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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 56ENEM 2020 Digital

A demanda mundial para a produção de alimentos aumenta progressivamente a taxas muito altas. Atualmente, na maioria dos países, continentes e regiões, a água consumida na agricultura é de cerca de 70% da disponibilidade total.

TUNDISI, J. G. Recursos hídricos no futuro: problemas e soluções. Estudos Avançados, n. 63, 2008 (adaptado).

Para que haja a redução da pressão sobre o recurso natural mencionado, a expansão da agricultura demanda melhorias no(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Recursos hídricos, agricultura e sustentabilidade ambiental
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto motivador já entrega a chave da resposta, bastando reconhecer que "reduzir pressão sobre a água" significa usá-la com mais eficiência
  • 🎯 Tema/Habilidade: Uso e gestão da água na agricultura (irrigação) — competência de área 5 do ENEM (relações entre sociedade, meio ambiente e tecnologia)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual melhoria tecnológica na agricultura diminui o consumo de água doce, já que a agricultura consome cerca de 70% da água disponível?"
  • Palavras-chave decisivas: redução da pressão, recurso natural (água), expansão da agricultura
  • Armadilha típica: confundir "melhorias que aumentam a produção agrícola" (fertilização, colheitadeiras mais rápidas) com "melhorias que reduzem o consumo de água" — a questão pede especificamente a segunda coisa, não qualquer avanço tecnológico do agronegócio.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a alternativa correta ataca diretamente o desperdício de água na irrigação, e não apenas a produtividade agrícola em geral.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Pressão sobre um recurso natural: é o grau de exploração/consumo exercido sobre um bem ambiental finito. Quando uma atividade consome parcela muito grande de um recurso (aqui, 70% da água disponível), diz-se que ela exerce forte pressão sobre ele.
  • Eficiência de irrigação: relação entre a quantidade de água efetivamente aproveitada pela planta e a quantidade total captada/aplicada no sistema. Métodos como irrigação por gotejamento e por microaspersão elevam essa eficiência, pois aplicam água diretamente na raiz e reduzem perdas por evaporação, escoamento e infiltração excessiva de forma muito superior aos sistemas tradicionais — ao contrário da irrigação por inundação (sulcos), historicamente muito usada e extremamente perdulária.
  • Segurança hídrica e agricultura: a agricultura irrigada é, isoladamente, a maior consumidora de água doce do planeta (dados da FAO e do próprio texto de Tundisi corroboram esse patamar de 70%). Por isso, qualquer estratégia de sustentabilidade hídrica global passa necessariamente por tornar a irrigação mais eficiente, e não apenas por aumentar a oferta de água (poços, barragens) ou a produtividade por outros meios.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a água consumida na agricultura é de cerca de 70% da disponibilidade total" → mostra que o setor agrícola é o principal responsável pelo uso (e potencial desperdício) da água doce disponível, tornando-o o alvo natural de qualquer política de redução de consumo.
  • Evidência 2: "Para que haja a redução da pressão sobre o recurso natural mencionado, a expansão da agricultura demanda melhorias no(a)" → o texto exige uma solução que permita a agricultura crescer (expandir) SEM aumentar proporcionalmente o consumo de água — ou seja, fazer mais com menos água.
  • Síntese: a única forma de expandir a produção agrícola sem intensificar a pressão sobre a água é otimizar o uso desse recurso no próprio processo em que ele é mais consumido: a irrigação. As demais alternativas tratam de outros insumos ou etapas da produção agrícola (solo, escoamento, poços, máquinas), que não atacam diretamente o problema do consumo hídrico.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o recurso natural em jogo e o problema central

O texto de Tundisi (2008) afirma que a água usada na agricultura representa cerca de 70% de toda a água doce disponível na maioria dos países. Isso configura um cenário de altíssima dependência: se a demanda mundial por alimentos continua crescendo "a taxas muito altas", a tendência natural seria um aumento proporcional no consumo de água — o que agravaria a escassez hídrica em regiões já vulneráveis (semiárido, áreas de estresse hídrico, bacias compartilhadas etc.).

Subpasso 4.2 — Traduzir "reduzir a pressão" em termos técnicos

"Reduzir a pressão sobre o recurso" não significa parar de produzir alimentos, mas sim dissociar o crescimento da produção agrícola do crescimento proporcional do consumo de água. Em termos de manejo, isso se traduz em ganhar eficiência hídrica: extrair mais alimento por cada litro de água utilizado. A ferramenta central para isso é a modernização das técnicas de irrigação — substituir sistemas de baixa eficiência (inundação, sulcos, aspersão convencional com alta perda por evaporação) por sistemas de alta eficiência (gotejamento, microaspersão, irrigação de precisão com sensores de umidade do solo, manejo por evapotranspiração), que podem elevar o aproveitamento da água de menos de 50% para mais de 90%.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando essa conclusão com as cinco alternativas, apenas a opção que trata diretamente da tecnologia de irrigação (D) resolve o problema apresentado: ela permite expandir a área ou a produtividade agrícola aplicando a mesma quantidade de água (ou menos) de forma mais racional, aliviando a pressão sobre o recurso hídrico. As demais tratam de solo, drenagem, captação subterrânea ou mecanização da colheita — nenhuma delas reduz o consumo de água na lavoura.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) fertilização química do solo.

❌ Incorreta: a fertilização (uso de adubos e insumos químicos) melhora a fertilidade e a produtividade do solo, mas não tem relação direta com o consumo de água na lavoura. Pelo contrário, sistemas de fertirrigação até dependem da água como veículo do nutriente, não reduzindo a pressão sobre esse recurso.

B) escoamento hídrico do terreno.

❌ Incorreta: o escoamento superficial (runoff) é a água que "foge" do terreno sem ser aproveitada pela planta — geralmente associado a perda de água e de solo (erosão). Melhorar o escoamento não é uma estratégia de economia de água; na verdade, o problema da agricultura é justamente controlar/reduzir esse escoamento para reter água no solo, e não "aprimorá-lo" como fim em si.

C) manutenção de poços artesianos.

❌ Incorreta: poços artesianos são fontes de captação de água subterrânea (aquíferos). Investir em sua manutenção aumenta ou garante a oferta de água extraída, mas não reduz o consumo — pelo contrário, poderia até intensificar a pressão sobre os recursos hídricos subterrâneos ao facilitar mais extração.

D) eficiência das técnicas de irrigação.

✅ Correta: melhorar a eficiência da irrigação (gotejamento, microaspersão, manejo de precisão) é exatamente o que permite expandir a produção agrícola consumindo proporcionalmente menos água, aliviando a pressão sobre esse recurso natural — a única alternativa que ataca a causa do problema apontado no texto.

E) velocidade das máquinas colheitadeiras.

❌ Incorreta: a velocidade de colheitadeiras está relacionada à eficiência operacional e logística da colheita (tempo, mão de obra, perdas de grãos), não ao uso da água durante o cultivo. É uma melhoria de produtividade mecânica, irrelevante para o consumo hídrico.

🏆 Gabarito: D — apenas o aprimoramento das técnicas de irrigação reduz diretamente o volume de água consumido pela agricultura, permitindo que a produção se expanda sem intensificar a pressão sobre um recurso que já responde por cerca de 70% do uso hídrico total.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra D é a única alternativa que conecta "expansão da agricultura" a "redução do consumo de água", pois trata exatamente da tecnologia usada para irrigar as lavouras com menos desperdício.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora textos com dados quantitativos (aqui, "70% da disponibilidade total") sobre recursos naturais finitos (água, solo, energia) e pede a identificação de práticas sustentáveis que dissociem crescimento econômico/produtivo de degradação ambiental — um raciocínio típico de questões de Geografia sobre desenvolvimento sustentável.
  • Generalização: sempre que uma questão apresentar um dado de consumo alto de um recurso natural por um setor específico e perguntar "o que reduz essa pressão", a resposta certa tende a ser a alternativa que melhora a eficiência no uso desse recurso especificamente na atividade citada — não qualquer avanço tecnológico do setor em geral.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara as alternativas que aumentam a oferta ou a produtividade sem tocar no consumo de água (poços, fertilizantes, máquinas) — elas resolvem outro problema. Fique apenas com opções que mencionem literalmente "água", "irrigação" ou "hídrico".
  • Conexões: compare com temas de "revolução verde e seus impactos ambientais", "estresse hídrico e mudanças climáticas" e "agricultura de precisão", que também caem com frequência no ENEM e na Geografia do agronegócio.

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