Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
LinguagensEducação FísicaMédio

Questão 17ENEM 2020 Digital

TEXTO I

Cinema Novo

O filme quis dizer: “Eu sou o samba”

A voz do morro rasgou a tela do cinema

E começaram a se configurar

Visões das coisas grandes e pequenas

Que nos formaram e estão a nos formar

Todas e muitas: Deus e o diabo, vidas secas, os fuzis,

Os cafajestes, o padre e a moça, a grande feira, o desafio

Outras conversas, outras conversas sobre os jeitos do Brasil

VELOSO, C.; GIL, G. In: Tropicália 2. Rio de Janeiro: Polygram, 1993 (fragmento).

TEXTO II

O cinema brasileiro partiu da consciência do subdesenvolvimento e da necessidade de superá-lo de maneira total, em sentido estético, filosófico, econômico: superar o subdesenvolvimento com os meios do subdesenvolvimento. Tropicalismo é o nome dessa operação; por isso existe um cinema antes e depois do Tropicalismo. Agora nós não temos mais medo de afrontar a realidade brasileira, a nossa realidade, em todos os sentidos e a todas as profundidades.

ROCHA, G. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: Revolução do Cinema Novo. Rio de Janeiro: Alhambra; Embrafilme, 1981 (adaptado).

Uma das aspirações do Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro dos anos 1960, incorporadas pela letra da canção e detectáveis no texto de Glauber Rocha, está na

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura e Arte → Cinema Novo; Tropicália; Glauber Rocha; identidade nacional
  • ⚡ Nível: Difícil — várias alternativas descrevem traços reais do movimento, e é preciso achar a que aparece nos DOIS textos
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificar o ponto comum entre dois textos sobre um mesmo movimento cultural
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que aspiração do Cinema Novo aparece tanto na canção quanto no texto de Glauber Rocha?"
  • Palavras-chave decisivas: Eu sou o samba, A voz do morro rasgou a tela do cinema, Visões das coisas grandes e pequenas que nos formaram, jeitos do Brasil (Texto I); consciência do subdesenvolvimento e da necessidade de superá-lo, afrontar a realidade brasileira (Texto II)
  • Armadilha típica: escolher antropofagia ou tropicalismo por serem termos associados ao período, sem checar se estão nos dois textos
  • O que a resposta precisa demonstrar: que ambos combinam raiz cultural brasileira e enfrentamento crítico da realidade do país

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Cinema Novo: movimento dos anos 1960 que buscou um cinema brasileiro autoral, voltado às contradições sociais do país; lema atribuído a Glauber: "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça".
  • Filmes citados na canção: Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas Secas, Os Fuzis, Os Cafajestes, O Padre e a Moça, A Grande Feira, O Desafio — o repertório do movimento.
  • Subdesenvolvimento: condição que, para Glauber, deveria ser enfrentada com os próprios meios precários, e não disfarçada.
  • Voz do morro: referência à cultura popular urbana, ao samba e às periferias como matéria do cinema.
  • Identidade nacional: construção de uma imagem do Brasil a partir de sua cultura e de suas contradições.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (Texto I): "O filme quis dizer: 'Eu sou o samba' / A voz do morro rasgou a tela do cinema" → o cinema assume como matéria a cultura popular brasileira.
  • Evidência 2 (Texto I): "Visões das coisas grandes e pequenas / Que nos formaram e estão a nos formar" e "outras conversas sobre os jeitos do Brasil" → a finalidade é compreender o que constitui o país.
  • Evidência 3 (Texto II): "O cinema brasileiro partiu da consciência do subdesenvolvimento e da necessidade de superá-lo... superar o subdesenvolvimento com os meios do subdesenvolvimento" → postura crítica diante da realidade material do Brasil.
  • Evidência 4 (Texto II): "Agora nós não temos mais medo de afrontar a realidade brasileira, a nossa realidade, em todos os sentidos e a todas as profundidades" → enfrentamento explícito e sem idealização.
  • Síntese: os dois textos convergem em um cinema que parte da cultura brasileira e encara criticamente as contradições do país — isto é, formula uma identidade nacional apoiada em tradição cultural e crítica social.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Extrair o que cada texto afirma

O Texto I é uma canção-inventário: nomeia filmes do Cinema Novo e diz que o cinema passou a falar pela "voz do morro", oferecendo "visões das coisas... que nos formaram e estão a nos formar" e conversas "sobre os jeitos do Brasil". Há dois vetores: raiz cultural popular e reflexão sobre o que é o país. O Texto II é teórico: Glauber afirma que o cinema brasileiro nasceu da consciência do subdesenvolvimento e que agora se pode "afrontar a realidade brasileira... em todos os sentidos e a todas as profundidades". Também há dois vetores: condição concreta do país e enfrentamento crítico.

Subpasso 4.2 — Cruzar os dois

O elemento comum não é apenas cultura popular (que aparece com força no Texto I e pouco no II), nem apenas crítica social (forte no II). É a soma: um cinema que se constrói a partir da tradição cultural brasileira e, ao mesmo tempo, encara sem medo as contradições do país. Isso equivale a formular uma identidade nacional apoiada nesses dois pilares.

Subpasso 4.3 — Verificação

A alternativa E — "formulação de uma identidade brasileira calcada na tradição cultural e na crítica social" — contempla exatamente os dois vetores presentes nos dois textos. As demais ou aparecem em apenas um deles, ou não aparecem em nenhum. Confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) retomada das aspirações antropofágicas pela prática intertextual.

❌ Incorreta: a antropofagia modernista não é mencionada em nenhum dos textos. A canção cita títulos de filmes, o que é referência, mas não constitui um projeto antropofágico de devoração e reelaboração da cultura estrangeira.

B) problematização do conceito de arte provocada pela geração tropicalista.

❌ Incorreta: Glauber cita o Tropicalismo, mas para nomear a operação de enfrentar a realidade brasileira, e não para questionar o que é arte. Nenhum dos textos discute o estatuto da arte enquanto conceito.

C) materialização do passado como instrumento de percepção do contemporâneo.

❌ Incorreta: os textos não se voltam ao passado. A canção fala de coisas que "nos formaram e estão a nos formar" — presente contínuo — e Glauber fala de um "agora" em que já não se teme afrontar a realidade.

D) síntese da cultura popular em sintonia com as manifestações artísticas da época.

❌ Incorreta: capta bem o Texto I, mas não o Texto II. Glauber não trata de sintonia com outras manifestações artísticas: ele fala de subdesenvolvimento, de meios precários e de enfrentamento da realidade — dimensão crítica que a alternativa deixa de fora.

E) formulação de uma identidade brasileira calcada na tradição cultural e na crítica social.

✅ Correta: o Texto I mostra o cinema falando pela "voz do morro" e oferecendo "visões das coisas... que nos formaram", isto é, apoiando-se na cultura brasileira para pensar o país; o Texto II afirma que o cinema partiu "da consciência do subdesenvolvimento" e que agora se pode "afrontar a realidade brasileira". Tradição cultural e crítica social, juntas, sustentam a identidade nacional que o movimento buscava formular.

🏆 Gabarito: E — Os dois textos convergem em um cinema que parte da cultura popular brasileira e encara criticamente o subdesenvolvimento do país, formulando assim uma identidade nacional.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa presente nos dois textos; D só cobre o primeiro, e A, B e C introduzem conceitos ausentes.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cruza canção tropicalista e teoria do Cinema Novo para cobrar identidade nacional, cultura popular e crítica social nos anos 1960.
  • Generalização: em questões com dois textos, teste cada alternativa contra AMBOS. A resposta é o ponto de interseção, não o que aparece melhor em um deles.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que dependem de conceitos não citados (antropofagia, conceito de arte); em confronto de textos, o ENEM exige apoio textual dos dois lados.
  • Conexões: Cinema Novo e Glauber Rocha; Tropicália; estética da fome; cultura popular e identidade nacional.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.