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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaFácil

Questão 90ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

A atividade de trançar cabelos tornou-se um trabalho para muitas mulheres e homens negros na sociedade brasileira. No Rio de Janeiro, encontramos trabalhadoras e trabalhadores cultivando uma arte que não começou nos territórios de diáspora africana. Penteados complexos eram marcas civilizatórias de várias sociedades africanas. Trançar cabelos e enfeitá-los com adornos — tais como: conchas, búzios e miçangas, que entre seus muitos significados representam prosperidade — é uma ação muito antiga.

SANTOS, L. B. Mapeamento de trancistas afro do estado do Rio de Janeiro.
Disponível em: www.geledes.org.br. Acesso em: 5 out. 2021 (adaptado).

O texto destaca que a atividade de trançar os cabelos no Brasil é uma

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Cultura Afro-Brasileira e Diáspora Africana (dialoga também com Sociologia, no eixo identidade e patrimônio cultural)
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto entrega a resposta de forma explícita, mas exige atenção fina ao vocabulário técnico das alternativas (herança, apropriação, senso comum) para não trocar termos parecidos
  • 🎯 Tema/Habilidade: Ancestralidade africana e patrimônio imaterial afro-brasileiro; competência de leitura em Ciências Humanas voltada a reconhecer processos de continuidade histórico-cultural
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que representa, segundo o texto, a prática de trançar cabelos entre pessoas negras no Brasil?"
  • Palavras-chave decisivas: "marcas civilizatórias", "não começou nos territórios de diáspora", "ação muito antiga"
  • Armadilha típica: confundir a continuidade de uma prática africana no Brasil com "apropriação da cultura local" (alternativa B). O candidato desatento associa "adaptação ao Rio de Janeiro" com apropriação, mas quem trança é a própria população negra retomando sua herança — não um grupo externo se apossando de algo alheio.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar que o texto narra uma linha de continuidade — origem africana, travessia pela diáspora, permanência no presente — e não uma criação recente, uma cópia, uma negação do presente ou um saber genérico.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Diáspora africana: dispersão forçada de povos africanos pelo mundo, sobretudo através do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, que carregou consigo línguas, religiosidades, técnicas corporais e estéticas capilares.
  • Ancestralidade: princípio segundo o qual práticas, saberes e valores são transmitidos entre gerações, funcionando como elo vivo de identidade com os antepassados.
  • Marcas civilizatórias: sistemas de significado — como penteados, cortes e adornos — que expressam organização social, etnia, status e cosmovisão dentro das sociedades africanas de origem.
  • Patrimônio cultural imaterial: conjunto de saberes, ofícios e expressões culturais (como a arte de trançar) reconhecidos como parte constitutiva da identidade de um grupo, mesmo sem existência física fixa.
  • Resistência e reafirmação identitária negra: manutenção e ressignificação de práticas africanas no Brasil como forma de afirmar identidade e pertencimento diante do apagamento histórico produzido pela escravidão e pelo racismo.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "uma arte que não começou nos territórios de diáspora africana" → deixa claro que a origem da prática é anterior e externa ao Brasil: ela nasceu na África e apenas atravessou o oceano com os povos escravizados.
  • Evidência 2: "Penteados complexos eram marcas civilizatórias de várias sociedades africanas" → mostra que trançar cabelos já era, no continente africano, um sistema de significados sociais consolidado, não uma invenção recente ou uma curiosidade estética.
  • Evidência 3: "Trançar cabelos e enfeitá-los com adornos [...] é uma ação muito antiga" e os adornos "representam prosperidade" → reforça a ideia de continuidade de sentido: o significado atribuído aos penteados no passado africano permanece vivo no presente brasileiro.
  • Síntese: o texto constrói uma linha contínua entre África e Brasil — a prática nasceu lá, foi trazida pela diáspora e segue viva aqui, carregando os mesmos significados originais. Isso é, por definição, afirmação de herança ancestral, e não invenção, cópia, recusa ou banalidade.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar quem faz a ação e de onde ela vem

O texto apresenta trabalhadoras e trabalhadores negros do Rio de Janeiro que "cultivam uma arte" — o verbo "cultivar" já sugere cuidado com algo preexistente, não criação do zero. Em seguida, a fonte é explícita: essa arte "não começou nos territórios de diáspora africana", ou seja, sua origem está na África, anterior à chegada forçada de povos africanos ao Brasil.

Subpasso 4.2 — Relacionar a prática ao conceito de herança cultural

Os elementos citados — penteados como "marcas civilizatórias", adornos como conchas, búzios e miçangas com significado de prosperidade — comprovam que a trança carrega um sentido histórico e identitário estruturado, transmitido de geração em geração. Esse é exatamente o mecanismo da ancestralidade: um saber do passado que continua orientando práticas do presente, funcionando como elo entre quem trança hoje no Rio de Janeiro e as sociedades africanas de origem.

Subpasso 4.3 — Verificação

A alternativa que sintetiza "prática antiga, de origem africana, mantida e reproduzida no presente como marca de identidade" é exatamente "afirmação da herança ancestral". Ao confrontar essa síntese com as demais opções, nenhuma outra alternativa capta simultaneamente os três elementos centrais do texto: origem africana, continuidade histórica e função identitária. O resultado da leitura confirma a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) inovação de prática usual.

❌ Incorreta: o texto afirma exatamente o oposto de novidade — trata-se de "uma ação muito antiga", cuja origem remonta a sociedades africanas anteriores à diáspora. Chamar de "inovação" ignora toda a temporalidade histórica descrita no texto.

B) apropriação da cultura local.

❌ Incorreta: apropriação cultural pressupõe que um grupo externo à cultura de origem se aproprie de elementos alheios, geralmente descontextualizando-os. Aqui ocorre o inverso: é a própria população afrodescendente, herdeira direta dessa tradição, que continua praticando e ressignificando sua própria cultura — não há apropriação de "cultura local" por um grupo de fora.

C) rejeição do momento presente.

❌ Incorreta: o texto não descreve nenhuma recusa do presente; pelo contrário, mostra a trança tornando-se "um trabalho" atual, gerador de renda no Rio de Janeiro contemporâneo. A prática articula passado e presente, não os opõe.

D) afirmação da herança ancestral.

✅ Correta: reúne com precisão os três pilares do texto — origem africana ("não começou nos territórios de diáspora"), continuidade histórica ("ação muito antiga", "marcas civilizatórias") e função identitária (significados como prosperidade, mantidos até hoje). É a única alternativa que traduz esse movimento de herança transmitida e reafirmada.

E) ratificação do senso comum.

❌ Incorreta: senso comum remete a um saber genérico, não sistematizado, do cotidiano. O texto descreve, ao contrário, um sistema cultural elaborado — "marcas civilizatórias" com significados específicos —, o que é incompatível com a ideia de algo trivial ou espontâneo sem raiz histórica.

🏆 Gabarito: D — o texto descreve a trança como prática de origem africana, antiga e carregada de significados, mantida e reafirmada pela população negra brasileira como elo identitário com seus antepassados: afirmação da herança ancestral.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D reúne origem africana explícita, continuidade histórica e função identitária citadas no texto; as demais alternativas contradizem algum desses três elementos.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos sobre cultura afro-brasileira (religiosidade, culinária, capoeira, tranças, quilombos) para testar se o estudante reconhece práticas negras como heranças históricas legítimas, e não como curiosidades exóticas ou criações recentes.
  • Generalização: sempre que um texto descrever uma prática cultural com origem histórica explícita e continuidade até o presente, a resposta tende a valorizar termos como "herança", "ancestralidade", "resistência" ou "identidade" — e a rejeitar termos que sugiram novidade, cópia externa ou trivialidade.
  • Dica de eliminação rápida: ao ler "não começou" e "ação muito antiga" no texto, já é possível eliminar de cara qualquer alternativa com a palavra "inovação"; ao identificar que o sujeito da prática pertence ao mesmo grupo étnico de origem, elimina-se "apropriação", que exige sempre um agente externo.
  • Conexões: compare com questões sobre capoeira, religiões de matriz africana (candomblé, umbanda) e quilombos — todos exemplos clássicos de patrimônio imaterial afro-brasileiro cobrados sob a mesma lógica de ancestralidade e resistência cultural.

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