Mapa de questões · 1º dia
Questão 61 — ENEM 2020 Digital
O processo de modernização da agricultura brasileira resultou em profundas modificações nas relações sociais, no mundo do trabalho e da produção. Mas a modernização teve também como consequência, num modelo social perverso como o nosso, a permanência da concentração da terra, o êxodo rural, aumentou o processo de assalariamento para o homem rural, concentrou capitais e gerou um processo de industrialização da agricultura, direcionada para atender às demandas do capital nacional e internacional.
MENEZES NETO, A. J. Educação, sindicalismo e novas tecnologias nos processos sociais agrários. Disponível em:
www.senac.br. Acesso em: 10 fev. 2014.
Nesse contexto, o processo apresentado revela contradições no espaço agrário brasileiro decorrentes da expansão da:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Agrária (modernização conservadora, estrutura fundiária brasileira)
- ⚡ Nível: Médio — exige relacionar o texto teórico a um conceito geográfico específico, sem dado numérico ou gráfico de apoio.
- 🎯 Tema/Habilidade: Modernização da agricultura brasileira e suas contradições socioespaciais (Competência de Área 5 do ENEM — dinâmica do espaço agrário e a relação campo-cidade)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual atividade agrária se expandiu e é a responsável pelas contradições (concentração fundiária, êxodo rural, assalariamento) descritas no texto?"
- Palavras-chave decisivas: concentração da terra, capital nacional e internacional, industrialização da agricultura
- Armadilha típica: confundir "modernização" com "distribuição de terra" e marcar reforma fundiária (B), ou associar mecanização a atividades tradicionais como a pecuária extensiva (D), ignorando que o texto fala em capital e mercado, não em criação de gado.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a modernização conservadora do campo brasileiro foi puxada pela expansão de uma agricultura voltada ao mercado (interno e externo), e não por políticas de redistribuição ou por atividades de baixo investimento tecnológico.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Modernização conservadora: processo, iniciado com força nas décadas de 1960-70 (Revolução Verde), em que o Brasil incorporou máquinas, insumos químicos e crédito rural à produção agrícola sem alterar a estrutura fundiária concentrada — modernizou-se a técnica, mas manteve-se o latifúndio.
- Lavoura comercial (agronegócio): produção agrícola em larga escala, capital-intensiva e voltada à exportação ou ao abastecimento de agroindústrias (soja, cana-de-açúcar, milho, laranja, algodão), organizada para atender à demanda de mercados nacionais e internacionais — exatamente o que o texto descreve como destino da industrialização da agricultura.
- Êxodo rural e assalariamento: com a mecanização das grandes lavouras comerciais, reduz-se a necessidade de mão de obra fixa (colonato, parceria) e cresce o trabalho temporário e assalariado (bóias-frias), ao mesmo tempo em que trabalhadores sem terra migram para as cidades.
- Concentração fundiária: a modernização não redistribuiu terras; ao contrário, favoreceu grandes propriedades capazes de financiar maquinário e insumos, aprofundando o índice de Gini da terra no Brasil.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a permanência da concentração da terra, o êxodo rural, aumentou o processo de assalariamento" → mostra que a modernização não alterou (na verdade, reforçou) a estrutura fundiária concentrada, expulsando trabalhadores do campo.
- Evidência 2: "concentrou capitais e gerou um processo de industrialização da agricultura, direcionada para atender às demandas do capital nacional e internacional" → aponta diretamente para uma produção agrícola integrada ao mercado e à indústria — a lógica típica da lavoura comercial voltada à exportação de commodities, não da agricultura de subsistência ou familiar.
- Síntese: o texto descreve o modelo de "modernização conservadora": técnica avançada + terra concentrada + produção voltada ao capital nacional/internacional. Esse tripé é a marca registrada da expansão da lavoura comercial (agronegócio) no espaço agrário brasileiro.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o sujeito da ação no texto
O texto de Menezes Neto não fala de um processo abstrato: ele descreve uma agricultura que se torna capital-intensiva, industrializada e conectada a demandas de mercado (nacional e internacional). Esse é o perfil da lavoura comercial — cultivos como soja, cana-de-açúcar, milho e algodão, cultivados em grandes extensões, com uso intensivo de máquinas, fertilizantes, sementes melhoradas e crédito agrícola, destinados à exportação ou à indústria (etanol, óleo, ração).
Subpasso 4.2 — Ligar a expansão da lavoura comercial às contradições citadas
Cada consequência listada no texto decorre diretamente dessa expansão:
- Concentração da terra → a lavoura comercial exige escala; pequenas propriedades são compradas ou arrendadas por grandes produtores/empresas do agronegócio.
- Êxodo rural → a mecanização substitui trabalhadores permanentes, expulsando famílias que viviam da lavoura de subsistência ou do trabalho fixo na terra.
- Assalariamento rural → quem permanece no campo passa a vender sua força de trabalho de forma temporária (safristas, bóias-frias), pois a lavoura comercial demanda mão de obra sazonal em picos de plantio/colheita.
- Concentração de capitais → bancos, tradings e agroindústrias financiam e controlam cadeias produtivas ligadas à lavoura comercial, ampliando a desigualdade entre grandes e pequenos produtores.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com as alternativas, apenas a "lavoura comercial" (C) explica simultaneamente: (i) por que há industrialização da agricultura, (ii) por que a produção atende ao capital nacional e internacional, e (iii) por que a terra se concentra em vez de se redistribuir. Nenhuma das demais atividades citadas nas alternativas produz esse conjunto específico de efeitos descritos no texto.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) produção familiar.
❌ Incorreta: a agricultura familiar é historicamente marginalizada por esse modelo de modernização, e não sua causa. O texto descreve concentração de terra e capital — processo que reduz, e não expande, o espaço da produção familiar no campo.
B) reforma fundiária.
❌ Incorreta: reforma fundiária significa redistribuição de terras para reduzir a concentração fundiária. O texto afirma exatamente o oposto — a "permanência da concentração da terra" —, ou seja, não houve expansão de reforma fundiária, e sim sua ausência estrutural no modelo brasileiro.
C) lavoura comercial.
✅ Correta: a expansão da lavoura comercial (agronegócio voltado à exportação e à indústria) explica a industrialização da agricultura, a concentração de capitais e de terras, o êxodo rural e o assalariamento descritos no texto, pois é uma atividade capital-intensiva, mecanizada e organizada para atender ao mercado nacional e internacional.
D) pastagem extensiva.
❌ Incorreta: a pecuária extensiva é, ao contrário, uma atividade de baixo investimento tecnológico e baixa produtividade por área, associada historicamente ao uso improdutivo da terra — não ao processo de industrialização da agricultura e concentração de capitais mencionado no texto.
E) segurança alimentar.
❌ Incorreta: o modelo descrito não fortalece a segurança alimentar da população brasileira; pelo contrário, a modernização conservadora voltada ao mercado externo tende a priorizar commodities de exportação em detrimento da produção de alimentos básicos para o consumo interno.
🏆 Gabarito: C — a expansão da lavoura comercial é a única atividade agrária capaz de explicar, ao mesmo tempo, a industrialização da produção, a concentração de terras e capitais, e o êxodo rural com assalariamento descritos no texto.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a lavoura comercial (agronegócio) combina mecanização, capital e orientação de mercado — os três elementos citados no texto — sendo, portanto, a única resposta compatível com todas as evidências.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra o conceito de "modernização conservadora" a partir de textos de autores como José Graziano da Silva ou Ariovaldo Umbelino de Oliveira, sempre relacionando tecnologia + concentração fundiária + conflitos sociais no campo.
- Generalização: sempre que um texto associar "modernização", "capital", "concentração de terra" e "industrialização" no espaço agrário, a resposta apontará para a lavoura comercial/agronegócio, e não para agricultura familiar ou reforma agrária.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que descreva redistribuição ou benefício social direto (reforma fundiária, segurança alimentar, produção familiar) quando o texto afirma explicitamente "permanência da concentração da terra" — esse trecho já invalida três alternativas em segundos.
- Conexões: compare com questões sobre Revolução Verde, complexo agroindustrial (CAI) e conflitos por terra (MST), temas que frequentemente aparecem interligados nas provas de Geografia do ENEM.
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