Mapa de questões · 1º dia
Questão 67 — ENEM 2020 Digital
O tenentismo veio preencher um espaço: o vazio deixado pela falta de lideranças civis aptas a conduzirem o processo revolucionário brasileiro que começava a sacudir as já caducas instituições políticas da República Velha. Os “tenentes” substituíram os inexistentes partidos políticos de oposição aos governos de Epitácio Pessoa e de Artur Bernardes.
PRESTES, A. L. Uma epopeia brasileira: a Coluna Prestes. São Paulo: Moderna, 1995 (adaptado).
Um dos objetivos do movimento político abordado no texto era
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Tenentismo e crise da República Velha
- ⚡ Nível: Médio — exige conectar o texto histórico a um objetivo concreto do movimento, e não apenas reconhecer o nome "tenentismo"
- 🎯 Tema/Habilidade: Crise política da República Velha e emergência do tenentismo como oposição às oligarquias — competência de área ligada à análise de processos de dominação e de contestação política no Brasil republicano
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual era um dos objetivos do tenentismo, movimento descrito no fragmento de Anita Leocádia Prestes?"
- Palavras-chave decisivas: vazio deixado pela falta de lideranças civis, inexistentes partidos políticos de oposição, Epitácio Pessoa e Artur Bernardes
- Armadilha típica: atribuir ao tenentismo bandeiras de outros movimentos sociais do período republicano — como reforma agrária ou luta operária anarco-sindicalista — apenas porque também são temas "de esquerda" ou "revolucionários" da época.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o tenentismo nasceu como resposta à ausência de oposição política organizada dentro do sistema oligárquico da República Velha, e não como um movimento de pauta social ampla (agrária, operária) ou militar-institucional (unificação das Forças Armadas, fronteiras).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- República Velha (1889–1930): dominada pela "política do café com leite", em que São Paulo e Minas Gerais revezavam-se na presidência com apoio das oligarquias estaduais, sustentadas por coronelismo e voto de cabresto.
- Fraude eleitoral e coronelismo: o sistema eleitoral era manipulado pelas elites regionais — eleições a "bico de pena", currais eleitorais e ausência de voto secreto garantiam a perpetuação das oligarquias no poder, esvaziando qualquer oposição partidária real.
- Tenentismo: movimento dos anos 1920 protagonizado por oficiais de baixa e média patente do Exército, de origem urbana e classe média, que criticavam a corrupção política e o domínio oligárquico, defendendo moralização da vida pública e voto secreto — sem propor uma revolução social estrutural.
- Coluna Prestes (1925–1927): desdobramento do tenentismo, marcha pelo interior do Brasil liderada por Luís Carlos Prestes para mobilizar a população contra os governos oligárquicos.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o vazio deixado pela falta de lideranças civis aptas a conduzirem o processo revolucionário brasileiro" → mostra que os tenentes ocuparam um espaço de contestação política que a sociedade civil organizada não estava preenchendo, agindo como força de oposição ao status quo.
- Evidência 2: "os 'tenentes' substituíram os inexistentes partidos políticos de oposição aos governos de Epitácio Pessoa e de Artur Bernardes" → afirma que a função dos tenentes era fazer oposição política a governos sem fiscalização partidária real, justamente porque o sistema eleitoral vigente inviabilizava essa oposição.
- Síntese: o texto localiza o tenentismo na crítica ao arranjo político oligárquico da República Velha, sustentado por eleições fraudadas. Logo, o objetivo do movimento liga-se ao combate a esse mecanismo de dominação — a fraude eleitoral promovida pelas oligarquias regionais.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconstituir o cenário político da República Velha
Entre 1889 e 1930, o poder no Brasil estava concentrado nas oligarquias estaduais, sobretudo paulista e mineira, que alternavam a presidência por acordos informais (a "política do café com leite"). Esse arranjo se sustentava pelo coronelismo — domínio dos "coronéis" locais sobre o eleitorado rural — e pelo voto de cabresto, que garantia resultados previsíveis e favoráveis às elites no poder. Não havia partidos nacionais fortes capazes de fiscalizar esse sistema; existiam apenas partidos republicanos estaduais, controlados pelas próprias oligarquias.
Subpasso 4.2 — Situar o tenentismo dentro desse cenário
É nesse vácuo de oposição institucional que o tenentismo emerge, na década de 1920. Jovens oficiais do Exército, insatisfeitos com a corrupção política e a manipulação das eleições, protagonizaram revoltas — como a do Forte de Copacabana (1922) e a de 1924 em São Paulo — reivindicando moralização dos costumes políticos, fim da fraude eleitoral e voto secreto. O texto de Anita Leocádia Prestes reforça essa leitura: os tenentes se apresentam como substitutos dos "inexistentes partidos políticos de oposição", contestando o monopólio das oligarquias diante da fragilidade de uma oposição partidária legítima.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando as evidências com o conhecimento histórico: se os tenentes agiam como "oposição" aos governos de Epitácio Pessoa e Artur Bernardes num sistema sem pluralismo partidário real, o objetivo do movimento liga-se ao combate aos mecanismos que sustentavam esse domínio sem contestação — entre eles, a fraude eleitoral. Essa conclusão converge com a alternativa B, e nenhuma outra é sustentada pelo texto ou pelo ideário tenentista histórico.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) unificar as Forças Armadas pelo comando do Exército nacional.
❌ Incorreta: o tenentismo não era um projeto de reforma institucional militar voltado a subordinar Marinha e demais forças ao comando do Exército. Era contestação política de setores do Exército contra o poder civil oligárquico — o problema era o sistema eleitoral e a corrupção política, não a hierarquia entre as Forças Armadas.
B) combater a corrupção eleitoral perpetrada pelas oligarquias regionais.
✅ Correta: o texto mostra os tenentes substituindo uma oposição partidária inexistente diante dos governos de Epitácio Pessoa e Artur Bernardes — exatamente porque o sistema eleitoral da República Velha, sustentado pelas oligarquias regionais via coronelismo e voto de cabresto, impedia qualquer alternância real de poder. Combater essa fraude eleitoral e moralizar a política era a bandeira central do tenentismo.
C) restaurar a segurança das fronteiras negligenciadas pelo governo central.
❌ Incorreta: fronteiras nacionais são estranhas tanto ao texto quanto ao ideário tenentista, centrado na crítica à política interna e ao sistema eleitoral, não em defesa territorial.
D) organizar as frentes camponesas envolvidas na luta pela reforma agrária.
❌ Incorreta: o tenentismo foi movimento essencialmente urbano e militar, de classe média, sem programa de reforma agrária. Essa pauta é mais associada a movimentos posteriores, como as Ligas Camponesas das décadas de 1950–60.
E) pacificar os movimentos operários radicalizados pelo anarco-sindicalismo.
❌ Incorreta: o texto não trata do movimento operário urbano, e o tenentismo não tinha como finalidade mediar o anarco-sindicalismo. São temas de naturezas distintas: oposição político-eleitoral de setores médios/militares versus luta de classe operária urbana.
🏆 Gabarito: B — o tenentismo surgiu para preencher o vazio de oposição política diante do domínio oligárquico sustentado por fraudes eleitorais, tornando o combate à corrupção eleitoral das oligarquias regionais o objetivo central expresso no texto.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B articula corretamente o papel dos tenentes como "oposição" aos governos oligárquicos citados no texto, relacionando-o à causa estrutural desse domínio: a fraude eleitoral sustentada pelas oligarquias regionais.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente o tenentismo dentro do eixo "crise da República Velha", associando-o a revoltas militares (Forte de Copacabana, 1924), à Coluna Prestes e ao desfecho na Revolução de 1930 — sempre destacando sua crítica ao sistema político oligárquico, e não pautas sociais estruturais.
- Generalização: em questões sobre República Velha e tenentismo, associe sempre a cadeia: oligarquias regionais → coronelismo e voto de cabresto → tenentismo como oposição militar moralizadora → enfraquecimento do sistema → Revolução de 1930.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que tragam pautas de outros grupos sociais específicos (camponeses/reforma agrária, operariado urbano/anarco-sindicalismo) ou temas de defesa nacional (fronteiras, unificação militar), pois nenhum desses elementos aparece no texto nem compõe o núcleo histórico do tenentismo.
- Conexões: Revolução de 1930 e fim da República Velha; Semana de Arte Moderna de 1922 (mesmo ano da Revolta do Forte de Copacabana, simbolizando a efervescência de crítica às estruturas tradicionais do país).
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