Mapa de questões · 1º dia
Questão 78 — ENEM 2020 Digital
Com tanta espionagem à solta, governantes sofrem para ter um smartphone, acessível aos cidadãos comuns, mas problemático para líderes políticos. O aparelho é também um potencial rastreador preciso, capaz de localizar o chefe de Estado no mapa e gravar as conversas mesmo sem estar fazendo uma chamada.
Tentação e risco na forma de um smartphone. O Globo, 26 out. 2013 (adaptado).
A situação retratada problematiza o uso dessa tecnologia em relação ao(à)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia / Geografia → Vigilância digital; tecnologia e privacidade
- ⚡ Nível: Fácil — o texto entrega os elementos, mas as alternativas exploram outros aspectos da tecnologia
- 🎯 Tema/Habilidade: Identificar o problema que o uso de uma tecnologia coloca para a privacidade
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que problema o smartphone cria, a ponto de governantes evitarem usá-lo?"
- Palavras-chave decisivas: Com tanta espionagem à solta, potencial rastreador preciso, capaz de localizar o chefe de Estado no mapa, gravar as conversas mesmo sem estar fazendo uma chamada
- Armadilha típica: escolher aspectos positivos e reais do aparelho — comunicação, redes, consumo —, quando o texto trata do risco que ele representa
- O que a resposta precisa demonstrar: que o aparelho transforma qualquer lugar em espaço vigiado
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Vigilância digital: monitoramento de pessoas por meio de dispositivos conectados, com ou sem seu conhecimento.
- Geolocalização: capacidade do aparelho de informar a posição do usuário em tempo real.
- Escuta ambiente: possibilidade de captar sons no entorno mesmo sem chamada ativa, mencionada explicitamente no texto.
- Privacidade: direito de manter informações e deslocamentos fora do alcance de terceiros.
- Espionagem entre Estados: contexto do texto, publicado em 2013, ano das revelações sobre monitoramento de líderes estrangeiros.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Com tanta espionagem à solta, governantes sofrem para ter um smartphone" → o aparelho é apresentado como risco, não como comodidade.
- Evidência 2: "acessível aos cidadãos comuns, mas problemático para líderes políticos" → a conjunção "mas" separa o uso banal do risco político.
- Evidência 3: "é também um potencial rastreador preciso, capaz de localizar o chefe de Estado no mapa" → o telefone informa continuamente onde a pessoa está.
- Evidência 4: "e gravar as conversas mesmo sem estar fazendo uma chamada" → o monitoramento não depende do uso ativo do aparelho; basta portá-lo.
- Síntese: carregar um smartphone significa levar consigo um dispositivo de rastreamento e escuta, o que estende a vigilância a qualquer ambiente.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar as duas capacidades descritas
O texto atribui ao aparelho duas funções que não são as anunciadas ao consumidor: rastrear a posição com precisão e gravar conversas sem chamada em curso. Ambas operam de forma silenciosa, sem que o usuário perceba.
Subpasso 4.2 — Extrair a consequência espacial
Se o aparelho acompanha a pessoa e pode ouvir o ambiente a qualquer momento, então não existe mais lugar naturalmente reservado. O gabinete, o carro, a casa, uma reunião fechada — todos passam a ser potencialmente monitorados. A vigilância deixa de estar presa a locais específicos e se espalha por onde o usuário for.
Subpasso 4.3 — Verificação
"Expansão dos espaços monitorados" descreve exatamente esse efeito: aumenta o número de ambientes sujeitos à observação, justamente porque o dispositivo de vigilância é portátil. Alternativa D confirmada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) valorização das redes virtuais.
❌ Incorreta: o texto não discute o prestígio ou a importância das redes sociais. O problema apontado é o aparelho como instrumento de rastreamento, e não o valor atribuído aos ambientes virtuais.
B) aumento da prática consumista.
❌ Incorreta: o smartphone é citado como objeto acessível aos cidadãos comuns, mas não há discussão sobre consumo, mercado ou obsolescência. O foco é o risco à privacidade.
C) crescimento da economia global.
❌ Incorreta: nenhuma dimensão econômica aparece no fragmento. Trata-se de segurança e privacidade de chefes de Estado, não de fluxos econômicos.
D) expansão dos espaços monitorados.
✅ Correta: o texto descreve o smartphone como "potencial rastreador preciso, capaz de localizar o chefe de Estado no mapa e gravar as conversas mesmo sem estar fazendo uma chamada". Como o aparelho acompanha o usuário, qualquer ambiente em que ele esteja passa a ser potencialmente vigiado — a vigilância deixa de ter fronteiras físicas.
E) ampliação dos meios comunicacionais.
❌ Incorreta: é verdade que o smartphone amplia as possibilidades de comunicação, mas isso não é problematizado no texto. O que se questiona é o uso do aparelho como instrumento de espionagem, e não sua função comunicativa.
🏆 Gabarito: D — Por rastrear a posição e captar conversas mesmo sem chamada, o smartphone transforma qualquer ambiente em espaço potencialmente vigiado.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve o risco apresentado; A, B, C e E tratam de aspectos da tecnologia que o texto não problematiza.
- Padrão de cobrança: o ENEM aborda vigilância digital, privacidade e uso de dados como tema recorrente de sociologia e atualidades.
- Generalização: quando um texto apresenta uma tecnologia como "problemática", procure a capacidade oculta que ela possui — normalmente é aí que está a resposta.
- Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que descrevam benefícios da tecnologia; o comando pede o que ela problematiza.
- Conexões: caso Snowden e espionagem entre Estados; capitalismo de vigilância; LGPD e proteção de dados.
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