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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaDifícil

Questão 79ENEM 2020 Digital

Na América do Sul, a principal orientação dos investimentos nas últimas décadas foi direcionada para aumentar a oferta de commodities agropecuárias e minerais no mercado mundial. Grande parte dessas commodities está sendo consumida na China e na Índia, que são países que apresentam um rápido crescimento urbano com uma substancial mudança da distribuição territorial de suas numerosas populações. Soja, minério de ferro, alumínio, petróleo e, mais recentemente, biocombustíveis integram a pauta de exportações das nações sulamericanas.

EGLER, C. G. Crise, mudanças globais e inserção da América do Sul na economia mundial.
In: VIDEIRA, S. L.; COSTA, P. A.; FAJARDO, S. (Org.).Geografia econômica:
(re)leituras contemporâneas. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2011.

O principal risco econômico para os países da América do Sul dependentes da comercialização dos produtos mencionados no texto é o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Econômica e Geopolítica do Comércio Internacional
  • ⚡ Nível: Difícil — exige diferenciar um risco genérico (oscilação de preços) do risco específico apontado pelo texto, ligado à identidade e à trajetória dos países compradores
  • 🎯 Tema/Habilidade: Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT) e vulnerabilidade da pauta primário-exportadora sul-americana diante da ascensão asiática — Competência de Área 3 (H14)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, qual é o principal risco econômico para os países sul-americanos que dependem da exportação de soja, minério de ferro, alumínio, petróleo e biocombustíveis?"
  • Palavras-chave decisivas: principal risco econômico, dependentes da comercialização, China e Índia... rápido crescimento urbano
  • Armadilha típica: marcar "instabilidade do preço dos produtos primários" por ser o risco mais decorado sobre economias primário-exportadoras, ignorando o dado específico que o texto destaca.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ligar o risco econômico não a uma característica genérica de qualquer commodity, mas ao fato de os compradores serem justamente potências emergentes em transformação estrutural.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Commodities: produtos primários padronizados, sem diferenciação, cujo preço é definido em bolsas internacionais, não pelo produtor.
  • Reprimarização da pauta exportadora: volta das economias latino-americanas a concentrar exportações em matérias-primas de baixo valor agregado, aprofundando a dependência externa.
  • Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT): reorganização do comércio mundial em que países periféricos fornecem insumos e recursos naturais para sustentar a industrialização de potências em ascensão, como China e Índia.
  • Economias emergentes asiáticas: China, Índia e outros países (Indonésia, Vietnã) que combinam industrialização acelerada e modernização agrícola, podendo deixar de ser importadores e se tornarem produtores/concorrentes das mesmas commodities.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Grande parte dessas commodities está sendo consumida na China e na Índia" → o texto nomeia especificamente dois países cuja força econômica cresce mais rápido que a de qualquer outro bloco, não um mercado mundial difuso.
  • Evidência 2: "rápido crescimento urbano com uma substancial mudança da distribuição territorial de suas numerosas populações" → mostra China e Índia em pleno processo de industrialização e urbanização, ou seja, economias dinâmicas capazes de redirecionar sua própria capacidade produtiva, não consumidores estáticos.
  • Síntese: a demanda sul-americana depende de nações que estão, elas mesmas, ascendendo economicamente. O risco embutido não é "o preço pode cair" de forma abstrata, mas "o comprador de hoje pode virar concorrente amanhã".

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — O padrão de inserção da América do Sul na economia mundial

O texto descreve uma região especializada em ofertar matérias-primas de baixo valor agregado — soja, minério de ferro, alumínio, petróleo, biocombustíveis — para abastecer a industrialização externa. Quanto mais um país depende de poucos produtos e de poucos compradores, maior sua vulnerabilidade a decisões tomadas fora de suas fronteiras.

Subpasso 4.2 — Quem compra, e o que isso significa estruturalmente

China e Índia não são "mercados consumidores genéricos": são economias emergentes com industrialização acelerada, que investem em segurança de recursos. À medida que se desenvolvem, tendem a ampliar sua própria produção agrícola e mineral interna, reduzindo importações, e a usar capital e tecnologia para se tornarem elas mesmas exportadoras competitivas dos mesmos bens — como já ocorre com o agronegócio chinês, a mineração indiana e a ascensão de outras economias asiáticas em nichos semelhantes. O comprador de hoje pode virar concorrente amanhã, retirando a América do Sul de sua posição de fornecedora privilegiada.

Subpasso 4.3 — Verificação

Só uma alternativa dialoga com o dado mais específico do texto (identidade e trajetória de crescimento dos compradores): a concorrência de economias emergentes asiáticas. As demais tratam de fatores ausentes do texto (distância, esgotamento de reservas, transição energética) ou de um risco genérico demais para captar o que o excerto evidencia (oscilação de preços). O resultado converge para D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) surgimento de fontes energéticas renováveis.

❌ Incorreta: o texto cita petróleo e biocombustíveis, mas o fio condutor é o crescimento urbano e populacional de China e Índia aumentando a demanda — não uma transição energética que a reduziria. Os biocombustíveis citados já são renováveis, o que torna essa alternativa incoerente com o próprio texto.

B) instabilidade do preço dos produtos primários.

❌ Incorreta (a armadilha central): é verdade que commodities têm preços mais voláteis, formados em bolsas e sujeitos a especulação. Mas isso é uma característica estrutural de qualquer economia primário-exportadora, válida em qualquer época, independente do texto. O enunciado não menciona choque de preço ou câmbio; ele constrói a informação de que os compradores são países emergentes em rápida transformação. Marcar B é responder com conhecimento genérico, ignorando o dado mais específico do excerto.

C) distância dos principais parceiros comerciais.

❌ Incorreta: a distância entre América do Sul e Ásia é real, mas o transporte marítimo de commodities já incorpora esse custo, sem configurar risco central. O texto não menciona limitações logísticas — o argumento é sobre a dinâmica de crescimento dos países consumidores.

D) concorrência de economias emergentes asiáticas.

✅ Correta: como demonstrado no Passo 4, os principais consumidores das commodities sul-americanas — China e Índia — são, eles próprios, economias emergentes em rápida industrialização e urbanização. À medida que desenvolvem sua capacidade produtiva agrícola e mineral, podem reduzir importações sul-americanas ou disputar os mesmos mercados como exportadoras concorrentes, fragilizando uma região cuja economia depende quase exclusivamente dessa demanda externa.

E) esgotamento das reservas de combustíveis fósseis.

❌ Incorreta: o esgotamento geológico é um risco técnico e ambiental de longuíssimo prazo, alheio à informação central do texto, que trata da concentração do consumo em economias emergentes específicas, não da finitude dos recursos.

🏆 Gabarito: D — a América do Sul corre o risco de perder sua posição de fornecedora estratégica justamente porque seus principais compradores, China e Índia, são economias emergentes em ascensão, capazes de se tornar autossuficientes ou concorrentes na oferta dessas mesmas commodities.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D conecta o "principal risco econômico" à informação mais específica do texto — a identidade e a trajetória dos países consumidores, não uma característica abstrata de qualquer mercado de commodities.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a Nova Divisão Internacional do Trabalho e a reprimarização das exportações latino-americanas frente à ascensão da Ásia, exigindo que o estudante relacione dependência externa a vulnerabilidade estrutural.
  • Generalização: em questões de geografia econômica sobre commodities, volte sempre ao texto-base para identificar qual risco específico está sendo indicado — evite marcar a alternativa "clássica de livro" quando ela não dialoga com os dados do enunciado.
  • Dica de eliminação rápida: elimine A e E de imediato (questões energéticas e geológicas de longuíssimo prazo, sem relação com o enunciado); elimine C em seguida (distância não é mencionada e raramente é risco central no comércio marítimo global); entre B e D, escolha a que dialoga com o dado mais específico do texto — a identidade dos compradores, não a genérica volatilidade.
  • Conexões: Nova Divisão Internacional do Trabalho, ascensão da China como potência econômica global, reprimarização da pauta exportadora latino-americana, BRICS.

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