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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 78ENEM 2020 Digital

Com tanta espionagem à solta, governantes sofrem para ter um smartphone, acessível aos cidadãos comuns, mas problemático para líderes políticos. O aparelho é também um potencial rastreador preciso, capaz de localizar o chefe de Estado no mapa e gravar as conversas mesmo sem estar fazendo uma chamada.

Tentação e risco na forma de um smartphone. O Globo, 26 out. 2013 (adaptado).

A situação retratada problematiza o uso dessa tecnologia em relação ao(à)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Globalização econômica e revolução técnico-científico-informacional
  • ⚡ Nível: Médio — exige ir além do fato jornalístico e reconhecer a causa estrutural (econômica) por trás do risco relatado, não apenas descrever o efeito imediato
  • 🎯 Tema/Habilidade: Globalização, tecnologia e vulnerabilidade política — competência de relacionar processos econômicos globais a impactos sociais e geopolíticos
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "A que processo mais amplo o texto associa o fato de o smartphone — um objeto de consumo popular — se tornar um risco de espionagem até para chefes de Estado?"
  • Palavras-chave decisivas: acessível aos cidadãos comuns, rastreador preciso, espionagem
  • Armadilha típica: marcar a alternativa que descreve o efeito mais visível do texto (a extensão do monitoramento sobre localização e falas), sem perceber que o comando pede a causa estrutural que explica por que essa tecnologia está tão disseminada a ponto de colocar em risco até governantes.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de conectar um fato pontual (reportagem sobre espionagem via celular) a um processo geográfico-econômico de fundo — a globalização, que padronizou e popularizou a tecnologia em escala planetária.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Globalização econômica: processo de integração cada vez mais intensa dos mercados, das cadeias produtivas e dos fluxos de capital, informação e tecnologia em escala mundial, que reduz distâncias e uniformiza padrões de consumo entre países.
  • Revolução técnico-científico-informacional: terceira revolução industrial, apoiada na microeletrônica e nas telecomunicações, que é ao mesmo tempo motor e produto do crescimento da economia global contemporânea — é ela que barateou e popularizou o smartphone.
  • Espaço geográfico em rede (Milton Santos): no mundo globalizado, o espaço é conectado por fluxos (de capital, de dados, de pessoas) sustentados por uma infraestrutura de telecomunicações transnacional — a mesma infraestrutura que permite rastrear um chefe de Estado.
  • Ubiquidade tecnológica: consequência direta da globalização — dispositivos antes restritos a poucos tornam-se universais, presentes tanto na vida do cidadão comum quanto no bolso de um presidente.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "governantes sofrem para ter um smartphone, acessível aos cidadãos comuns" → revela que o mesmo objeto, fruto da produção e do consumo globalizados em massa, é justamente o que gera o problema de segurança — a popularização do aparelho é resultado do crescimento e da integração da economia mundial.
  • Evidência 2: "potencial rastreador preciso, capaz de localizar o chefe de Estado no mapa e gravar as conversas mesmo sem estar fazendo uma chamada" → mostra a consequência técnica do fenômeno (vigilância), mas essa consequência só é possível porque a tecnologia se tornou padrão global, operando em redes de telecomunicações internacionais controladas por múltiplos atores (empresas multinacionais, Estados estrangeiros).
  • Síntese: o texto não está apenas descrevendo "onde" a vigilância acontece — ele está explicando "por que" ela é possível: a própria dinâmica de crescimento e integração da economia mundial, que tornou o smartphone um bem de consumo universal e padronizado, é o que abriu a brecha de segurança que hoje ameaça inclusive líderes de Estado.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo argumentativo do texto

O trecho monta uma tensão proposital: de um lado, o smartphone é apresentado como algo "acessível aos cidadãos comuns" — ou seja, um produto de consumo massificado, símbolo da economia globalizada e da produção em escala planetária de tecnologia. De outro, esse mesmo objeto se revela um "potencial rastreador preciso", capaz de expor a localização e as conversas de um chefe de Estado. A questão pede que o candidato identifique a que fenômeno estrutural essa contradição está associada.

Subpasso 4.2 — Relacionar o fato à causa estrutural pedida pelo comando

A chave está em perceber que a popularização do smartphone não é um acidente: ela decorre diretamente do crescimento e da integração da economia global — cadeias produtivas transnacionais, redução de custos de fabricação, expansão de mercados consumidores e de redes de telecomunicações interligadas mundialmente. É esse processo econômico que explica por que um aparelho pensado para o consumo de massa acaba nas mãos (e no bolso) de presidentes e primeiros-ministros, tornando-os vulneráveis às mesmas fragilidades de segurança que atingem qualquer usuário comum. A tecnologia "problematiza" seu próprio uso justamente porque o crescimento da economia global eliminou a barreira entre o dispositivo popular e o instrumento de poder.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao comparar essa leitura com as cinco alternativas, apenas a opção que menciona diretamente o processo econômico de fundo — o crescimento da economia global — capta a relação de causa proposta pelo comando. As demais alternativas descrevem contextos paralelos ou efeitos que não respondem, com a mesma precisão, à pergunta "em relação a quê a situação problematiza o uso da tecnologia".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) valorização das redes virtuais.

❌ Incorreta: o texto não trata de redes sociais ou de ambientes virtuais de interação, mas de rastreamento por infraestrutura de telecomunicações e hardware — o problema é geolocalização e gravação de áudio, não valorização de redes virtuais.

B) aumento da prática consumista.

❌ Incorreta: embora o texto cite que o aparelho é "acessível aos cidadãos comuns", ele não está problematizando o consumo em si (compra excessiva de produtos), e sim o risco de segurança que decorre da disseminação global dessa tecnologia — o consumismo é, no máximo, um efeito colateral, não o cerne da crítica.

C) crescimento da economia global.

✅ Correta: a popularização do smartphone — que o torna acessível tanto ao cidadão comum quanto ao chefe de Estado — é resultado direto da integração e do crescimento da economia mundial (produção em escala, redes de telecomunicações transnacionais, padronização tecnológica). É esse processo que explica por que a mesma tecnologia de consumo de massa se converte em risco geopolítico.

D) expansão dos espaços monitorados.

❌ Incorreta: essa alternativa descreve um efeito observável do episódio narrado (mais lugares e falas sob vigilância), mas não a causa estrutural em relação à qual o uso da tecnologia é problematizado. O texto não está discutindo a extensão geográfica da vigilância como fenômeno autônomo, e sim por que um objeto de consumo global — fruto do crescimento econômico mundial — se tornou instrumento de espionagem.

E) ampliação dos meios comunicacionais.

❌ Incorreta: o texto não discute a diversificação ou o aumento dos meios de comunicação disponíveis, mas sim um risco de segurança específico associado à popularização econômica de um único tipo de dispositivo.

🏆 Gabarito: C — a situação relatada só é possível porque o crescimento e a integração da economia global tornaram o smartphone um bem universal, disponível tanto ao cidadão comum quanto ao chefe de Estado, o que expõe justamente essa camada de poder às mesmas vulnerabilidades de rastreamento e espionagem do usuário comum.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa C é a única que aponta a causa estrutural (o processo econômico) responsável pela popularização da tecnologia narrada no texto, respondendo exatamente ao que o comando pede — "em relação a quê" o uso da tecnologia é problematizado.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa reportagens curtas e atuais para testar se o candidato consegue ligar um fato específico (uma notícia, um dado, uma cena) a um conceito estruturante de Geografia, como globalização, divisão internacional do trabalho ou revolução técnico-científica.
  • Generalização: sempre que o comando pedir "em relação a quê a situação problematiza X", busque a causa/processo de fundo sugerido pelo texto, e não apenas a consequência mais óbvia — bancas costumam colocar o efeito descritivo como alternativa "isca" para quem lê rápido demais.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas que citam elementos ausentes no texto (redes virtuais e meios comunicacionais em A e E); depois, entre as restantes, pergunte-se qual delas explica por que o fenômeno existe (causa) e qual apenas descreve o que ele produz (efeito) — a causa costuma ser a resposta certa nesse tipo de comando.
  • Conexões: o tema dialoga diretamente com "divisão internacional do trabalho e revolução técnico-científico-informacional" e com "geopolítica da informação e espionagem internacional" (caso Snowden/NSA), temas frequentes em Geografia e Sociologia no ENEM.

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