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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 48ENEM 2020 Digital

DAVID, J-L. A coroação de Napoleão (detalhe). Óleo sobre tela, 621 x 979 cm. Louvre, França, 1807.

Disponível em: http://theweddingtiara.com. Acesso em: 8 abr. 2015.

O gesto representado no quadro simboliza uma diferença entre o império napoleônico e a monarquia absolutista, por

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Era Napoleônica; absolutismo e legitimidade do poder; pintura como fonte histórica
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um gesto pictórico à luz da teoria política do Antigo Regime
  • 🎯 Tema/Habilidade: Ler uma obra de arte como documento das transformações políticas de seu tempo
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que o gesto de Napoleão segurando a coroa diz sobre a diferença entre seu império e a monarquia absolutista?"
  • Palavras-chave decisivas: A coroação de Napoleão, O gesto representado no quadro simboliza uma diferença entre o império napoleônico e a monarquia absolutista
  • Armadilha típica: buscar diferenças administrativas ou jurídicas do período napoleônico, que existiram mas não estão no gesto retratado
  • O que a resposta precisa demonstrar: que, ao coroar-se, Napoleão retira da Igreja o papel de legitimadora do poder

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Direito divino dos reis: doutrina que fundamentava o absolutismo — o poder do monarca vinha de Deus, e a Igreja o confirmava na cerimônia de sagração.
  • Coroação de 1804: na Catedral de Notre-Dame, com o papa Pio VII presente, Napoleão tomou a coroa e coroou a si mesmo e à imperatriz Josefina.
  • Jacques-Louis David: pintor oficial do regime, autor da tela que registra e monumentaliza o episódio.
  • Legitimidade pela nação: o poder napoleônico se apoiava no mérito militar e em plebiscitos, e não na unção divina.
  • Concordata de 1801: acordo que reorganizou a relação entre Estado e Igreja na França, submetendo o clero ao poder civil.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem): Napoleão aparece de pé, no centro, erguendo a coroa com as próprias mãos, acima da cabeça.
  • Evidência 2 (imagem): ao redor, figuras do clero — mitras, báculos, paramentos bordados — observam a cena, sem participar do ato.
  • Evidência 3 (imagem): o imperador está com os trajes de coroação, em posição elevada, ocupando o eixo da composição.
  • Evidência 4 (dado histórico do enunciado): a obra é de 1807 e retrata a coroação, momento em que a legitimidade do novo poder é encenada publicamente.
  • Síntese: quem coroa é o próprio Napoleão; o clero assiste. A autoridade que antes sagrava o monarca foi reduzida à condição de testemunha.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Recuperar o significado tradicional da cerimônia

Nas monarquias absolutistas, a sagração era o momento em que a Igreja confirmava publicamente que o poder do rei vinha de Deus. O papa ou um bispo colocava a coroa na cabeça do soberano. O gesto continha uma afirmação teórica: sem a mediação religiosa, não haveria legitimidade.

Subpasso 4.2 — Ler a inversão praticada por Napoleão

Em Notre-Dame, com o papa presente, Napoleão toma a coroa e a ergue ele mesmo. David registra exatamente esse instante. A alteração é decisiva: o imperador não recebe o poder de ninguém — ele o assume. A Igreja permanece no cenário, mas perde a função de conferir autoridade, tornando-se moldura de um ato que não depende dela.

Subpasso 4.3 — Verificação

O gesto simboliza, portanto, a redução da autoridade do clero na legitimação do poder político. É a alternativa A. As demais mencionam ações do período napoleônico ou temas correlatos, mas nenhuma delas é o que o gesto representa. Confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) reduzir a autoridade do clero.

✅ Correta: nas monarquias absolutistas, a Igreja sagrava o rei, confirmando que seu poder vinha de Deus. Na tela, Napoleão ergue a coroa com as próprias mãos enquanto o clero apenas assiste. O gesto retira da autoridade religiosa o papel de legitimadora do poder, marcando a diferença entre o império napoleônico e o absolutismo de direito divino.

B) instaurar a censura da imprensa.

❌ Incorreta: Napoleão de fato censurou a imprensa, mas isso não tem relação com o gesto retratado nem seria visível em uma cena de coroação. A questão pede o que o gesto simboliza.

C) controlar a organização judiciária.

❌ Incorreta: o Código Civil de 1804 reorganizou o direito francês, mas essa transformação não está representada na cena. Além disso, o controle sobre a justiça também existia nas monarquias absolutistas.

D) suspender as pensões da nobreza.

❌ Incorreta: a questão das pensões e privilégios nobiliárquicos foi tratada na Revolução Francesa, anos antes, e não é o que o quadro representa. O gesto diz respeito à relação com a Igreja, não com a nobreza.

E) desrespeitar a propriedade privada.

❌ Incorreta: contraria a orientação do regime. O Código Napoleônico consolidou a propriedade privada como direito fundamental, atendendo aos interesses da burguesia que sustentava o imperador.

🏆 Gabarito: A — Ao erguer a coroa com as próprias mãos diante de um clero reduzido a espectador, Napoleão dispensa a sagração religiosa e diminui a autoridade da Igreja na legitimação do poder.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: A é a única alternativa que interpreta o gesto retratado; B, C, D e E citam medidas do período ou temas correlatos que a cena não representa.
  • Padrão de cobrança: o ENEM usa pintura histórica como fonte, exigindo leitura do gesto, da composição e do contexto político.
  • Generalização: em obras oficiais, cada elemento é escolhido para afirmar algo. Pergunte quem ocupa o centro, quem age e quem apenas observa.
  • Dica de eliminação rápida: o comando pede o que o GESTO simboliza. Descarte alternativas que citem políticas do governo sem relação com o que está pintado.
  • Conexões: direito divino e absolutismo; Concordata de 1801; David e a arte a serviço do poder.

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