Mapa de questões · 1º dia
Questão 86 — ENEM 2020 Digital
TEXTO I
De modo geral, para a Região Norte, o fato contundente é a expansão dos padrões motivados pela pecuária. Hoje, as pastagens se estendem como uma frente pecuarista para o interior do Pará, com São Félix do Xingu contabilizando um dos maiores rebanhos do país.
IBGE. Censo agropecuário. Rio de Janeiro: IBGE, 2006.
TEXTO II
As várzeas dos rios são os principais espaços de aproveitamento para o cultivo de uma lavoura rudimentar dedicada ao consumo local, com produção de pouca extração e baixo nível tecnológico, induzindo a aquisição monetária à complementaridade através da pesca e da extração vegetal.
IBGE. Censo agropecuário. Rio de Janeiro: IBGE, 2006.
De acordo com os textos, observa-se na Região Norte a coexistência de dois modelos agrários baseados, respectivamente, no(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Agrária (sistemas produtivos e uso da terra na Amazônia)
- ⚡ Nível: Médio — os dois textos parecem, à primeira leitura, apontar diretamente para termos como "exportação" e "subsistência", mas exigem atenção para o que está de fato escrito e não apenas sugerido
- 🎯 Tema/Habilidade: Coexistência de modelos agrários na Região Norte (pecuária de fronteira x agricultura de várzea) — leitura comparativa de fontes documentais em Geografia agrária
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual par de termos caracteriza, respectivamente, o modelo agrário do Texto I e o modelo agrário do Texto II?"
- Palavras-chave decisivas: coexistência, dois modelos agrários, respectivamente
- Armadilha típica: marcar a alternativa cujo vocabulário parece "colar" de forma mais óbvia em algum trecho isolado do texto (como associar "consumo local" a "subsistência" e, por extensão, presumir que a pecuária do Texto I visa "exportação"), sem perceber que o texto não afirma explicitamente destino comercial nenhum para o rebanho.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de caracterizar cada sistema pela forma como ele usa o território e os recursos naturais — e não por informações que o candidato acrescenta por conta própria, mesmo que pareçam plausíveis.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fronteira pecuarista amazônica: avanço de pastagens sobre áreas antes florestadas no interior do Pará, formando municípios com grandes rebanhos, como São Félix do Xingu. O texto descreve apenas a expansão territorial do rebanho sobre novas pastagens, sem citar cadeia de exportação, frigoríficos ou destino comercial da produção.
- Agricultura de várzea: cultivo praticado nas planícies de inundação dos rios amazônicos, aproveitando o ciclo natural de cheia e vazante para renovar a fertilidade do solo, com baixíssimo uso de insumos industriais — um sistema que se apoia diretamente nos ciclos naturais do ambiente.
- Complementaridade de renda: nas comunidades de várzea, a lavoura por si só gera pouco excedente comercializável; por isso, a obtenção de dinheiro depende da soma de atividades — lavoura, pesca e extrativismo vegetal —, o que garante a permanência do grupo no território ao longo do tempo.
- Produção pouco artificializada: tanto a pecuária extensiva quanto a lavoura de várzea, do jeito que são descritas nos textos, dependem mais do uso direto de pasto natural e do ciclo hidrológico do que de insumos químicos, maquinário pesado ou processos industriais — o que aproxima os dois modelos de um perfil de baixa artificialização e de manejo ajustado aos recursos locais.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "expansão dos padrões motivados pela pecuária... pastagens se estendem como uma frente pecuarista para o interior do Pará" → revela um sistema de ocupação do solo baseado no pasto natural e na abertura de novas áreas, sem qualquer menção a beneficiamento industrial, frigorífico ou circuito de exportação — o texto fala apenas do rebanho e da terra, não do destino da carne.
- Evidência 2: "cultivo de uma lavoura rudimentar... induzindo a aquisição monetária à complementaridade através da pesca e da extração vegetal" → revela um sistema que se mantém em pé pela combinação equilibrada de atividades extrativas e produtivas, e não por um único produto voltado ao mercado — o que caracteriza um modelo de reprodução sustentável do grupo no território.
- Síntese: nenhum dos dois textos usa vocabulário de mercado (exportação, comercialização, cadeia produtiva) nem de certificação ambiental; ambos descrevem, cada um a seu modo, sistemas apoiados no uso direto e pouco industrializado dos recursos naturais disponíveis — o que aponta para os termos "produção orgânica" (manejo pouco artificializado, seja do pasto, seja da várzea) e "sustentabilidade" (equilíbrio entre atividades que garante a permanência do grupo produtor).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Caracterizar o modelo do Texto I
Note que o texto não menciona, em nenhum momento, "exportação", "mercado externo" ou qualquer elo com uma cadeia comercial de carne. O que está escrito é apenas a expansão física da pecuária: pastagens que avançam como fronteira e um município com grande rebanho. Isso descreve um manejo pecuário extensivo, apoiado no pasto natural e na disponibilidade de terra, sem a mediação de um processo industrial complexo — características que se aproximam do sentido de "produção orgânica" (baixa artificialização do processo de criação).
Subpasso 4.2 — Caracterizar o modelo do Texto II
O texto descreve uma lavoura "rudimentar", de "baixo nível tecnológico", cujo excedente comercializável é pequeno. O ponto decisivo é a frase final: a renda monetária não vem apenas da lavoura, mas da soma entre lavoura, pesca e extração vegetal. Esse arranjo diversificado é o que garante a continuidade do grupo no território ao longo do tempo — ou seja, a "sustentabilidade" do sistema em escala local, entendida como a capacidade de se manter equilibrado sem depender de um único produto.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao reler o comando — "coexistência de dois modelos agrários baseados, respectivamente, no(a)..." — confirma-se que nenhum dos dois textos fornece base literal para termos de mercado (exportação), de contrato de terra (arrendamento) ou de deslocamento sazonal do rebanho (transumância). O que os textos efetivamente sustentam é a descrição de dois sistemas de baixa industrialização e uso direto dos recursos naturais, exatamente o que a alternativa D resume com os termos "produção orgânica" e "sustentabilidade".
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) mercado de exportação e na subsistência.
❌ Incorreta: "subsistência" até dialoga com o "consumo local" do Texto II, mas "mercado de exportação" é uma informação que o texto não fornece — em nenhum momento se fala em venda, comercialização ou destino externo do rebanho, apenas em expansão territorial da pecuária. É a alternativa mais tentadora justamente por parecer completar o raciocínio com uma inferência plausível, mas não textual.
B) agricultura familiar e na agroecologia.
❌ Incorreta: o Texto I descreve expansão de uma "frente pecuarista" em larga escala, o que não corresponde ao conceito de agricultura familiar; e o Texto II não menciona nenhuma prática estruturada de agroecologia (manejo ecológico planejado e certificado), apenas uma lavoura rudimentar de baixo nível tecnológico.
C) sistema de arrendamento e no agronegócio.
❌ Incorreta: não há qualquer menção a contratos de arrendamento de terra no Texto I; e o Texto II, com sua lavoura de pouca extração e consumo local, é o oposto do agronegócio, que pressupõe produção em larga escala voltada ao mercado.
D) produção orgânica e na sustentabilidade.
✅ Correta: o Texto I descreve um manejo pecuário extensivo e pouco artificializado, apoiado no pasto natural e na expansão da fronteira agrícola; o Texto II descreve um sistema que se mantém em equilíbrio pela complementaridade entre lavoura, pesca e extrativismo — características que os termos "produção orgânica" e "sustentabilidade" sintetizam sem extrapolar o que está escrito.
E) abastecimento interno e na transumância.
❌ Incorreta: "abastecimento interno" até se aproxima do "consumo local" do Texto II, mas "transumância" — deslocamento sazonal e cíclico do rebanho entre pastagens — não é descrita no Texto I, que fala em expansão fixa da fronteira pecuarista, não em deslocamento periódico de animais.
🏆 Gabarito: D — os dois textos descrevem sistemas de baixa industrialização apoiados diretamente nos recursos do território: manejo pecuário extensivo de um lado e um arranjo produtivo sustentado pela complementaridade entre lavoura, pesca e extrativismo de outro, caracterização que a alternativa D resume com precisão, sem acrescentar informações que os textos não fornecem.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa cujos dois termos encontram respaldo direto no que está escrito em cada texto, sem depender de inferências externas como "exportação" ou "transumância".
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa dois textos curtos sobre a Amazônia para exigir a comparação de modelos produtivos que coexistem no mesmo espaço regional — pecuária de fronteira, agricultura de várzea, extrativismo e mineração aparecem em combinações variadas.
- Generalização: em questões de "coexistência de modelos", valide cada termo da alternativa separadamente contra o texto correspondente — uma alternativa só está correta se ambos os termos tiverem lastro no que foi efetivamente escrito, e não em associações que parecem óbvias mas extrapolam o texto.
- Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas que introduzam um termo técnico específico (exportação, arrendamento, transumância, agroecologia certificada) sem que ele apareça, mesmo que indiretamente, no texto-base — nos excertos do Censo Agropecuário do IBGE nenhuma dessas palavras é usada.
- Conexões: relacione esta questão com "estrutura fundiária brasileira" e com "extrativismo e populações tradicionais da Amazônia", temas frequentes em provas de Geografia agrária do ENEM.
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