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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 57ENEM 2020 Digital

No caso do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a ênfase está posta no traçado de uma estratégia geral de desarticulação, não só dos inimigos reais como dos potenciais, inserida na concepção preventiva que supõe que a mínima dissidência é um sinal de perigo e de guerra futura. Deve-se ter capacidade para responder a uma guerra convencional tanto quanto para enfrentar um inimigo difuso, atentando simultaneamente para todas as áreas geográficas do planeta. Trata-se, sem dúvida, da estratégia com pretensões mais abrangentes que se desenvolveu até agora.

CECEÑA, A. E. Hegemonias e emancipações no século XXI. Buenos Aires: Clacso, 2005 (adaptado).

Tomando o texto como parâmetro, qual tendência contemporânea impulsiona a formulação de estratégias mais abrangentes por parte do Estado americano?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica contemporânea (Nova Ordem Mundial, conflitos assimétricos)
  • ⚡ Nível: Médio — exige conectar um conceito abstrato do texto ("inimigo difuso") a um processo histórico específico (organização em redes de atores não estatais)
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconfiguração do poder mundial e das estratégias militares após a Guerra Fria; competência de interpretar texto teórico de política internacional e relacioná-lo à conjuntura geopolítica
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual fenômeno mundial explica por que os EUA passaram a montar estratégias de defesa mais amplas, capazes de vigiar o planeta inteiro e não apenas responder a um Estado inimigo?"
  • Palavras-chave decisivas: inimigo difuso, todas as áreas geográficas do planeta, estratégia mais abrangente
  • Armadilha típica: confundir "abrangência global" com diplomacia (alternativa E) ou com fim de conflitos territoriais (alternativa A), ignorando que o texto fala justamente do oposto — um inimigo sem território fixo, que exige vigilância permanente.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a estratégia global de defesa é resposta a um tipo de ameaça que não está concentrada em um único Estado ou território, mas dispersa e conectada em escala mundial.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Inimigo difuso / guerra assimétrica: conflito entre atores com poderio militar muito desigual, no qual um dos lados — geralmente não estatal — não tem território, exército ou comando fixos, o que dificulta sua localização e neutralização por métodos convencionais.
  • Organização em redes (network warfare): estrutura horizontal e descentralizada, sem um centro de comando único, formada por células autônomas espalhadas em diversos países, conectadas por ideologia, comunicação e financiamento comuns — o modelo típico das organizações terroristas transnacionais.
  • Doutrina preventiva de segurança dos EUA: especialmente após os atentados de 11 de setembro de 2001, a política de defesa americana passou a tratar qualquer sinal de dissidência como ameaça potencial, justificando ações preventivas e monitoramento contínuo em escala global.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "estratégia geral de desarticulação, não só dos inimigos reais como dos potenciais" → mostra que a ameaça não se resume a um Estado inimigo declarado, mas inclui qualquer célula, grupo ou indivíduo disperso e de difícil mapeamento.
  • Evidência 2: "capacidade para responder a uma guerra convencional tanto quanto para enfrentar um inimigo difuso, atentando simultaneamente para todas as áreas geográficas do planeta" → evidencia que esse adversário não tem localização fixa: está pulverizado pelo globo, o que obriga a uma estratégia sem fronteiras definidas.
  • Síntese: o texto descreve a necessidade de uma estratégia sem limites territoriais precisamente porque o adversário também não os tem — ele se organiza de forma descentralizada, em rede, com células autônomas atuando em múltiplos países, característica típica das organizações não estatais do período pós-Guerra Fria.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Contextualização histórica

Com o fim da Guerra Fria e sobretudo após os atentados de 11 de setembro de 2001, a principal ameaça à segurança dos EUA deixou de ser um Estado-nação rival com fronteiras bem definidas — como era a URSS na bipolaridade — e passou a ser o terrorismo transnacional: organizações não estatais que operam em rede, com células autônomas espalhadas por diferentes países, sem comando centralizado nem território fixo a ser atacado.

Subpasso 4.2 — Análise do texto de Ceceña

A autora descreve essa mudança de doutrina: a defesa americana passa a exigir uma "estratégia geral de desarticulação" que vá além dos "inimigos reais" (Estados hostis identificáveis) e alcance também os "inimigos potenciais" — grupos e células difusos, sem endereço fixo. Daí a exigência de cobrir "simultaneamente todas as áreas geográficas do planeta": um inimigo organizado em rede pode surgir em qualquer lugar, pois não está preso a um território, ao contrário de um exército convencional.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando essa lógica com as cinco alternativas, só a que menciona a organização de atores em redes — descentralizadas, sem território fixo, espalhadas globalmente — explica por que a estratégia de defesa precisou se tornar tão abrangente a ponto de vigiar o planeta inteiro ao mesmo tempo. Confirma-se, assim, que a tendência descrita no comando é a "propagação de organizações em redes".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Erradicação dos conflitos em territórios

❌ Incorreta: o texto não trata de eliminar conflitos territoriais existentes; descreve uma lógica preventiva que amplia a vigilância e a ação militar para além dos territórios delimitados, antecipando ameaças — não de encerrar disputas já instaladas em determinado território.

B) Propagação de organizações em redes

✅ Correta: é essa característica — atores não estatais horizontais, descentralizados e dispersos globalmente, como as redes terroristas transnacionais — que obriga os EUA a desenvolver uma estratégia sem fronteiras fixas, capaz de responder tanto à guerra convencional quanto ao "inimigo difuso" presente potencialmente em qualquer ponto do globo.

C) Eliminação das diferenças regionais

❌ Incorreta: o texto não aborda homogeneização cultural, política ou econômica entre regiões; fala de cobertura militar simultânea de todas as áreas geográficas, o que é conceitualmente diferente de apagar diferenças regionais.

D) Ampliação de modelo democrático

❌ Incorreta: embora a exportação de democracia seja discurso recorrente da política externa americana em outros contextos, o texto não menciona regime político; trata estritamente de estratégia militar e de segurança diante de um inimigo difuso, não de difusão de instituições democráticas.

E) Projeção da diplomacia mundial

❌ Incorreta: o texto descreve uma estratégia militar e de defesa — "desarticulação de inimigos", "capacidade para responder a uma guerra" —, não uma atuação diplomática; diplomacia pressupõe negociação e relações pacíficas entre Estados, o oposto do que o excerto retrata.

🏆 Gabarito: B — a estratégia mais abrangente da defesa americana é resposta direta à propagação de organizações em rede: atores não estatais, descentralizados e territorialmente dispersos, que tornam obsoleta a lógica de defesa concentrada em fronteiras e em adversários estatais únicos.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa B conecta causalmente o "inimigo difuso" citado no texto à necessidade de vigilância global simultânea, associando-o à existência de organizações descentralizadas que atuam em rede.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a geopolítica contemporânea — Nova Ordem Mundial, terrorismo transnacional, unilateralismo dos EUA, conflitos assimétricos e a ação de organizações não estatais na cena internacional.
  • Generalização: sempre que um texto de política internacional descrever ameaças "sem rosto", "difusas" ou "descentralizadas", a resposta correta costuma remeter à lógica de redes (atores não estatais organizados horizontalmente), e não a atores estatais tradicionais.
  • Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas com vocabulário de "erradicação" ou "eliminação" total (como A e C) — julgamentos absolutos raramente correspondem ao efeito descrito em um texto de geopolítica; descarte também opções fora do campo semântico do trecho (diplomacia, democracia) quando o enunciado trata explicitamente de estratégia militar.
  • Conexões: Guerra ao Terror pós-11 de setembro; doutrina de guerra preventiva dos EUA; conceito de guerra assimétrica e de "novas guerras" na geopolítica contemporânea.

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