Mapa de questões · 1º dia
Questão 39 — ENEM 2020 Digital
Hino à Bandeira
Em teu formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira,
Pavilhão da justiça e do amor!
BILAC, O.; BRAGA F. Disponível em: www/2.planalto.gov.br.
Acesso em: 10 dez. 2017 (fragmento)
No Hino à Bandeira, a descrição é um recurso utilizado para exaltar o símbolo nacional na medida em que:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto poético / função da linguagem descritiva
- ⚡ Nível: Fácil — a resposta está nas próprias palavras do texto, bastando reconhecer o efeito dos adjetivos usados na descrição.
- 🎯 Tema/Habilidade: Efeito de sentido dos recursos descritivos em texto laudatório (hino patriótico); competência de reconhecer relações entre recursos expressivos e a construção de sentido no texto.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que a descrição, especificamente, ajuda a exaltar a bandeira nesse hino?"
- Palavras-chave decisivas: descrição, recurso utilizado, exaltar o símbolo nacional
- Armadilha típica: confundir a presença de palavras como "sagrado" e "sagrada" com a resposta certa (letra D), esquecendo que o comando pergunta pela função da descrição, não pelo vocabulário religioso isolado do restante da estrofe.
- O que a resposta precisa demonstrar: identificar que os versos descritivos atribuem qualidades superlativas aos elementos retratados na bandeira — não que remetem ao futuro, à história ou à religião.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Gênero hino: texto de caráter cívico e laudatório, cuja função é enaltecer um símbolo (bandeira, pátria, instituição) por meio de linguagem grandiloquente e emotiva.
- Descrição como recurso expressivo: apresentar as características de algo por meio de adjetivos, substantivos abstratos e imagens sensoriais, atribuindo-lhe determinadas qualidades — a descrição nunca é neutra, ela orienta a percepção do leitor.
- Adjetivação valorativa (superlativização): uso de palavras que elevam uma qualidade ao grau máximo, como "puríssimo", "sem par" (= incomparável) e "esplendor" (= brilho extraordinário), reforçando a grandiosidade do que é descrito.
- Elementos simbólicos da bandeira: a bandeira nacional retrata visualmente elementos da natureza brasileira — o azul do céu, o verde das matas e as estrelas do Cruzeiro do Sul — que o eu lírico transforma em objeto da descrição.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Este céu de puríssimo azul" → o adjetivo puríssimo (superlativo absoluto) eleva a cor azul representada na bandeira à condição de pureza máxima.
- Evidência 2: "A verdura sem par destas matas" → a expressão sem par qualifica a vegetação como incomparável, insuperável.
- Evidência 3: "E o esplendor do Cruzeiro do Sul" → o substantivo esplendor enaltece a constelação estampada nas estrelas da bandeira, atribuindo-lhe brilho extraordinário.
- Síntese: os três primeiros versos descrevem, um a um, os elementos que a bandeira "retrata" (céu, mata, constelação) e cada descrição vem carregada de um termo que magnifica aquele elemento. A função da descrição, portanto, não é informar objetivamente, mas valorizar aquilo que é descrito.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconhecer o gênero e a função da estrofe
O fragmento é a letra do "Hino à Bandeira", cuja finalidade é exaltar o símbolo nacional. Logo no início, o eu lírico afirma que a bandeira "retrata" elementos da paisagem brasileira e passa a descrevê-los verso a verso: o céu, a mata e o Cruzeiro do Sul. Essa primeira estrofe é, portanto, essencialmente descritiva.
Subpasso 4.2 — Analisar os recursos linguísticos empregados na descrição
Observando cada trecho descritivo, nota-se um padrão: nenhum elemento é apresentado de forma neutra. Todos recebem um modificador que os eleva ao grau máximo de qualidade — "puríssimo" azul, verdura "sem par", "esplendor" do Cruzeiro do Sul. Esse recurso linguístico (adjetivos e substantivos em grau superlativo ou de sentido enaltecedor) transforma a simples descrição em um instrumento de exaltação: descrever, aqui, é engrandecer.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao confirmar que a estrofe usa a descrição para atribuir grandiosidade a cada elemento retratado na bandeira (e não para situar o leitor no tempo, promover união explícita, empregar vocabulário religioso ou resgatar fatos históricos), conclui-se que a descrição exalta o símbolo nacional justamente por valorizar os seus elementos — o caminho aponta diretamente para a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) remete a um momento futuro.
❌ Incorreta: o verbo no futuro ("há de ser") aparece somente na segunda estrofe, associado à esperança sobre o destino do Brasil — não é um traço da descrição da bandeira nem justifica sua exaltação por esse motivo.
B) promove a união dos cidadãos.
❌ Incorreta: a ideia de coletividade nacional aparece de forma indireta na terceira estrofe ("a imensa Nação Brasileira"), mas isso decorre da menção ao povo, não é efeito produzido pela descrição dos elementos naturais da bandeira.
C) valoriza os seus elementos.
✅ Correta: os versos descritivos qualificam cada elemento retratado na bandeira (céu, matas, Cruzeiro do Sul) com termos que os engrandecem — "puríssimo", "sem par", "esplendor" — fazendo da descrição um recurso de valorização, e não de mera informação.
D) emprega termos religiosos.
❌ Incorreta: embora "vulto sagrado" e "sagrada bandeira" apareçam no fragmento, esses termos pertencem a outra estrofe e não integram a descrição dos elementos naturais (céu, mata, constelação) mencionada no comando. A pergunta trata da função da descrição, não do vocabulário religioso do poema como um todo.
E) recorre à sua história.
❌ Incorreta: não há, no fragmento, qualquer menção a fatos, datas ou personagens históricos; a estrofe é puramente descritiva de elementos visuais/naturais, sem apelo à memória histórica do país.
🏆 Gabarito: C — a descrição exalta a bandeira ao atribuir qualidades superlativas (pureza, incomparabilidade, esplendor) a cada elemento nela retratado, valorizando-os um a um.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a letra C descreve corretamente o mecanismo textual observado: adjetivos e substantivos que engrandecem os elementos descritos (céu, matas, Cruzeiro do Sul), tornando a descrição um instrumento de exaltação.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer hinos, canções e poemas cívicos pedindo que o candidato identifique a função de um recurso linguístico (descrição, repetição, apóstrofe, comparação) no efeito de sentido pretendido pelo texto — raramente basta identificar o recurso, é preciso ligá-lo à intenção comunicativa.
- Generalização: em textos laudatórios (hinos, elogios, textos publicitários), sempre que a descrição aparecer, verifique se ela vem acompanhada de adjetivos/substantivos valorativos — esse é o indício de que a função é enaltecer o objeto descrito.
- Dica de eliminação rápida: confronte cada alternativa com o trecho específico citado no comando (aqui, a estrofe da descrição). Se a alternativa remete a uma ideia presente em outra parte do texto (religião, história, futuro, união), ela provavelmente é distratora — a resposta certa deve explicar exatamente o trecho apontado.
- Conexões: revise também questões sobre função da adjetivação em textos publicitários e sobre a estrutura de hinos/canções cívicas, temas recorrentes na prova de Linguagens.
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