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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 51ENEM 2020 Digital

Os sofistas inventam a educação em ambiente artificial, o que se tornará uma das características de nossa civilização. Eles são os profissionais do ensino, antes de tudo pedagogos, ainda que seja necessário reconhecer a notável originalidade de um Protágoras, de um Górgias ou de um Antifonte, por exemplo. Por um salário, eles ensinavam a seus alunos receitas que lhes permitiam persuadir os ouvintes, defender, com a mesma habilidade, o pró e o contra, conforme o entendimento de cada um.

HADOT, P. O que é a filosofia antiga? São Paulo: Loyola, 2010 (adaptado).

O texto apresenta uma característica dos sofistas, mestres da oratória que defendiam a(o)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Sofistas; retórica; relativismo na Grécia Antiga
  • ⚡ Nível: Médio — as alternativas remetem a correntes distintas, e é preciso reconhecer a de cada uma
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificar a posição filosófica dos sofistas a partir de sua prática de ensino
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que posição filosófica está por trás do modo como os sofistas ensinavam?"
  • Palavras-chave decisivas: Por um salário, receitas que lhes permitiam persuadir os ouvintes, defender, com a mesma habilidade, o pró e o contra, conforme o entendimento de cada um
  • Armadilha típica: escolher alternativas que descrevem Platão (reminiscência), Sócrates (virtude) ou a ciência moderna, atribuindo-as aos sofistas
  • O que a resposta precisa demonstrar: que ensinar a defender teses opostas com igual habilidade pressupõe que não há verdade única e absoluta

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Sofistas: mestres itinerantes do século V a.C. que ensinavam retórica e argumentação mediante pagamento; Protágoras, Górgias e Antifonte estão entre os principais.
  • Relativismo: posição segundo a qual verdade e valor dependem do sujeito, do contexto ou da convenção; sintetizada por Protágoras em "o homem é a medida de todas as coisas".
  • Nomos x physis: oposição entre o que é por convenção (leis, instituições, costumes) e o que é por natureza; para os sofistas, a ordem política pertence ao nomos.
  • Retórica: arte de persuadir, cultivada como técnica autônoma em relação ao conteúdo defendido.
  • Reminiscência: doutrina platônica de que conhecer é lembrar ideias contempladas pela alma — posição oposta à dos sofistas.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Eles são os profissionais do ensino... Por um salário" → o ensino é serviço remunerado, o que já os distingue de Sócrates e escandalizou seus críticos.
  • Evidência 2: "receitas que lhes permitiam persuadir os ouvintes" → o objetivo é a eficácia persuasiva, não a busca da verdade.
  • Evidência 3: "defender, com a mesma habilidade, o pró e o contra" → se as duas posições podem ser sustentadas igualmente bem, nenhuma delas é verdadeira em absoluto.
  • Evidência 4: "conforme o entendimento de cada um" → o critério passa a ser o sujeito, não uma verdade objetiva.
  • Síntese: a prática descrita só faz sentido sob a premissa de que verdade e valores são relativos, dependentes de convenção e de ponto de vista.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Extrair a premissa implícita na prática de ensino

Ensinar alguém a defender o pró e o contra com igual competência só é coerente se nenhuma das posições for verdadeira por natureza. Se houvesse uma verdade única e demonstrável, defender o lado errado seria erro, não habilidade. A técnica sofística pressupõe, portanto, que as teses valem conforme a situação e o auditório.

Subpasso 4.2 — Ligar essa premissa às instituições políticas

Se não há verdade natural sobre o justo, as leis e as instituições não decorrem da physis, mas do nomos — são acordos humanos, convenções que poderiam ser diferentes. É esse o desdobramento político do relativismo sofístico, e é exatamente o que a alternativa B nomeia ao falar em "convencionalidade das instituições políticas".

Subpasso 4.3 — Verificação

Todas as demais alternativas descrevem posições incompatíveis com o texto: reminiscência é Platão; virtude como fim da educação é Sócrates; ciência empírica com conceitos universais é anacronismo; e lei divina não aparece no fragmento. Alternativa B confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ideia do bem, demonstrado na mente com base na teoria da reminiscência.

❌ Incorreta: a reminiscência e a Ideia do Bem são doutrinas platônicas, formuladas em oposição aos sofistas. Platão sustenta verdades eternas acessíveis pela alma; os sofistas, ao contrário, ensinam a sustentar qualquer posição.

B) relativismo, evidenciado na convencionalidade das instituições políticas.

✅ Correta: ensinar a "defender, com a mesma habilidade, o pró e o contra, conforme o entendimento de cada um" pressupõe que não há verdade única. Desse princípio decorre que leis e instituições são convenções humanas (nomos), e não realidades naturais — posição que Protágoras sintetizou ao afirmar que o homem é a medida de todas as coisas.

C) ética, aprimorada pela educação de cada indivíduo com base na virtude.

❌ Incorreta: descreve o projeto socrático, que busca a virtude pelo exame de si e recusa a cobrança pelo ensino. O texto apresenta os sofistas ensinando técnicas de persuasão mediante salário, sem compromisso com o aperfeiçoamento moral.

D) ciência, comprovada empiricamente por meio de conceitos universais.

❌ Incorreta: é anacrônica. O método científico moderno é posterior em cerca de dois milênios, e a busca de conceitos universais contradiz frontalmente o relativismo sofístico.

E) religião, revelada pelos mandamentos das leis divinas.

❌ Incorreta: não há qualquer menção a divindades ou leis reveladas. Os sofistas fundamentam a ordem social na convenção humana, e alguns, como Protágoras, adotavam posição agnóstica quanto aos deuses.

🏆 Gabarito: B — Ensinar a sustentar o pró e o contra com igual habilidade pressupõe que não há verdade absoluta; daí o relativismo sofístico e a compreensão das instituições políticas como convenções humanas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa coerente com a prática descrita; A e C pertencem a Platão e Sócrates, D é anacrônica e E introduz religiosidade ausente.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra os sofistas em contraste com Sócrates e Platão, geralmente pela chave relativismo x verdade absoluta.
  • Generalização: identifique a corrente pela prática descrita, não pelo vocabulário elevado das alternativas. Cobrar pelo ensino e treinar persuasão são marcas sofísticas.
  • Dica de eliminação rápida: reminiscência, Ideia do Bem e virtude como fim são etiquetas platônico-socráticas — descarte-as sempre que o texto tratar de sofistas.
  • Conexões: nomos e physis; Protágoras e o homem como medida; retórica e democracia ateniense.

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