o DNA foi originalmente retirado.
  • Ribossomo, retículo endoplasmático rugoso e complexo golgiense: fazem parte da via de síntese e processamento de proteínas destinadas à secreção (como a própria insulina, na célula pancreática humana), mas nenhuma dessas estruturas armazena DNA — elas atuam sobre o RNA mensageiro ou sobre a proteína já formada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Uma informação genética (um fragmento de DNA) pode ser inserida numa outra molécula de DNA diferente, como em vetores de clonagem molecular" → revela que o processo começa com a retirada de um fragmento de DNA já existente em uma célula — nesse caso, a célula humana produtora natural de insulina.
  • Evidência 2: "podemos, por exemplo, produzir insulina humana em bactérias. Nesse caso, o fragmento do DNA (gene da insulina) será transcrito e, posteriormente, traduzido... dentro da bactéria" → deixa claro que a transcrição e a tradução acontecem depois, já dentro da bactéria; portanto, esses processos não respondem "de onde foi retirado" o DNA, apenas o que acontece com ele após a inserção.
  • Síntese: a pergunta é sobre a origem do fragmento de DNA (o gene da insulina) antes de qualquer manipulação biotecnológica. Como se trata de um gene humano, e todo gene humano (DNA nuclear) reside no núcleo das células eucariotas, o fragmento só pode ter sido retirado do núcleo de uma célula humana — mais especificamente, de células produtoras de insulina, como as células beta das ilhotas de Langerhans do pâncreas.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o tipo de célula de origem do gene

O gene da insulina é um gene humano, e o ser humano é um organismo eucarionte. Em toda célula eucariota, o DNA genômico — o material genético que contém todos os genes do organismo, incluindo o gene da insulina — está armazenado dentro do núcleo, delimitado pela carioteca (envoltório nuclear). É essa organização compartimentalizada que diferencia as células eucariotas das procariotas (como as bactérias, cujo DNA fica disperso no citoplasma, na região do nucleoide).

Subpasso 4.2 — Rastrear o caminho técnico da extração do gene

Na tecnologia do DNA recombinante, o procedimento típico envolve: (1) romper a célula humana doadora e acessar o núcleo, onde está o DNA; (2) extrair e purificar o DNA genômico; (3) utilizar enzimas de restrição para cortar especificamente o trecho correspondente ao gene da insulina; (4) inserir esse fragmento em um vetor de clonagem (plasmídeo bacteriano), formando o DNA recombinante; (5) introduzir esse plasmídeo em uma bactéria hospedeira, que passa a transcrever e traduzir o gene, produzindo insulina humana. O ponto de partida de toda essa cadeia é, portanto, o núcleo da célula humana — é de lá que o fragmento de DNA é obtido.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com as alternativas, apenas uma estrutura é reconhecida como local de armazenamento de DNA em célula eucariota: o núcleo. As demais opções (ribossomo, citoplasma, complexo golgiense, retículo endoplasmático rugoso) são estruturas ou regiões citoplasmáticas envolvidas em outras etapas da vida celular — síntese proteica, processamento e transporte de proteínas —, mas nenhuma delas armazena o DNA genômico. Logo, a resposta é coerente e única: o fragmento de DNA (gene da insulina) só pode ser retirado do núcleo.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Núcleo.

✅ Correta: é a organela onde o DNA genômico da célula humana eucariota está armazenado, organizado em cromatina. Todo gene, incluindo o da insulina, encontra-se ali antes de ser extraído e manipulado por técnicas de DNA recombinante.

B) Ribossomo.

❌ Incorreta: o ribossomo é a estrutura responsável pela tradução do RNA mensageiro em proteína (síntese proteica). Ele é formado por RNA ribossômico (RNAr) e proteínas, mas não armazena DNA — atua na etapa posterior à transcrição, e não na origem do gene.

C) Citoplasma.

❌ Incorreta: em células eucariotas, o citoplasma é o compartimento que envolve as organelas, mas o DNA genômico fica isolado dentro do núcleo, separado do citoplasma pela carioteca. Essa alternativa confundiria a organização de uma célula procariota (bactéria), em que o DNA realmente fica disperso no citoplasma, com a de uma célula humana, que é eucariota.

D) Complexo golgiense.

❌ Incorreta: o complexo golgiense (aparelho de Golgi) tem função de processar, empacotar e endereçar proteínas e outras macromoléculas, muitas vezes modificando-as para secreção. Não possui DNA e não participa do armazenamento do material genético.

E) Retículo endoplasmático rugoso.

❌ Incorreta: o retículo endoplasmático rugoso é o local onde os ribossomos aderidos realizam a síntese de proteínas destinadas à secreção — como a própria insulina, na célula beta pancreática. Apesar de estar relacionado à via de produção da insulina "natural" no organismo humano, essa organela não guarda o gene; ela atua na tradução, etapa posterior à retirada do fragmento de DNA.

🏆 Gabarito: A — o gene da insulina é DNA genômico humano e, por isso, só pode ser retirado do núcleo, único compartimento celular eucariótico onde o material genético fica armazenado.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: como a insulina é uma proteína humana e o ser humano é eucarionte, o gene que a codifica está necessariamente compactado no núcleo; nenhuma outra organela citada armazena DNA, o que torna a alternativa A a única cientificamente correta.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora biotecnologia (DNA recombinante, transgenia, clonagem, terapia gênica) associando o contexto aplicado (produção de fármacos, alimentos transgênicos) a conceitos básicos de biologia celular, como localização de organelas e função de estruturas citoplasmáticas.
  • Generalização: sempre que uma questão perguntar "de onde vem o DNA/gene" em uma célula eucariota, a resposta-padrão é o núcleo (salvo menção explícita a DNA mitocondrial ou de cloroplasto, que são exceções específicas).
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara ribossomo e retículo endoplasmático rugoso — ambos atuam na síntese de proteínas (tradução), não armazenam ácido nucleico. Em seguida, elimine complexo golgiense, que só processa/empacota macromoléculas. Restam núcleo e citoplasma; lembre que em eucariotos o DNA fica isolado do citoplasma pela carioteca — logo, núcleo é a resposta.
  • Conexões: temas relacionados incluem estrutura da célula eucariota versus procariota, enzimas de restrição e vetores de clonagem, e expressão gênica (transcrição e tradução) em biotecnologia industrial.

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