Mapa de questões · 2º dia
Questão 125 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia
O Brasil possui um nível de irradiação solar tão altoque mesmo no local menos ensolarado do pais é possível gerar mais eletricidade solar que no local mais ensolarado da Alemanha, que investe muito no desenvolvimento e implantação de plantas fotovoltaicas.
o ano de 2013, a quantidade de energia elétrica gerada em toda a Alemanha a partir de células solares, cuja eficiência média é de 15%, somou 30 000 GWh em uma área estimada de 170 km2. Por sua vez, no chamado cinturão solar brasileiro, a irradiação chega a atingir 2 200 kWh/m2 anuais. Uma alternativa de geração de energia elétrica nessa região é a instalação de células solares como as da Alemanha, que podem abastecer milhões de residências. No Brasil, nos últimos anos, o consumo médio residencial foi da ordem de 2 000 kWh anuais.
PIERRO, B. Para aproveitar o sol. Pesquisa Fapesp, n. 258, ago. 2017 (adaptado).
O número de residências, em milhões, que poderiam ser abastecidas caso fossem instalados, no cinturão solar brasileiro, painéis solares com área e eficiência equivalentes aos utilizados na Alemanha é mais próximo de:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Energia Solar Fotovoltaica; conversão de unidades; grandezas proporcionais
- ⚡ Nível: Difícil — exige encadear conversão de área (km² → m²), aplicação de uma eficiência percentual e divisão por um consumo per capita em uma única sequência de cálculos, sem atalhos
- 🎯 Tema/Habilidade: Cálculo do potencial energético fotovoltaico a partir de irradiação solar, eficiência de conversão e área instalada — competência de área que exige reconhecer e relacionar corretamente unidades de medida em contextos tecnológicos e energéticos
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Se o Brasil instalasse, no cinturão solar, uma área de painéis fotovoltaicos igual à área total das usinas solares alemãs (170 km²), quantos milhões de residências brasileiras poderiam ser abastecidas com a energia gerada?"
- Palavras-chave decisivas: 170 km², irradiação de 2 200 kWh/m² anuais, eficiência de 15%, consumo residencial de 2 000 kWh anuais
- Armadilha típica: usar diretamente a energia elétrica gerada na Alemanha (30 000 GWh) em vez de recalcular a energia gerada no Brasil com a irradiação brasileira — ou aplicar a irradiação bruta sem multiplicar pela eficiência de 15% das células
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de montar uma cadeia proporcional coerente — área × irradiação × eficiência ÷ consumo per capita — mantendo as unidades compatíveis (m² com m², kWh com kWh) até chegar a um número de residências em milhões
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Irradiação solar (kWh/m² ao ano): energia solar que incide sobre um metro quadrado de superfície ao longo de um ano; é o "recurso disponível", não a energia elétrica já gerada.
- Eficiência de conversão fotovoltaica: fração da irradiação incidente que a célula solar transforma em eletricidade. Aqui, só 15% da energia que chega aos painéis vira eletricidade utilizável.
- Energia elétrica útil por área: obtida por irradiação × eficiência; é o dado que informa quanta eletricidade aquela área realmente produz por ano.
- Consumo residencial médio como unidade de conversão: dividir a energia total gerada pelo consumo médio de uma residência (2 000 kWh/ano) transforma energia bruta em número de residências abastecíveis — recurso clássico de questões de proporcionalidade do ENEM.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a irradiação chega a atingir 2 200 kWh/m² anuais" → dado que substitui a irradiação alemã na conta; a pergunta é sobre o potencial do Brasil, então os 30 000 GWh alemães servem só de contexto, enquanto a área de 170 km² é reaproveitada para o cálculo brasileiro.
- Evidência 2: "células solares como as da Alemanha", com "eficiência média de 15%" → a tecnologia instalada — logo, a eficiência de 15% — é a mesma; muda apenas a irradiação, bem maior no Brasil.
- Evidência 3: "consumo médio residencial foi da ordem de 2 000 kWh anuais" → fator de conversão final: energia total gerada (kWh) ÷ 2 000 kWh = número de residências abastecidas.
- Síntese: a questão transporta a área alemã (170 km²) para o cinturão solar brasileiro, recalcula a energia com a irradiação e a eficiência informadas e converte o total em "milhões de residências" via consumo médio.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Converter a área para metros quadrados
A área de referência é 170 km². Como a irradiação está em kWh/m², a área precisa estar em m²:
170 km² = 170 × 10⁶ m² (pois 1 km² = 10⁶ m²)
Subpasso 4.2 — Calcular a energia elétrica útil por metro quadrado
A irradiação bruta no cinturão solar brasileiro é 2 200 kWh/m²·ano, mas apenas 15% dessa energia é convertida em eletricidade pelas células fotovoltaicas:
Energia útil por m² = 2 200 × 0,15 = 330 kWh/m²·ano
Subpasso 4.3 — Calcular a energia elétrica total gerada na área
Multiplicando a energia útil por m² pela área total disponível:
Energia total = 330 kWh/m²·ano × 170 × 10⁶ m² = 56 100 × 10⁶ kWh/ano = 5,61 × 10¹⁰ kWh/ano
Subpasso 4.4 — Converter a energia total em número de residências
Cada residência brasileira consome, em média, 2 000 kWh/ano. Dividindo a energia total gerada por esse consumo:
Nº de residências = (5,61 × 10¹⁰) ÷ (2 × 10³) = 2,805 × 10⁷ residências ≈ 28 milhões
Subpasso 4.5 — Verificação
2,805 × 10⁷ = 28 050 000, que arredonda para 28 milhões de residências — exatamente o valor da alternativa C. Todas as unidades foram compatibilizadas (m² com m², kWh com kWh) e a eficiência de 15% foi aplicada uma única vez, como pede o enunciado.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 2,3
❌ Incorreta: erro de ordem de grandeza — o valor sai cerca de mil vezes menor que o correto, como ocorreria se o consumo residencial fosse tratado como se estivesse em GWh em vez de kWh, ou se uma potência de dez se perdesse na conversão de km² para m².
B) 15
❌ Incorreta: é o valor numérico da eficiência (15%) "disfarçado" de resposta. Quem associa o número mais chamativo do texto ao resultado final, sem completar o cálculo, cai nessa armadilha.
C) 28
✅ Correta: é o resultado exato da cadeia de cálculo — área (170 × 10⁶ m²) × irradiação (2 200 kWh/m²·ano) × eficiência (15%) ÷ consumo residencial (2 000 kWh/ano) = 28,05 milhões de residências, arredondado para 28.
D) 56,1
❌ Incorreta: é a energia total gerada em GWh/ano (56 100 GWh, ou 56,1 TWh), calculada corretamente até a etapa 4.3, mas sem a divisão final pelo consumo residencial — erro clássico de parar um passo antes do fim.
E) 187
❌ Incorreta: resulta de ignorar a eficiência de 15% e usar a irradiação bruta (2 200 kWh/m²·ano) direto na conta, sem multiplicar por 0,15 — o que gera um valor cerca de 6,7 vezes maior que o correto (o inverso de 0,15).
🏆 Gabarito: C — 28 milhões de residências é o único valor que resulta da aplicação correta e completa de todas as etapas: conversão de unidades, aplicação da eficiência fotovoltaica e divisão pelo consumo residencial médio.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa C incorpora, ao mesmo tempo, a conversão correta de km² para m², a aplicação da eficiência de 15% e a divisão pelo consumo médio residencial; omitir qualquer uma dessas etapas leva a uma das outras quatro alternativas, construídas como pegadinhas de cálculo incompleto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a questões de "potencial energético" (solar, eólico, hidrelétrico) que testam a capacidade de encadear grandezas de unidades diferentes — irradiação, eficiência, área e consumo — em um único raciocínio proporcional, quase sempre a partir de textos jornalísticos adaptados.
- Generalização: em qualquer conversão de energia (solar, eólica etc.), monte a cadeia como sequência coerente: Energia útil = Área × Irradiação (ou potência) × Eficiência; depois converta o resultado para a unidade final pedida (pessoas, residências, veículos etc.) dividindo pelo consumo unitário de referência.
- Dica de eliminação rápida: compare a ordem de grandeza do resultado com os dados do enunciado. Se a resposta "esqueceu" a eficiência, o valor fica grande demais (como em E); se "esqueceu" a divisão final pelo consumo, o número fica na escala da energia total, não de "milhões de residências" (como em D, que é GWh); descarte de cara alternativas que reproduzem literalmente um dado do texto, como B = 15, a própria eficiência.
- Conexões: matriz energética brasileira e fontes renováveis; proporcionalidade e conversão de unidades, competência recorrente em Física e Matemática do ENEM.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.