Mapa de questões · 1º dia
Questão 46 — ENEM 2020 Digital
Lei n. 3 353, de 13 de maio de 1888
A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia-Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:
Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º ano da Independência e do Império.
Princesa Imperial Regente.
Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 6 fev. 2015 (adaptado).
Um dos fatores que levou à promulgação da lei apresentada foi o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Abolição da escravidão no Brasil; movimento abolicionista; Lei Áurea
- ⚡ Nível: Médio — três alternativas repetem versões tradicionais e equivocadas sobre a Abolição
- 🎯 Tema/Habilidade: Identificar os fatores históricos que levaram à promulgação da Lei Áurea
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que levou à assinatura da Lei Áurea em 1888?"
- Palavras-chave decisivas: Lei n. 3 353, de 13 de maio de 1888, É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil, Princesa Imperial Regente
- Armadilha típica: cair na narrativa escolar da "redentora" — a Abolição como gesto de bondade da Princesa Isabel ou como generosidade inglesa
- O que a resposta precisa demonstrar: que a lei foi resultado de décadas de pressão organizada pelo movimento abolicionista e pela resistência negra
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Movimento abolicionista: campanha que reuniu intelectuais, jornalistas, advogados, associações e ex-escravizados — Luís Gama, José do Patrocínio, André Rebouças, Joaquim Nabuco.
- Resistência negra: fugas em massa, quilombos (como o de Jabaquara), recusa ao trabalho e ações judiciais que tornaram o sistema insustentável nos anos 1880.
- Leis abolicionistas graduais: Eusébio de Queirós (1850), Ventre Livre (1871) e Sexagenários (1885), etapas de um processo pressionado de baixo.
- Lei Áurea: apenas dois artigos, sem indenização nem política de integração dos libertos.
- "Redentora": construção posterior que atribui a Abolição à benevolência da Princesa Isabel, encobrindo a luta dos próprios negros.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Lei n. 3 353, de 13 de maio de 1888" → a Abolição chega tardiamente, quando o Brasil era o último país das Américas a manter a escravidão legal.
- Evidência 2: "a Assembleia-Geral decretou e ela sancionou" → a lei nasce no Parlamento e é apenas sancionada pela regente; não é iniciativa pessoal dela.
- Evidência 3: "É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário" → a brevidade do texto indica que a lei apenas formaliza uma situação já em desagregação.
- Síntese: a Lei Áurea registra juridicamente o desfecho de um processo movido pela campanha abolicionista e pela resistência dos escravizados.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Ler a forma da lei como indício histórico
Chama atenção que uma lei tão decisiva tenha apenas dois artigos e nenhuma disposição sobre indenização, terras, trabalho ou educação para os libertos. Isso sugere que ela não inaugura um projeto: apenas reconhece um fato consumado, encerrando um regime que já vinha ruindo.
Subpasso 4.2 — Identificar o que produziu esse fato consumado
Ao longo da década de 1880, a campanha abolicionista se organizou em jornais, clubes, associações e tribunais, com nomes como Luís Gama, José do Patrocínio, André Rebouças e Joaquim Nabuco. Ao mesmo tempo, escravizados fugiam em massa para quilombos como o de Jabaquara, em Santos, e recusavam-se ao trabalho, tornando a produção inviável em várias regiões. A pressão combinada — política e prática — é o que levou o Parlamento a votar a extinção.
Subpasso 4.3 — Verificação
Nem a Coroa nem a Inglaterra aparecem como causa: a lei é sancionada por uma regente em nome do imperador, e a pressão britânica havia se concentrado no fim do tráfico, décadas antes. O fator decisivo é a persistência da campanha abolicionista. Alternativa E confirmada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) abandono de propostas de imigração.
❌ Incorreta: inverte o processo. A imigração europeia foi incentivada justamente como substituição da mão de obra escravizada, sobretudo na lavoura cafeeira paulista — foi ampliada, e não abandonada, no período.
B) fracasso do trabalho compulsório.
❌ Incorreta: o trabalho escravo não fracassou por ineficiência econômica; ao contrário, sustentou a economia brasileira por três séculos e ainda era lucrativo no café. O que o inviabilizou foi a pressão política e a resistência dos escravizados, não um colapso produtivo intrínseco.
C) manifestação do altruísmo britânico.
❌ Incorreta: a atuação britânica teve motivação econômica e concentrou-se no fim do tráfico atlântico, com a Bill Aberdeen (1845) e a Lei Eusébio de Queirós (1850). Em 1888, a pressão externa já não era o fator determinante — e nunca foi altruísmo.
D) afirmação da benevolência da Corte.
❌ Incorreta: reproduz o mito da "princesa redentora". O próprio texto mostra que a Assembleia-Geral decretou e a regente apenas sancionou. Atribuir a Abolição à bondade da Corte apaga a luta de quem a conquistou.
E) persistência da campanha abolicionista.
✅ Correta: a Lei Áurea é o desfecho de décadas de mobilização — imprensa, associações, ações judiciais e articulação parlamentar de abolicionistas como Luís Gama, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco —, somada à resistência cotidiana dos escravizados, com fugas em massa e quilombos. Foi essa pressão continuada que tornou a manutenção da escravidão insustentável.
🏆 Gabarito: E — A lei de 13 de maio apenas formalizou o que a campanha abolicionista e a resistência negra já haviam tornado inevitável ao longo da década de 1880.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que reconhece o protagonismo da mobilização social; A inverte a imigração, B atribui causa econômica equivocada e C e D deslocam o mérito para agentes externos ou para a Corte.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra sistematicamente a desconstrução do mito da "princesa redentora" e o protagonismo negro na Abolição.
- Generalização: em questões sobre conquistas de direitos, o ENEM valoriza a pressão dos movimentos sociais, não a benevolência de governantes.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que expliquem direitos por bondade de autoridades ou de potências estrangeiras.
- Conexões: leis abolicionistas graduais; quilombo do Jabaquara; pós-abolição e ausência de políticas de integração.
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