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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensEducação FísicaFácil

Questão 15ENEM 2020 Digital

O suor para estar em competições nacionais e internacionais de alto nível é o mesmo para homens e mulheres, mas não raramente as remunerações são menores para elas. Se no tênis, um dos esportes mais equânimes em termos de gênero, todos os principais torneiros oferecem prêmios idênticos nas disputas femininas e masculinas, no futebol a desigualdade atinge seu ápice. Neymar e Marta são dois expoentes dessa paixão nacional. Ela já foi eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa. Ele conquistou o terceiro lugar na última votação para melhor do mundo. Mas é na conta bancária que a diferença entre os dois se sobressai.

O esporte é uma manifestação cultural na qual se estabelecem relações sociais. Considerando o texto, o futebol é uma modalidade que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Educação Física → Sociologia do esporte (corpo, cultura e relações de gênero)
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto verbal e a infografia entregam explicitamente os dados que sustentam a resposta, bastando ao candidato cruzar as informações sem inferências complexas.
  • 🎯 Tema/Habilidade: O esporte como manifestação cultural que reproduz desigualdades sociais de gênero (leitura crítica de texto multimodal — verbal + infográfico)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual característica do futebol, como prática cultural, fica comprovada pelo texto e pela infografia sobre Marta e Neymar?"
  • Palavras-chave decisivas: identidade masculina, desigualdade no seu ápice, conta bancária
  • Armadilha típica: associar a diferença salarial ao desempenho esportivo (mais gols = mais eficiência = mais dinheiro), quando os próprios dados do infográfico desmontam essa lógica.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a discrepância de remuneração no futebol não decorre de mérito técnico, mas de uma construção cultural que historicamente associa o esporte à masculinidade, valorizando mais o futebol masculino.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Esporte como manifestação cultural: práticas corporais não são "naturais" nem neutras — carregam valores, hierarquias e símbolos da sociedade que as pratica, podendo reproduzir preconceitos e desigualdades.
  • Relações de gênero no esporte: desigualdades de acesso, visibilidade midiática, patrocínio e remuneração entre homens e mulheres, historicamente construídas e não relacionadas ao mérito ou à capacidade técnica.
  • Futebol como "paixão nacional" masculinizada: no Brasil, o futebol se consolidou ao longo do século XX como espaço por excelência de afirmação da masculinidade, com investimento midiático e financeiro concentrado nos times e jogadores homens — o que gera um ciclo de menor exposição, menor patrocínio e menor salário para o futebol feminino, independentemente do talento das atletas.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "O suor para estar em competições nacionais e internacionais de alto nível é o mesmo para homens e mulheres, mas não raramente as remunerações são menores para elas" → o próprio texto descarta, de saída, a hipótese de que o esforço ou o mérito explicam a diferença salarial.
  • Evidência 2: "no futebol a desigualdade atinge seu ápice" (em contraste direto com o tênis, citado como "um dos esportes mais equânimes em termos de gênero") → o texto usa o tênis como contraponto justamente para mostrar que o problema não é do esporte em geral, mas específico da cultura construída em torno do futebol.
  • Evidência 3 (infografia "Quanto vale o gol?"): Marta — US$ 400 mil de salário anual, 103 gols pela seleção, US$ 3,9 mil por gol; Neymar — US$ 14,5 milhões de salário anual, 50 gols pela seleção, US$ 290 mil por gol → apesar de Marta ter mais que o dobro de gols pela seleção e um "custo por gol" muito menor (ou seja, um retorno por gol muito mais vantajoso para quem paga), ela recebe uma fração ínfima do salário de Neymar.
  • Síntese: o texto verbal (comparação com o tênis, uso da expressão "ápice" da desigualdade) e a infografia (números que contradizem qualquer relação com desempenho) convergem para uma única leitura: a disparidade salarial no futebol é estrutural e cultural — fruto de uma identidade masculina consolidada nesse esporte —, não meritocrática.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Conferindo os números da infografia

US$ 400.000 ÷ 103 gols ≈ US$ 3.883/gol (arredondado para US$ 3,9 mil, como consta na imagem). US$ 14.500.000 ÷ 50 gols = US$ 290.000/gol. Ou seja, Neymar ganha, por ano, cerca de 36 vezes mais que Marta (14,5 milhões ÷ 400 mil ≈ 36×), mesmo ela tendo marcado mais que o dobro de gols pela seleção e sido eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa — contra o terceiro lugar de Neymar na mesma disputa masculina.

Subpasso 4.2 — Eliminando a hipótese de mérito

Se a remuneração fosse proporcional a desempenho, eficiência ou reconhecimento internacional, Marta deveria ganhar mais (ou pelo menos proporcionalmente mais por gol), não menos. Isso invalida qualquer alternativa que associe o salário ao esforço, ao treinamento ou à eficiência esportiva — a causa da disparidade está fora do campo de jogo, na forma como a sociedade brasileira historicamente valoriza o futebol masculino como símbolo de identidade nacional.

Subpasso 4.3 — Verificação

Voltando ao comando ("o futebol é uma modalidade que..."), a única leitura compatível com texto + infografia é a que reconhece o futebol como um esporte cuja identidade cultural no Brasil foi construída como masculina, o que explica (e não decorre de) a maior remuneração dos jogadores homens. Essa é exatamente a alternativa B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) apresenta proximidades com o tênis, no que tange às relações de gênero entre homens e mulheres.

❌ Incorreta: o texto faz exatamente o movimento contrário — usa o tênis como exemplo de equidade de gênero para, por contraste, evidenciar que o futebol é o oposto disso ("no futebol a desigualdade atinge seu ápice"). Afirmar proximidade entre os dois esportes inverte o sentido do texto.

B) se caracteriza por uma identidade masculina no Brasil, conferindo maior remuneração aos jogadores.

✅ Correta: é a única alternativa que explica a causa estrutural da disparidade — o futebol se consolidou histórica e culturalmente como espaço de afirmação da masculinidade no Brasil, o que se traduz em maior investimento, visibilidade e remuneração para os jogadores homens, independentemente do mérito esportivo comprovado pelos dados de Marta.

C) traz remunerações, aos jogadores e jogadoras, proporcionais aos seus esforços no treinamento esportivo.

❌ Incorreta: os números do infográfico desmentem diretamente essa proporcionalidade — Marta tem mais gols pela seleção e um "custo por gol" muito menor, mas recebe uma fração mínima do salário de Neymar; não há relação proporcional entre esforço/desempenho e remuneração.

D) resulta em melhor eficiência para as mulheres e, consequentemente, em remuneração mais alta às jogadoras.

❌ Incorreta: a alternativa até acerta ao apontar que Marta tem melhor "eficiência" (mais gols, menor custo por gol), mas erra na consequência — essa eficiência superior não se traduz em remuneração mais alta; pelo contrário, ela ganha muito menos, o que é justamente o paradoxo denunciado pelo texto.

E) possui jogadores e jogadoras com a mesma visibilidade, apesar de haver expoentes femininas de destaque, como Marta.

❌ Incorreta: o texto todo é construído para mostrar o oposto — mesmo sendo cinco vezes eleita a melhor do mundo, Marta tem visibilidade e remuneração muito inferiores às de Neymar; não há "mesma visibilidade", e sim uma disparidade que persiste apesar do destaque individual da atleta.

🏆 Gabarito: B — o texto e a infografia comprovam que a desigualdade salarial no futebol não tem relação com mérito ou desempenho, mas com a identidade cultural masculina historicamente atribuída a esse esporte no Brasil, que direciona maior investimento e remuneração aos jogadores homens.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B explica a causa (identidade cultural masculina do futebol) e a consequência (maior remuneração aos homens) de forma coerente com todos os dados apresentados — texto e infografia.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa a área de Educação Física para tratar o esporte não como atividade física isolada, mas como fenômeno social e cultural, ligado a gênero, classe, raça e identidade nacional — sempre exigindo leitura crítica de textos multimodais (reportagem + gráfico/infografia).
  • Generalização: em questões que combinam texto e dados numéricos, a alternativa correta é sempre aquela que os dados confirmam integralmente; qualquer opção que dependa de "desempenho explica a diferença" cai por terra quando os números mostram o contrário.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que relacione remuneração a mérito/eficiência (aqui, C e D) sempre que a infografia trouxer números que contradizem essa relação — e desconfie de alternativas que afirmem "igualdade" ou "proximidade" (A e E) quando o texto constrói o argumento justamente em torno de uma desigualdade.
  • Conexões: o tema dialoga com questões sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho em geral e com textos sobre representatividade feminina em espaços historicamente masculinizados — outro eixo recorrente nas questões de Ciências Humanas e Linguagens do ENEM.

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