Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 19ENEM 2020 Digital

O laço de fita

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...

Prendi meus afetos, formosa Pepita.

Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!

Não rias, prendi-me

Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,

Nos negros cabelos de moça bonita,

Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,

Formoso enroscava-se

O laço de fita.

[...]

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale

Abrirem-me a cova... formosa Pepita!

Ao menos arranca meus louros da fronte,

E dá-me por c'roa...

Teu laço de fita.

ALVES, C. Espumas flutuantes. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 8 ago. 2015 (fragmento).

Exemplo da lírica de temática amorosa de Castro Alves, o poema constrói imagens caras ao Romantismo. Nesse fragmento, o lirismo romântico se expressa na

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Romantismo brasileiro; lírica amorosa; Castro Alves
  • ⚡ Nível: Médio — as imagens de natureza e de morte funcionam como distratores fortes
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificar a marca do lirismo romântico em um poema de temática amorosa
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que, nesse poema, é tipicamente romântico no modo de o eu lírico amar?"
  • Palavras-chave decisivas: Prendi meus afetos... Num laço de fita, Não rias, prendi-me / Num laço de fita, Ao menos arranca meus louros da fronte, / E dá-me por c'roa... / Teu laço de fita
  • Armadilha típica: tomar as imagens da natureza (selva, serpente, folhagem) ou a menção à cova como o tema, quando são recursos a serviço da fixação pelo objeto amoroso
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o laço de fita concentra, como símbolo, o desejo de união com a amada, do enamoramento até a morte

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Romantismo (lírica amorosa): idealização da mulher amada, subjetivismo exacerbado, fusão entre amor e morte, fetichização de objetos ligados ao ser amado.
  • Castro Alves: poeta da terceira geração romântica; em Espumas Flutuantes predomina a lírica amorosa, mais sensual e concreta que a das gerações anteriores.
  • Signo de fusão simbólica: objeto que, por metonímia, representa a pessoa amada e permite ao amante sentir-se unido a ela.
  • Metonímia: figura em que a parte (o laço, os cabelos) representa o todo (a amada).
  • Amor e morte: motivo romântico em que o sentimento se projeta para além da vida.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Prendi meus afetos, formosa Pepita. / Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?! / Não rias, prendi-me / Num laço de fita" → o eu lírico descarta lugares grandiosos e elege um objeto mínimo como sede de seu afeto.
  • Evidência 2: "Na selva sombria de tuas madeixas... / Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem, / Formoso enroscava-se / O laço de fita" → a natureza aparece como comparação para descrever o laço enlaçado nos cabelos; o foco permanece no objeto.
  • Evidência 3: os verbos "prender", "enlaçar" e "enroscar" repetem a mesma ideia de atadura — o laço prende o cabelo, e o eu lírico se diz preso nele.
  • Evidência 4: "Quando um dia na sombra do vale / Abrirem-me a cova... / Ao menos arranca meus louros da fronte, / E dá-me por c'roa... / Teu laço de fita" → mesmo na morte, o que ele pede é o objeto; troca os louros da glória pelo símbolo do amor.
  • Síntese: o poema inteiro converge para um único objeto, que funciona como signo de união com a amada — traço característico do lirismo romântico.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Observar a repetição estruturante

"O laço de fita" fecha cada estrofe, como um refrão. Essa repetição não é ornamento: mostra que o pensamento do eu lírico volta sempre ao mesmo ponto. O objeto ocupa o lugar da amada no discurso — é nele que os afetos ficam presos, é nele que o eu lírico se prende.

Subpasso 4.2 — Entender por que o objeto vale tanto

O laço pertence a Pepita e esteve em seus cabelos. Por metonímia, ele traz consigo a presença da amada. Ao dizer "prendi-me num laço de fita", o eu lírico descreve uma união simbólica: estar preso ao laço é estar preso a ela. O fecho radicaliza essa lógica — na cova, ele recusa os louros, símbolo de glória pública, e pede como coroa o laço, símbolo do vínculo amoroso. Amor e morte se juntam em torno do mesmo objeto.

Subpasso 4.3 — Verificação

"Fixação por signos de fusão simbólica com o ser amado" descreve exatamente isso: um objeto que representa a amada e ao qual o eu lírico se apega obsessivamente, da paixão até o túmulo. Alternativa E confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) representação infantilizada da figura feminina.

❌ Incorreta: o vocativo "criança" abre o poema dirigido à interlocutora, mas é tratamento afetivo corrente na lírica romântica. A mulher é descrita como "moça bonita", com "negros cabelos" e madeixas sensuais — imagem idealizada e sensual, não infantilizada.

B) criatividade inspirada em elementos da natureza.

❌ Incorreta: selva, serpente e folhagem aparecem, mas como termos de comparação para descrever o laço enroscado nos cabelos. A natureza não é fonte de inspiração autônoma: está a serviço da descrição do objeto amoroso.

C) opção pela morte como solução para as frustrações.

❌ Incorreta: a morte é imaginada como acontecimento futuro e natural ("quando um dia... abrirem-me a cova"), não escolhida como saída. Além disso, não há frustração amorosa no poema — o eu lírico está enamorado, não rejeitado.

D) ansiedade com as atitudes de indiferença da mulher.

❌ Incorreta: nada indica indiferença. Pepita ri ("Não rias"), o que sugere interação e proximidade. O poema expressa encantamento, não angústia diante de desdém.

E) fixação por signos de fusão simbólica com o ser amado.

✅ Correta: o laço de fita fecha todas as estrofes e concentra o afeto do eu lírico — nele ele prende seus afetos e a si mesmo ("prendi-me num laço de fita"). Por ter pertencido aos cabelos de Pepita, o objeto representa a própria amada, e o pedido final, de ser coroado com ele em lugar dos louros, mostra que essa união simbólica se estende até depois da morte.

🏆 Gabarito: E — O laço de fita, repetido ao fim de cada estrofe, funciona como símbolo da amada: é a ele que o eu lírico se prende, da paixão ao túmulo.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que explica a insistência no objeto; A, B, C e D isolam elementos secundários — vocativo, natureza, morte — e perdem o eixo do poema.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra o Romantismo pela idealização amorosa, pelo subjetivismo e pela relação entre amor e morte, frequentemente com Castro Alves e Álvares de Azevedo.
  • Generalização: quando um elemento se repete ao fim de todas as estrofes, ele é o centro do poema. Comece a interpretação por ele.
  • Dica de eliminação rápida: teste se a alternativa explica a repetição do refrão. Natureza, morte e infantilização não explicam por que "o laço de fita" volta sempre — a fixação pelo objeto, sim.
  • Conexões: gerações românticas no Brasil; Espumas Flutuantes; metonímia e fetichização do objeto amoroso.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.