Mapa de questões · 1º dia
Questão 30 — ENEM 2020 Digital

Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura de texto multissemiótico (linguagem verbal + linguagem visual) em peça publicitária de campanha social
- ⚡ Nível: Médio — exige articular o léxico bélico do slogan com os elementos simbólicos da imagem, descartando quatro alternativas que soam parecidas mas invertem o sentido de mobilização do cartaz
- 🎯 Tema/Habilidade: Efeito de sentido produzido pela combinação entre texto verbal e não verbal em peça de campanha social (competência de leitura de linguagens e códigos, ENEM — Linguagens)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual ideia é reforçada pela junção entre a frase 'para nós, a rua é um campo de batalha' e a imagem da campanha 'Chega de Fiu Fiu!'?"
- Palavras-chave decisivas: campo de batalha, assédio, defender-se
- Armadilha típica: confundir o tecido que cobre parte do rosto da personagem com uma mordaça imposta por terceiros (levando às alternativas de "silêncio" ou "esconder-se"), quando a composição visual sugere proteção e prontidão, não censura ou fuga.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de integrar a metáfora verbal de guerra ("campo de batalha") com a iconografia de proteção da imagem para concluir que a peça convoca a mulher a se posicionar em defesa diante do assédio.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Texto multissemiótico: combina palavra e imagem produzindo um sentido que nenhuma das duas linguagens alcançaria isoladamente; a leitura correta exige interpretá-las juntas.
- Metáfora: figura de linguagem que transporta o sentido de um domínio (a guerra) para outro (a convivência na rua), sem afirmar literalmente que exista combate armado — o efeito é de comparação implícita.
- Linguagem de campanha social: usa recursos persuasivos (imagem de impacto, slogan direto) para sensibilizar o público e convocá-lo à ação; por natureza, aponta para mobilização, não para resignação.
- Semiótica da imagem (heráldica): molduras em forma de brasão/escudo, ligadas tradicionalmente a proteção e resistência, reforçam sentido de defesa, não de fragilidade.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "para nós, a rua é um campo de batalha" → emprega vocabulário bélico para caracterizar o espaço público como hostil às mulheres, cenário que demanda estratégia e resistência — não fuga ou silêncio.
- Evidência 2: a personagem aparece emoldurada como em um brasão ornamentado, com um tecido cobrindo nariz e boca (à maneira de uma bandana de guerreira) e olhar dirigido de frente para quem observa → a composição remete a indumentária de proteção e postura de vigilância, e não a uma mordaça imposta por outra pessoa — é a própria personagem que "veste" esse elemento, como quem se prepara para o confronto.
- Síntese: o cruzamento entre o léxico de guerra do texto verbal e a iconografia de proteção do texto visual constrói a metáfora de que a mulher, ao ocupar a rua, precisa se armar e se defender do assédio — ela não está sendo calada nem se escondendo, está se posicionando para resistir.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o gênero e a finalidade do texto
A peça analisada é um cartaz da campanha real "Chega de Fiu Fiu!", que combate o assédio sexual sofrido por mulheres em espaços públicos. Cartazes de campanha têm finalidade persuasiva: sensibilizar o leitor e mobilizá-lo para uma causa. Isso já orienta a leitura — interpretações que apontam para passividade total, silenciamento ou impotência tendem a contrariar a própria função social do gênero, que é engajar e fortalecer, não resignar.
Subpasso 4.2 — Cruzar a metáfora verbal com os elementos visuais
"Campo de batalha" não é uma afirmação literal, é uma comparação implícita: a rua equivale, para as mulheres, a um espaço de conflito constante — sujeito a ataques (o assédio) que exigem reação. Na imagem, esse sentido é reforçado por três elementos: (1) a moldura em formato de brasão/escudo, símbolo historicamente associado a proteção de quem enfrenta uma ameaça; (2) o tecido sobre boca e nariz, que lembra o acessório usado por combatentes para se proteger — e que a própria personagem porta, não uma mordaça colocada por outra pessoa; (3) o olhar fixo e direto, sinal de vigilância e prontidão, incompatível com medo passivo ou tentativa de se ocultar.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando contra as alternativas: se o sentido fosse "silêncio imposto" (A) ou "tentativa de esconder-se" (C/D), o verbo predominante seria de fuga ou de censura vinda de fora — mas o texto verbal usa "batalha", palavra que pressupõe ação e confronto, não fuga. Se fosse "incapacidade de se proteger" (E), o cartaz contradiria a própria proposta da campanha, que é fortalecer, não anunciar a derrota das mulheres. A única leitura compatível com o léxico bélico do slogan e com a iconografia de proteção da imagem é a de que texto e imagem constroem juntos a metáfora da mulher que precisa se defender do assédio — o que converge para a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) silêncio imposto às mulheres, que não podem denunciar o assédio sofrido.
❌ Incorreta: inverte o propósito do cartaz. A campanha "Chega de Fiu Fiu!" existe justamente para dar visibilidade e voz ao problema do assédio, não para reforçar que as mulheres são impedidas de denunciá-lo. O tecido sobre a boca não representa censura vinda de terceiros, mas um item que a própria personagem porta dentro da metáfora da "batalha".
B) metáfora de que as mulheres precisam defender-se do assédio masculino.
✅ Correta: é a única leitura que integra coerentemente o léxico bélico do texto verbal ("campo de batalha") com a iconografia de proteção da imagem (moldura em brasão, tecido como equipamento, olhar de vigilância). O cartaz convoca a mulher a se posicionar diante do assédio, não a se calar, se esconder ou se resignar.
C) constrangimento pelo qual passam as mulheres e sua tentativa de esconderem-se.
❌ Incorreta: "esconder-se" contraria a postura frontal e vigilante da personagem, que olha diretamente para quem observa o cartaz — sinal de enfrentamento, e não de ocultação ou fuga.
D) necessidade que as mulheres têm de passarem despercebidas para evitar o assédio.
❌ Incorreta: "passar despercebida" não dialoga com a metáfora de "campo de batalha", que pressupõe presença ativa e conflito — exatamente o oposto de uma estratégia de invisibilidade.
E) incapacidade de as mulheres protegerem-se da agressão verbal dos assediadores.
❌ Incorreta: contraria o propósito mobilizador de toda campanha social, que busca fortalecer e instrumentalizar seu público-alvo, e não afirmar sua impotência diante da violência.
🏆 Gabarito: B — a peça publicitária articula o vocabulário de guerra ("campo de batalha") à iconografia de proteção e vigilância da imagem para construir a metáfora de que as mulheres precisam se defender do assédio masculino nos espaços públicos.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que mantém coerência entre a metáfora bélica do texto verbal e os elementos de proteção/vigilância da composição visual; as demais descrevem passividade, silenciamento ou fuga, sentidos incompatíveis com uma campanha de mobilização social.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a leitura de cartazes, charges e peças publicitárias de campanhas sociais, exigindo que o candidato relacione texto verbal e não verbal para chegar ao efeito de sentido pretendido pelo autor.
- Generalização: em textos publicitários de campanhas sociais, desconfie sempre de alternativas que sugiram resignação, impotência ou silenciamento da causa defendida — esses textos, por finalidade, apontam para ação, resistência e mobilização.
- Dica de eliminação rápida: localize o verbo ou substantivo-chave de cada alternativa; termos como "silêncio", "esconder-se", "passar despercebida" e "incapacidade" sinalizam passividade e podem ser eliminados de imediato quando o texto verbal usa vocabulário de confronto e ação, como "batalha".
- Conexões: vale revisar em conjunto questões sobre função social de gêneros publicitários e sobre leitura de metáforas em textos multissemióticos (charges, memes, cartazes de campanha).
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