Mapa de questões · 1º dia
Questão 73 — ENEM 2020 Digital
Somada à produção voltada para o mercado interno está a expansão das culturas de exportação, via de regra financiadas com incentivos fiscais oriundos das políticas territoriais do Estado. Combinando mercado interno e externo, o Estado atuou no sentido de incrementar a produção, principalmente de grãos.
OLIVEIRA, A. U. Agricultura brasileira: transformações recentes. In: ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil.
São Paulo: Edusp, 2008 (adaptado).
A atuação do Estado brasileiro na atividade descrita ocasionou mudanças socioespaciais marcadas pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Modernização agrícola brasileira; políticas territoriais; fronteira agrícola
- ⚡ Nível: Médio — várias alternativas soam plausíveis, e a escolha depende do que o Estado efetivamente produziu no território
- 🎯 Tema/Habilidade: Relacionar políticas públicas de incentivo à produção a transformações socioespaciais
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que mudou no território brasileiro por causa dos incentivos estatais à produção de grãos?"
- Palavras-chave decisivas: expansão das culturas de exportação, financiadas com incentivos fiscais oriundos das políticas territoriais do Estado, o Estado atuou no sentido de incrementar a produção, principalmente de grãos
- Armadilha típica: escolher alternativas que sugerem redistribuição de terras ou prioridade ao abastecimento interno, contrariando o modelo adotado
- O que a resposta precisa demonstrar: que os incentivos empurraram a produção para novas áreas, deslocando a fronteira agrícola
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Políticas territoriais: ações do Estado que orientam a ocupação e o uso do território — crédito subsidiado, isenções fiscais, estradas, pesquisa agropecuária.
- Fronteira agrícola: faixa em que a produção avança sobre áreas antes não cultivadas; no Brasil, avançou sobre Cerrado e Amazônia a partir dos anos 1970.
- Incentivos fiscais: renúncia de receita para estimular determinada atividade em determinada região; base de programas como o Polocentro e o Prodecer.
- Culturas de exportação: soja, milho e algodão, voltados ao mercado externo e produzidos em larga escala.
- Modernização conservadora: aumento da produção e da produtividade sem alteração da estrutura fundiária concentrada.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a expansão das culturas de exportação" → o movimento descrito é de crescimento em área e em volume.
- Evidência 2: "via de regra financiadas com incentivos fiscais oriundos das políticas territoriais do Estado" → a expressão "políticas territoriais" indica que a ação estatal tinha alvo espacial: estimular a produção em determinadas regiões.
- Evidência 3: "Combinando mercado interno e externo, o Estado atuou no sentido de incrementar a produção, principalmente de grãos" → grãos em larga escala exigem grandes extensões planas e mecanizáveis.
- Síntese: incentivos fiscais dirigidos ao território, somados à demanda por grãos, resultaram na incorporação de novas áreas à produção — o deslocamento da fronteira agrícola.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Ler a expressão-chave
"Políticas territoriais" é o termo decisivo. Não se trata apenas de crédito genérico: são políticas que atuam sobre o espaço, tornando atrativas regiões antes marginais à agricultura comercial. Foi assim que o Cerrado, com solos ácidos e pouco valorizados até os anos 1970, se converteu em grande produtor de grãos.
Subpasso 4.2 — Ligar isso ao efeito socioespacial
Com isenções e crédito subsidiado, empresas e produtores migraram para o Centro-Oeste e, depois, para o Matopiba, abrindo lavouras onde antes havia vegetação nativa ou pecuária extensiva. Surgiram cidades, estradas e portos graneleiros. O território agrícola brasileiro foi redesenhado: é a reconfiguração da fronteira agrícola.
Subpasso 4.3 — Verificação
As demais alternativas descrevem efeitos que não ocorreram. A expansão atraiu migrantes em vez de contê-los; não houve reforma da estrutura fundiária, que permaneceu concentrada; a prioridade foi a exportação, não o abastecimento local; e o modelo é intensivo em insumos, não sustentável. Alternativa D confirmada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) contenção do fluxo migratório.
❌ Incorreta: o efeito foi oposto. A abertura de novas áreas agrícolas no Centro-Oeste e no Norte atraiu grandes contingentes de migrantes, sobretudo do Sul e do Nordeste, intensificando os deslocamentos internos.
B) alteração da estrutura fundiária.
❌ Incorreta: a modernização brasileira foi conservadora — aumentou produção e produtividade sem redistribuir terras. A estrutura fundiária permaneceu concentrada e, em muitas frentes, a concentração até se acentuou.
C) priorização do abastecimento local.
❌ Incorreta: contraria o texto, que fala em "expansão das culturas de exportação". O mercado interno é citado como combinação, mas o vetor destacado é o externo.
D) reconfiguração da fronteira agrícola.
✅ Correta: os incentivos fiscais das "políticas territoriais do Estado", associados à produção de grãos para exportação, tornaram viável o cultivo em regiões antes marginais, como o Cerrado e, mais tarde, o Matopiba. A produção avançou sobre novas áreas e redesenhou o mapa agrícola do país.
E) concentração da produção sustentável.
❌ Incorreta: o modelo descrito é o do agronegócio de larga escala, intensivo em insumos e associado a desmatamento e uso de agrotóxicos. Não se trata de produção sustentável, nem o texto menciona esse critério.
🏆 Gabarito: D — Incentivos fiscais com alvo territorial viabilizaram a produção de grãos em regiões antes marginais, deslocando e redesenhando a fronteira agrícola brasileira.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve uma transformação espacial efetiva; A inverte o efeito migratório, B supõe reforma inexistente, C contraria o texto e E atribui sustentabilidade ao modelo.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra a modernização agrícola brasileira, seus incentivos estatais e seus impactos sobre território, migrações e meio ambiente.
- Generalização: "modernização conservadora" é a chave do caso brasileiro — houve mudança técnica e espacial sem mudança na propriedade da terra.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que afirmem redistribuição fundiária ou sustentabilidade; nenhuma das duas caracteriza o processo brasileiro.
- Conexões: ocupação do Cerrado e Polocentro; Matopiba; Embrapa e Revolução Verde.
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