Mapa de questões · 1º dia
Questão 57 — ENEM 2020 Digital
Princípios práticos são subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade; são, por outro lado, objetivos, quando a condição é válida para a vontade de todo ser natural.
KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, 2008.
A concepção ética presente no texto defende a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Ética kantiana; máximas e imperativos; Crítica da razão prática
- ⚡ Nível: Médio — o vocabulário é técnico, mas a distinção subjetivo/objetivo entrega a resposta
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer a concepção ética de Kant a partir da distinção entre máximas e leis
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que ideia de ética está por trás da distinção entre princípios subjetivos e objetivos?"
- Palavras-chave decisivas: Princípios práticos são subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade, são objetivos, quando a condição é válida para a vontade de todo ser natural
- Armadilha típica: confundir a ética kantiana com utilitarismo, com ética das virtudes ou com moral religiosa
- O que a resposta precisa demonstrar: que só vale como lei moral o princípio válido para todos, o que define o dever como universal
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Máxima: princípio subjetivo da ação — a regra que o indivíduo adota para si, podendo valer só para ele.
- Lei prática objetiva: princípio válido para toda vontade racional, independentemente de inclinações pessoais.
- Imperativo categórico: "age só segundo aquela máxima que possas querer que se torne lei universal"; teste que converte máxima em lei.
- Dever (Pflicht): necessidade de agir por respeito à lei moral, e não por interesse ou consequência.
- Deontologia: ética centrada no dever e na forma da ação, em oposição às éticas centradas em fins ou consequências.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Princípios práticos são subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade" → define o princípio particular, restrito a quem age.
- Evidência 2: "são, por outro lado, objetivos, quando a condição é válida para a vontade de todo ser natural" → define o princípio que vale para todos, sem exceção.
- Evidência 3: a oposição é entre "só para a sua vontade" e "para a vontade de todo ser" → o critério de distinção é exatamente a abrangência: particular x universal.
- Síntese: para Kant, o que confere caráter moral a um princípio é sua validade universal — daí a universalidade do dever.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Compreender a distinção
Kant separa dois níveis. A máxima é a regra que cada um adota — posso decidir, por exemplo, dizer a verdade quando me convém. Já a lei prática objetiva vale para qualquer ser racional, independentemente de quem seja ou do que deseje. A diferença não está no conteúdo, mas na extensão da validade.
Subpasso 4.2 — Extrair a concepção ética implicada
Se apenas o princípio válido para todos merece o nome de lei prática, então a moralidade não se mede por resultados, por gostos ou por autoridade externa: mede-se pela possibilidade de universalização. É esse o núcleo do imperativo categórico, e é isso que faz do dever kantiano um dever universal — obriga todos, sempre, do mesmo modo.
Subpasso 4.3 — Verificação
"Universalidade do dever" nomeia exatamente essa exigência. As demais alternativas remetem a outras tradições: utilitarismo, sentimentalismo moral, aristotelismo e moral religiosa — todas incompatíveis com o critério formal apresentado no fragmento. Alternativa A confirmada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) universalidade do dever.
✅ Correta: o texto define como objetivo o princípio cuja condição "é válida para a vontade de todo ser natural", em oposição à máxima, válida "só para a sua vontade". É a universalidade que qualifica o princípio como lei prática — fundamento do imperativo categórico e do caráter incondicional do dever em Kant.
B) maximização da utilidade.
❌ Incorreta: é o princípio do utilitarismo de Bentham e Mill, que julga a ação pelas consequências e pela soma de bem-estar produzida. Kant recusa consequências como critério moral; o fragmento sequer menciona resultados.
C) aprovação pelo sentimento.
❌ Incorreta: remete ao sentimentalismo moral de Hume e Adam Smith, para quem a moralidade se apoia na aprovação afetiva. Kant funda a moral na razão e explicitamente afasta as inclinações como fundamento do dever.
D) identificação da justa medida.
❌ Incorreta: é a doutrina aristotélica do meio-termo, própria da ética das virtudes. Kant não busca equilíbrio entre extremos, e sim a forma universal da lei moral.
E) obediência à determinação divina.
❌ Incorreta: corresponde à moral heterônoma, fundada em autoridade externa. Para Kant, a moralidade exige autonomia — a vontade racional dá a si mesma a lei, e o fragmento não faz qualquer referência a mandamentos divinos.
🏆 Gabarito: A — Ao distinguir máximas, válidas só para quem age, de princípios objetivos, válidos para toda vontade racional, Kant funda a moralidade na universalidade do dever.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: A é a única alternativa coerente com o critério de validade universal; B, C, D e E pertencem a tradições éticas distintas.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra Kant pelo imperativo categórico, pela autonomia da vontade e pela oposição entre dever e inclinação.
- Generalização: em Kant, a pergunta-chave é sempre "esse princípio poderia valer para todos?". Se a alternativa fala em consequências, sentimentos ou autoridade externa, não é kantiana.
- Dica de eliminação rápida: localize o termo que marca abrangência — aqui, "todo ser natural". Ele aponta diretamente para universalidade.
- Conexões: imperativo categórico; autonomia x heteronomia; Kant e a crítica ao utilitarismo.
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