Mapa de questões · 2º dia
Questão 102 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia
O cladograma demonstra o grau de parentesco entre cinco grupos de animais vertebrados.

De acordo com esse cladograma, quais animais apresentam maior semelhança genética?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Sistemática Filogenética (leitura de cladogramas)
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar a topologia de um cladograma e localizar o nó de ancestral comum mais recente entre dois táxons, não apenas memorizar conceitos soltos.
- 🎯 Tema/Habilidade: Parentesco evolutivo e classificação filogenética — competência de interpretar diagramas ramificados (cladogramas) que representam hipóteses de parentesco entre organismos.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "No cladograma dado, qual par de animais compartilha o ancestral comum mais recente e, portanto, apresenta maior semelhança genética?"
- Palavras-chave decisivas: cladograma, grau de parentesco, maior semelhança genética
- Armadilha típica: confundir semelhança morfológica aparente com semelhança genética real, que é medida pela proximidade do ancestral comum na árvore, e não pela aparência externa dos animais.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de localizar, entre os cinco ramos terminais, qual par se separa no nó mais próximo das pontas da árvore — ou seja, o mais recente — e não no nó mais próximo da raiz.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Cladograma: diagrama em árvore que representa hipóteses de parentesco evolutivo entre táxons, construído a partir do compartilhamento de caracteres derivados (sinapomorfias). Cada bifurcação (nó) marca uma novidade evolutiva herdada por todos os descendentes a partir dali.
- Sinapomorfia: característica evolutiva nova que surge em um ancestral e passa a ser herdada por toda a sua descendência; é ela que "batiza" cada nó do cladograma (ex.: vértebras, membros locomotores e pulmões, ovo amniótico, glândulas mamárias).
- Ancestral comum mais recente (ACMR): ponto do cladograma em que dois táxons se separam pela última vez. Quanto mais próximo das pontas da árvore estiver esse nó, mais recente foi a divergência — e maior o parentesco genético entre os grupos.
- Semelhança genética x semelhança morfológica: a semelhança genética é medida pela distância até o nó comum, não pela aparência externa. Um jacaré (réptil) e um pardal (ave), morfologicamente muito diferentes, podem ser geneticamente mais próximos entre si do que grupos com aparência parecida.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Vértebras" na base da árvore → caráter compartilhado por todos os cinco animais (todos são vertebrados), por isso ocupa o nó mais basal, ou seja, o mais antigo do cladograma.
- Evidência 2: "Ovo amniótico" no nó que reúne jacaré, pardal e coelho → esse caráter separa os amniotas (répteis, aves e mamíferos) da linhagem anfíbia; é o ponto em que essas três linhagens começam a divergir do sapo e da sardinha.
- Evidência 3: dentro do grupo dos amniotas, jacaré e pardal se conectam por um nó exclusivo, situado acima (mais recente) do nó "ovo amniótico", enquanto o coelho se separa diretamente nesse mesmo nó "ovo amniótico" através da sinapomorfia "glândulas mamárias" → jacaré e pardal compartilham um ancestral comum posterior à separação do coelho, isto é, foram os últimos a divergir um do outro.
- Síntese: o par de animais que se separa no nó mais próximo das pontas do cladograma — e, portanto, tem o ancestral comum mais recente — é jacaré e pardal.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconstruir a ordem dos nós, da base para as pontas
Lendo o cladograma da raiz em direção aos ramos terminais, a sequência de sinapomorfias — e, portanto, a ordem cronológica de divergência — é:
1º nó (base): Vértebras → separa Sardinha (peixe) de todos os demais.
2º nó: Membros locomotores e pulmões → separa Sapo (anfíbio) dos demais.
3º nó: Ovo amniótico → une Jacaré, Pardal e Coelho (os três amniotas) e os separa da linhagem anfíbia/peixe.
4º nó: a partir do "ovo amniótico" a linhagem amniota se bifurca novamente — de um lado o Coelho segue isolado, caracterizado pela sinapomorfia Glândulas mamárias; do outro lado, Jacaré e Pardal permanecem juntos até um nó ainda mais recente.
5º nó (o mais próximo das pontas de toda a árvore): separa finalmente Jacaré de Pardal, rotulado "Adaptação para voo" — caráter exclusivo da linhagem que leva ao pardal (ave).
Subpasso 4.2 — Identificar o par com o ACMR mais recente
Quanto mais próximo da ponta (topo) da árvore estiver o nó de bifurcação entre dois táxons, mais recentemente eles se separaram e, portanto, maior é a semelhança genética entre eles. Comparando as distâncias de cada par até seu ancestral comum:
- Sardinha se separa de todos os demais no nó mais antigo (a base) → menor parentesco possível com qualquer outro animal do cladograma.
- Sapo se separa no segundo nó mais antigo → parentesco baixo com jacaré, pardal e coelho.
- Coelho se separa dos répteis e aves já no nó "ovo amniótico" (3º nó).
- Jacaré e Pardal só se separam um do outro no 5º nó — o mais próximo das pontas de toda a árvore.
Logo, o par jacaré-pardal é aquele cujo ancestral comum é o mais recente de todo o diagrama.
Subpasso 4.3 — Verificação
Esse resultado é coerente com a Biologia evolutiva atual: crocodilianos (jacaré) e aves (pardal) pertencem ao clado Sauropsida/Archosauria e são considerados parentes evolutivos mais próximos entre si do que qualquer um deles é do coelho (mamífero) — conclusão sustentada por estudos moleculares. Confrontando com as alternativas, apenas "jacaré e pardal" corresponde ao par de menor distância até o ancestral comum.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Sapo e jacaré.
❌ Incorreta: o sapo se separa da linhagem que leva a jacaré, pardal e coelho já no 2º nó ("Membros locomotores e pulmões"), muito antes do surgimento do ovo amniótico. Não há nenhum nó exclusivo compartilhado apenas por sapo e jacaré — o ancestral comum entre eles é antigo, e não recente.
B) Jacaré e pardal.
✅ Correta: como demonstrado no Passo 4, jacaré e pardal compartilham o nó mais recente de todo o cladograma (a bifurcação associada à "Adaptação para voo"), posterior até mesmo à separação do coelho. É o par com a menor distância até o ancestral comum e, portanto, com maior semelhança genética.
C) Pardal e coelho.
❌ Incorreta: pardal e coelho só têm um ancestral comum no nó "ovo amniótico" (3º nó), pois o coelho se separa da linhagem répteis+aves justamente nesse ponto, antes mesmo de jacaré e pardal se separarem entre si. Existe um nó mais recente unindo o pardal a outro animal (o jacaré), o que torna essa combinação menos próxima do que a alternativa correta.
D) Sardinha e sapo.
❌ Incorreta: a sardinha é o primeiro ramo a se separar de todos os demais, logo na base do cladograma (nó "Vértebras"). O ancestral comum entre sardinha e sapo é o mais antigo de toda a árvore — na prática, essa é a dupla de MENOR semelhança genética entre todas as opções, o oposto do que o comando pede.
E) Coelho e sardinha.
❌ Incorreta: coelho e sardinha ocupam as extremidades opostas da topologia, e o único ancestral comum entre eles é o nó basal "Vértebras" — o ponto mais distante das pontas em todo o diagrama. É a combinação de menor parentesco genético entre todas as apresentadas.
🏆 Gabarito: B — jacaré e pardal compartilham o ancestral comum mais recente do cladograma (o nó posterior a "ovo amniótico", situado logo antes da "adaptação para voo" exclusiva do pardal), o que os torna o par com maior semelhança genética entre as alternativas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre os cinco animais do cladograma, apenas jacaré e pardal se separam no nó mais próximo das pontas da árvore; qualquer outro par envolve uma divergência mais antiga, de modo que nenhuma outra alternativa pode superar a B.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra cladogramas pedindo para identificar quem é "mais aparentado" com quem, qual sinapomorfia originou um grupo, ou qual táxon é o "grupo externo" (mais basal). A leitura segue sempre a lógica "quanto mais recente o nó comum, maior o parentesco" — nunca a aparência física dos organismos.
- Generalização: em qualquer cladograma, para comparar o parentesco entre dois táxons, localize o nó em que os ramos que levam a eles se encontram e compare sua "altura" em relação à base. Quanto mais próximo das pontas, mais recente a divergência e maior o parentesco genético.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro pares que envolvem a sardinha ou combinações "cruzadas" entre grupos distantes (peixe com mamífero, anfíbio com réptil) — remetem a nós próximos da base. Entre os amniotas restantes, o par com o nó de ligação mais próximo do topo é o de maior parentesco.
- Conexões: cladística de Willi Hennig; relação entre Sauropsida (répteis + aves) dentro de Archosauria; diferença entre classificação filogenética (por ancestralidade) e morfológica tradicional (por semelhança de forma).
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