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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 59ENEM 2020 Digital

Entenda a crise na Ucrânia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e dois líderes da Crimeia assinaram, em março de 2014, um acordo para tornar a República Autônoma parte da Rússia. O tratado foi assinado dois dias após o povo da Crimeia aprovar em um referendo a separação da Ucrânia e a reunificação com a Rússia. A votação foi condenada por Kiev e pela comunidade internacional, que a considera ilegítima.

Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 28 out. 2014 (adaptado).

A justificativa para o acordo descrito fundamentava-se na ideia de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica; conflitos territoriais no Leste Europeu; anexação da Crimeia
  • ⚡ Nível: Médio — exige identificar o argumento usado para legitimar a anexação, e não suas causas econômicas ou militares
  • 🎯 Tema/Habilidade: Compreender o uso da identidade como justificativa em disputas territoriais contemporâneas
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Com que argumento Rússia e líderes da Crimeia justificaram o acordo de anexação?"
  • Palavras-chave decisivas: acordo para tornar a República Autônoma parte da Rússia, o povo da Crimeia aprovar em um referendo, a separação da Ucrânia e a reunificação com a Rússia, condenada por Kiev e pela comunidade internacional
  • Armadilha típica: trocar a justificativa apresentada pelos interesses estratégicos reais da Rússia (base naval, energia), que o texto não menciona
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o termo "reunificação" e o recurso a um referendo apelam a um vínculo identitário entre a população da Crimeia e a Rússia

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Crimeia: península do mar Negro, transferida da Rússia para a Ucrânia em 1954, dentro da URSS; maioria da população é de origem russa e tem o russo como língua materna.
  • Anexação de 2014: após a queda do governo ucraniano, a Rússia ocupou a península e promoveu um referendo, não reconhecido pela ONU, que aprovou a incorporação.
  • Identidade cultural: conjunto de língua, história, religião e memória compartilhadas que produz sentimento de pertencimento a um povo.
  • Autodeterminação dos povos: princípio invocado para sustentar que uma população pode decidir a que Estado pertencer — base retórica do referendo.
  • Espaço vital (Lebensraum): conceito da geopolítica alemã do início do século XX que justificava expansão territorial por necessidade de recursos e população; não é o argumento do caso.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "um acordo para tornar a República Autônoma parte da Rússia" → o objetivo é a mudança de soberania sobre o território.
  • Evidência 2: "dois dias após o povo da Crimeia aprovar em um referendo" → a legitimação buscada é popular: quem decide, na versão apresentada, é a população local.
  • Evidência 3: "a separação da Ucrânia e a reunificação com a Rússia" → o prefixo "re" é decisivo: pressupõe um vínculo anterior a ser restaurado, e não uma conquista.
  • Evidência 4: "A votação foi condenada por Kiev e pela comunidade internacional, que a considera ilegítima" → o argumento identitário é contestado justamente porque o direito internacional protege a integridade territorial ucraniana.
  • Síntese: o acordo é justificado pela ideia de que a população da Crimeia pertence culturalmente à Rússia e, portanto, estaria retornando ao seu lugar de origem.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Separar justificativa de interesse

A Rússia tinha motivos estratégicos claros para a anexação: a base naval de Sebastopol, o acesso ao mar Negro e o controle de rotas energéticas. Mas o comando não pergunta por que a Rússia quis a Crimeia — pergunta em que ideia o acordo "fundamentava-se". É o discurso de legitimação que está em jogo, e ele aparece na forma como o texto narra o episódio.

Subpasso 4.2 — Ler o vocabulário da legitimação

Dois elementos constroem esse discurso. Primeiro, o referendo: ao submeter a decisão ao "povo da Crimeia", constrói-se a imagem de uma escolha popular, apoiada no princípio da autodeterminação. Segundo, e mais revelador, o termo "reunificação". Não se fala em conquista, incorporação ou anexação, mas em reunir de novo o que estaria separado. Isso pressupõe que a Crimeia e a Rússia já formavam uma unidade — unidade que não é jurídica, já que a península era ucraniana, mas cultural: maioria de população de origem russa, língua russa, memória histórica comum.

Subpasso 4.3 — Verificação

A resistência internacional confirma a leitura. Kiev e a comunidade internacional consideram a votação ilegítima porque, pelo direito internacional, a identidade cultural de uma população não autoriza a alteração unilateral de fronteiras reconhecidas. O choque é exatamente entre o argumento identitário e o princípio da integridade territorial. A ideia que fundamenta o acordo é, portanto, a identificação cultural. Alternativa D confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) espaço vital.

❌ Incorreta: "espaço vital" é conceito da geopolítica expansionista alemã, segundo o qual um Estado precisaria de mais território para sustentar sua população e sua economia. A justificativa apresentada no texto não alega necessidade de espaço ou recursos, e sim vínculo entre a população da Crimeia e a Rússia.

B) limite fronteiriço.

❌ Incorreta: não há disputa sobre onde passa a linha de fronteira nem alegação de erro em sua demarcação. O território da Crimeia era reconhecidamente ucraniano; o que se questiona é a soberania sobre ele, não o traçado do limite.

C) estrutura bipolar.

❌ Incorreta: a bipolaridade caracterizou a ordem mundial da Guerra Fria, encerrada em 1991 com o fim da URSS. Em 2014 não existia essa estrutura, e o texto não menciona disputa entre dois blocos ideológicos.

D) identificação cultural.

✅ Correta: o texto fala em "reunificação com a Rússia", termo que pressupõe um vínculo anterior a ser restaurado, e apoia a decisão em um referendo do "povo da Crimeia". Ambos os elementos apelam ao fato de a península ter maioria de população de origem russa, falante de russo e ligada à Rússia por história e cultura — é essa identificação cultural que serve de fundamento ao acordo.

E) autonomia econômica.

❌ Incorreta: o texto não apresenta qualquer argumento econômico. A Crimeia já era uma República Autônoma dentro da Ucrânia, e a mudança buscada era de soberania, não de autonomia administrativa ou de gestão de recursos próprios.

🏆 Gabarito: D — Ao falar em "reunificação" e apoiar-se em um referendo do povo da Crimeia, o acordo se fundamenta na ideia de que a população da península pertence culturalmente à Rússia.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que corresponde ao argumento apresentado; A e C remetem a contextos históricos distintos, B supõe disputa de demarcação inexistente e E introduz uma dimensão econômica ausente do texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra a anexação da Crimeia como caso de tensão entre autodeterminação dos povos e integridade territorial, tema recorrente em geopolítica do Leste Europeu.
  • Generalização: quando um texto pergunta em que ideia uma ação "se fundamenta", procure o discurso de legitimação — não os interesses materiais por trás dele, que costumam ser o distrator mais tentador.
  • Dica de eliminação rápida: repare nos prefixos e escolhas de palavra. "Reunificação", e não "anexação", já entrega que o argumento mobilizado é o de um vínculo prévio entre povo e território.
  • Conexões: dissolução da URSS e fronteiras herdadas; autodeterminação x integridade territorial; conflitos no Donbass e a guerra de 2022.

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