Mapa de questões · 2º dia
Questão 101 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 2º Dia
As radiações ionizantes são caracterizadas por terem energia suficiente para arrancar elétrons de um átomo. Ao interagirem com os tecidos do corpo humano, dão origem a diversos efeitos, que podem levar à morte de células. Os principais tipos de radiação ionizante são as radiações gama (originadas em transições nucleares), raios X (originados em transições eletrônicas), alfa (núcleos de hélio), elétrons e nêutrons. O quadro apresenta algumas propriedades para esses diferentes tipos de radiação.

Para uma mesma intensidade de radiação, a que tem o menor poder de penetração em tecidos é a radiação
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Radiações ionizantes; interação radiação-matéria; poder de penetração
- ⚡ Nível: Fácil — basta cruzar dois dados da tabela (massa e carga) com um raciocínio físico direto, sem cálculos
- 🎯 Tema/Habilidade: Propriedades das radiações ionizantes e seu poder de penetração em tecidos biológicos (competência de área: compreender fenômenos naturais e aplicações tecnológicas/biomédicas da radioatividade)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Entre as radiações listadas na tabela, qual é a que penetra MENOS nos tecidos do corpo humano?"
- Palavras-chave decisivas: menor poder de penetração, mesma intensidade, tecidos
- Armadilha típica: confundir "mais perigosa" com "mais penetrante" — na verdade, quanto MENOR a penetração, maior é a capacidade de depositar toda a energia em pouco espaço (o que pode ser até mais lesivo localmente), mas o comando pede exclusivamente sobre alcance físico no tecido, não sobre periculosidade biológica global.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de relacionar massa e carga elétrica da partícula com sua interação eletromagnética ao atravessar a matéria, identificando qual delas perde energia mais rapidamente e para antes.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Radiação ionizante: feixe de partículas ou ondas eletromagnéticas com energia suficiente para arrancar elétrons dos átomos do meio que atravessam, gerando íons.
- Poder de penetração: distância que uma radiação consegue percorrer em um material antes de perder toda a sua energia cinética (ou ser completamente absorvida).
- Interação coulombiana: partículas carregadas eletricamente (íons, elétrons) interagem fortemente com os elétrons e núcleos dos átomos do meio por força elétrica, perdendo energia a cada colisão/desvio — quanto maior a carga e a massa, mais intensa e frequente essa interação.
- Radiação neutra (fóton ou nêutron): por não ter carga elétrica, interage muito menos com a nuvem eletrônica dos átomos, atravessando grandes espessuras de matéria antes de ser absorvida ou espalhada.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "radiações gama (transições nucleares), raios X (transições eletrônicas), alfa (núcleos de hélio), elétrons e nêutrons" → o enunciado já classifica as radiações em dois grupos físicos: ondas eletromagnéticas sem massa (gama, raios X) e partículas com massa (alfa, elétrons, nêutrons).
- Evidência 2 (tabela da figura): Gama (massa 0, carga 0); Raios X (massa 0, carga 0); Alfa (massa 4 u.m.a., carga +2); Elétrons (massa 1/2000 u.m.a., carga −1); Nêutrons (massa 1 u.m.a., carga 0) → a radiação alfa é, ao mesmo tempo, a mais massiva e a mais carregada de todas as listadas — combinação que maximiza a interação eletromagnética com o meio.
- Síntese: cruzando as duas evidências, a busca pela menor penetração se resume a encontrar quem tem maior "capacidade de freamento" no tecido — e essa capacidade cresce com massa × carga². A alfa vence essa combinação disparado, pois é a única com carga dupla (+2) e massa 4, muito acima dos elétrons (praticamente sem massa) e dos nêutrons e fótons (sem carga).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Separar radiações carregadas de radiações neutras
Olhando a coluna "Carga" da tabela: gama (0), raios X (0) e nêutrons (0) não têm carga elétrica. Já alfa (+2) e elétrons (−1) são partículas carregadas. Isso já é decisivo: partículas sem carga não sofrem a força coulombiana ao passar perto dos elétrons dos átomos do tecido, então interagem raramente — precisam de colisões diretas (nucleares, no caso do nêutron) ou processos específicos (efeito fotoelétrico, Compton, produção de pares, no caso dos fótons gama/X) para depositar energia. Isso as torna, de saída, as radiações mais penetrantes, e por isso exigem blindagens grossas de chumbo ou concreto.
Subpasso 4.2 — Comparar as partículas carregadas entre si (alfa × elétrons)
Restam alfa e elétrons na disputa pela menor penetração, já que ambas interagem fortemente por força elétrica. A intensidade dessa interação (e, portanto, a taxa de perda de energia por unidade de percurso, chamada de "transferência linear de energia") cresce com o quadrado da carga e com a massa da partícula:
- Alfa: massa = 4 u.m.a., carga = +2 → carga² = 4. Uma partícula pesada e duplamente carregada colide constantemente com os átomos do meio, perdendo energia muito rápido — percorre apenas alguns centímetros no ar e é barrada por uma simples folha de papel ou pela camada morta da pele.
- Elétrons (radiação beta): massa ≈ 1/2000 u.m.a. (quase 2000× mais leve que a alfa), carga = −1 → carga² = 1. Por ser muito mais leve, o elétron sofre menos colisões efetivas por trajeto e é desviado (não freado abruptamente), conseguindo avançar mais fundo — penetração intermediária, barrada apenas por uma fina placa de alumínio.
Subpasso 4.3 — Verificação
Colocando as cinco radiações em ordem crescente de penetração:
alfa < elétrons (beta) < nêutrons < raios X < gama.
A alfa é, portanto, a de menor alcance — exatamente porque combina a maior massa com a maior carga elétrica da tabela, freando quase instantaneamente ao colidir com os átomos do tecido. O resultado bate com o conhecimento consolidado de radioproteção (alfa para em papel; beta em alumínio; gama/X e nêutrons exigem blindagens espessas), confirmando a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) alfa.
✅ Correta: é a partícula mais massiva (4 u.m.a.) e com maior carga elétrica (+2) da tabela. Essa combinação maximiza a interação coulombiana com os átomos do tecido, fazendo-a perder toda a energia em pouquíssima distância — é barrada até pela camada morta da pele ou por uma folha de papel.
B) gama.
❌ Incorreta: tem massa 0 e carga 0. Sem carga elétrica, praticamente não interage por força coulombiana com os elétrons do meio, dependendo de processos raros (efeito fotoelétrico, espalhamento Compton) para ser absorvida — por isso é a radiação de MAIOR poder de penetração da tabela, exigindo blindagem de chumbo.
C) raios X.
❌ Incorreta: assim como a gama, tem massa 0 e carga 0 (a diferença entre elas é apenas a origem: transição eletrônica versus nuclear, não o poder de penetração). Por ser eletromagnética e neutra, também atravessa grandes espessuras de tecido antes de ser absorvida.
D) elétrons.
❌ Incorreta: tem carga (−1), mas massa muito pequena (1/2000 u.m.a.) comparada à alfa. Por ser quase 2000 vezes mais leve, sofre menos colisões de freamento efetivo e consegue avançar mais no tecido — penetração intermediária (radiação beta), maior que a da alfa, porém menor que a de gama, raios X e nêutrons.
E) nêutrons.
❌ Incorreta: apesar de ter massa considerável (1 u.m.a.), tem carga elétrica nula. Sem carga, não sofre a forte repulsão/atração coulombiana que freia rapidamente a alfa; interage com o meio apenas por colisões nucleares diretas, que são raras — por isso os nêutrons têm alto poder de penetração, exigindo blindagens específicas (como água ou parafina) para serem contidos.
🏆 Gabarito: A — a radiação alfa combina a maior massa (4 u.m.a.) com a maior carga elétrica (+2) entre todas as opções, o que maximiza sua interação com os átomos do tecido e faz com que perca toda a energia em distância mínima, sendo a de menor poder de penetração.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: nenhuma outra radiação da tabela reúne simultaneamente massa alta e carga alta como a alfa; é essa dupla característica que a torna a menos penetrante, tornando a letra A a única resposta compatível com os dados fornecidos.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma explorar radioatividade cobrando a relação entre propriedades da partícula (massa, carga) e seu comportamento físico (penetração, ionização, blindagem necessária), muitas vezes usando tabelas comparativas como gancho de leitura de dados, tal como nesta questão.
- Generalização: de forma geral, quanto maior a massa e a carga elétrica de uma radiação, MAIOR seu poder de ionização localizada e MENOR seu poder de penetração — massa e carga "freiam" a partícula ao interagir eletricamente com o meio; radiações sem carga (fótons, nêutrons) tendem a penetrar muito mais.
- Dica de eliminação rápida: decore a escala clássica de blindagem — alfa (papel) < beta/elétrons (alumínio) < gama/raios X e nêutrons (chumbo/concreto/água). Em qualquer questão sobre "menor penetração", a resposta quase sempre será alfa; sobre "maior penetração", gama (ou nêutrons, dependendo do contexto).
- Conexões: efeitos biológicos da radiação (contaminação interna × externa), datação radioativa, aplicações médicas de raios X e radioterapia com gama.
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