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Mapa de questões · 1º dia
HumanasFilosofiaMédio

Questão 60ENEM 2020 Digital

TEXTO I

C = M + D − R. A equação, desenvolvida pelo economista Robert Klitgaard, descreve a corrupção. Traduzindo-a em palavras, temos que a corrupção (C) é dada pelo grau de monopólio (M) existente no serviço público, mais o poder discricionário (D) que as autoridades têm para tomar decisões, menos a responsabilização (R), que é basicamente a existência de mecanismos de controle. Outras versões da fórmula acrescentam ao R uma dimensão moral, que também funcionaria como barreira contra a cultura da corrupção.

SCHWARTSMAN, H. Fórmula da corrupção. Disponível em: www.folha.uol.com.br. Acesso em: 26 abr. 2015 (adaptado).

TEXTO II

Corrupção significa transação ou troca entre quem corrompe e quem se deixa corromper. Trata-se normalmente de uma promessa de recompensa em troca de um comportamento que favoreça os interesses do corruptor. A corrupção não está ligada apenas ao grau de institucionalização, à amplitude do setor público e ao ritmo das mudanças sociais; está também relacionada com a cultura das elites e das massas. Depende da percepção que tende a variar no tempo e no espaço.

BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília: UnB, 2009 (adaptado).

O segundo texto complementa a compreensão do fenômeno da corrupção tal como abordado no primeiro texto, na medida em que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Corrupção; relação entre Estado e agentes privados
  • ⚡ Nível: Médio — exige comparar o recorte de dois textos e identificar o que o segundo acrescenta
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer como um texto complementa a compreensão de um fenômeno apresentado por outro
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que o Texto II acrescenta à explicação de corrupção dada pelo Texto I?"
  • Palavras-chave decisivas: grau de monopólio existente no serviço público, poder discricionário que as autoridades têm, responsabilização (Texto I); transação ou troca entre quem corrompe e quem se deixa corromper, promessa de recompensa em troca de um comportamento que favoreça os interesses do corruptor (Texto II)
  • Armadilha típica: escolher alternativas sobre Judiciário, empresas ou sociedade civil, que não aparecem em nenhum dos textos
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o Texto I olha só para dentro do Estado, e o Texto II inclui o agente que corrompe, vindo de fora

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Fórmula de Klitgaard (C = M + D − R): modelo que explica a corrupção pelas condições internas da administração pública — monopólio, discricionariedade e falta de responsabilização.
  • Corruptor x corrupto: a corrupção envolve dois polos; o Texto I trata do segundo, o Texto II introduz o primeiro.
  • Poder discricionário: margem de decisão que a autoridade tem sem regras estritas que a vinculem.
  • Responsabilização (accountability): mecanismos de controle e prestação de contas que reduzem a corrupção.
  • Dimensão cultural: o Texto II acrescenta que a percepção da corrupção varia no tempo e no espaço, conforme a cultura das elites e das massas.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (Texto I): "a corrupção (C) é dada pelo grau de monopólio (M) existente no serviço público, mais o poder discricionário (D) que as autoridades têm... menos a responsabilização (R)" → todas as variáveis são internas ao aparelho estatal.
  • Evidência 2 (Texto II): "Corrupção significa transação ou troca entre quem corrompe e quem se deixa corromper" → aparece um segundo sujeito, o corruptor.
  • Evidência 3 (Texto II): "uma promessa de recompensa em troca de um comportamento que favoreça os interesses do corruptor" → esse sujeito tem interesses próprios e oferece a recompensa; ele não é servidor público.
  • Evidência 4 (Texto II): "está também relacionada com a cultura das elites e das massas" → amplia a análise para além das instituições.
  • Síntese: o Texto II desloca a corrupção de um problema interno da administração para uma relação que envolve agentes de fora do Estado.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Delimitar o alcance do Texto I

A fórmula de Klitgaard é integralmente institucional: mede monopólio no serviço público, poder de decisão das autoridades e existência de controles. Todas as variáveis descrevem como o Estado está organizado. Nessa leitura, a corrupção seria um defeito interno da máquina pública.

Subpasso 4.2 — Identificar o acréscimo do Texto II

O segundo texto começa definindo corrupção como "transação ou troca" — palavra que exige duas partes. E nomeia a segunda: "quem corrompe", o "corruptor", que oferece recompensa para que seus interesses sejam favorecidos. Esse agente não pertence ao serviço público; vem de fora e é parte constitutiva do fenômeno. Sem ele, não há corrupção.

Subpasso 4.3 — Verificação

O complemento oferecido é, portanto, a inclusão de agentes externos ao Estado na análise — o que a fórmula do Texto I não contempla. Alternativa B confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) comprova a limitação do sistema normativo pátrio.

❌ Incorreta: nenhum dos textos analisa a legislação brasileira. O Texto II é verbete de um dicionário de política de alcance geral, e o Texto I apresenta uma fórmula aplicável a qualquer país.

B) evidencia a atuação de agentes externos ao Estado.

✅ Correta: enquanto o Texto I explica a corrupção apenas por variáveis internas do serviço público — monopólio, poder discricionário e responsabilização —, o Texto II a define como "transação ou troca entre quem corrompe e quem se deixa corromper", introduzindo o corruptor, agente de fora do aparelho estatal que oferece recompensa para ver seus interesses favorecidos.

C) elucida o padrão de idoneidade do setor empresarial.

❌ Incorreta: o corruptor não é identificado como empresa em nenhum momento; pode ser qualquer particular. E não há avaliação sobre a conduta do setor empresarial.

D) minimiza a capacidade de mobilização da sociedade civil.

❌ Incorreta: o Texto II não diminui o papel da sociedade — ao contrário, ao mencionar "a cultura das elites e das massas", amplia a análise para além do Estado, sem emitir juízo sobre capacidade de mobilização.

E) demonstra a influência dos atores vinculados ao Judiciário.

❌ Incorreta: o Judiciário não é citado. A "responsabilização" do Texto I refere-se a mecanismos de controle em geral, e o Texto II trata da relação entre corruptor e corrupto, não de julgamento.

🏆 Gabarito: B — O Texto I explica a corrupção só por variáveis internas do serviço público; o Texto II a define como troca e introduz o corruptor, agente externo ao Estado sem o qual o fenômeno não existe.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que nomeia o acréscimo do segundo texto; A, C, D e E introduzem atores e juízos ausentes de ambos.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra corrupção como fenômeno relacional e cultural, e não apenas como falha moral de agentes públicos.
  • Generalização: quando um texto "complementa" outro, delimite o alcance do primeiro e procure o que o segundo inclui a mais. A resposta está na diferença, não na soma.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que citem instituições ausentes dos textos — Judiciário, legislação nacional, setor empresarial.
  • Conexões: fórmula de Klitgaard; accountability e controle social; dimensão cultural da corrupção.

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