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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaFácil

Questão 67ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

O Museu da Maré funciona na Zona Norte do Rio de Janeiro. Tem como exposição permanente a mostra 12 tempos, que representa os tempos de construção da Favela da Maré, entre eles, os tempos da água, da migração, da casa, da resistência, do trabalho e do cotidiano. Para representar esses períodos, estão expostos pertences de antigos moradores — doados ao museu —, como fotografias e a reprodução de uma casa de palafita, em tamanho real, em referência às que serviram de moradia para centenas de famílias quando a ocupação da Maré teve início, nos anos 1940.

PITASSE, M. Museu da Maré resgata memória da favela há
quase 12 anos, no Rio de Janeiro. 2018 (adaptado).

A concepção de museu mencionada no texto reúne elementos patrimoniais e a

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → patrimônio cultural, memória social e museologia comunitária
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto entrega quase todas as pistas explícitas; basta identificar que "12 tempos" traduz pluralidade de vivências, sem exigir conceitos técnicos complexos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Museus comunitários como instrumentos de valorização da memória popular (Competência de Área 3 de Ciências Humanas — dinâmica das relações sociais e culturais)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que, além de reunir elementos patrimoniais, a proposta do Museu da Maré também promove?"
  • Palavras-chave decisivas: 12 tempos, pertences de antigos moradores, palafita em tamanho real
  • Armadilha típica: confundir "museu" com espaço voltado à arte erudita (alternativa D) ou à preservação arquitetônica pura (alternativa B), ignorando que o texto fala de tempos sociais — água, migração, casa, resistência, trabalho, cotidiano — e não de estilos artísticos ou de engenharia predial.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a exposição articula objetos e memórias de diferentes momentos e grupos sociais da favela, isto é, uma multiplicidade de histórias e vivências, não um recorte único e homogêneo.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Patrimônio cultural: conjunto de bens materiais (edificações, objetos, fotografias) e imateriais (saberes, práticas, memórias) que uma comunidade reconhece como referência de sua identidade. No texto, isso aparece nas "fotografias" e nos "pertences de antigos moradores" doados ao museu.
  • Museu comunitário / nova museologia: modelo museológico que desloca o protagonismo das grandes instituições oficiais (voltadas a "belas artes" ou a heróis nacionais) para as próprias comunidades, que se tornam sujeitos — e não apenas objetos — da narrativa exposta. O Museu da Maré é gerido a partir da vivência dos moradores da favela, não por um órgão externo que "olha de fora".
  • Memória social e história vista de baixo: corrente historiográfica e sociológica que resgata a experiência de grupos populares, normalmente excluídos dos museus tradicionais. Os "12 tempos" (água, migração, casa, resistência, trabalho, cotidiano) são justamente marcos dessa história de baixo para cima.
  • Diversidade histórica: não existe um único tempo ou uma única versão da história da Maré — existem tempos plurais e sobrepostos, vividos por sujeitos diferentes (migrantes, trabalhadores, moradores da palafita), o que caracteriza a diversidade como conceito central da mostra.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "mostra 12 tempos, que representa os tempos de construção da Favela da Maré, entre eles, os tempos da água, da migração, da casa, da resistência, do trabalho e do cotidiano" → revela uma segmentação deliberada da história local em múltiplas dimensões sociais e temporais, não em um recorte único.
  • Evidência 2: "estão expostos pertences de antigos moradores — doados ao museu —, como fotografias e a reprodução de uma casa de palafita, em tamanho real" → mostra que o acervo é formado por objetos patrimoniais concretos (bens materiais), doados pela própria comunidade, o que reforça o caráter participativo e plural da narrativa.
  • Síntese: o museu reúne, de um lado, elementos patrimoniais tangíveis (fotografias, réplica de palafita, pertences pessoais) e, de outro, uma narrativa que atravessa seis "tempos" distintos da vida na favela — ou seja, junta patrimônio material a uma pluralidade de experiências históricas e sociais, o que é exatamente a definição de valorização da diversidade histórica.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza do acervo

O texto lista dois tipos de itens expostos: (1) objetos pessoais doados por moradores — fotografias, pertences — e (2) uma reconstituição arquitetônica em escala real (a palafita). Ambos são elementos patrimoniais clássicos: testemunhos materiais de um passado coletivo que a comunidade decide preservar e mostrar.

Subpasso 4.2 — Identificar o que vai além do patrimônio material

Se a questão perguntasse apenas sobre a natureza do acervo, a resposta ficaria restrita ao patrimônio material. Mas o comando pede o que a exposição reúne "além" disso. A pista está nos "12 tempos": água, migração, casa, resistência, trabalho, cotidiano. Cada um desses tempos corresponde a uma camada distinta da experiência social da favela — chegada de migrantes, ocupação do território, luta por moradia, organização do trabalho informal, vida cotidiana. Isso não é um relato único e linear, é um mosaico de histórias diferentes, vividas por sujeitos diferentes, em momentos diferentes.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao comparar esse mosaico com as cinco alternativas, apenas a ideia de "diversidade histórica" contempla simultaneamente (a) a existência de múltiplos tempos/temas na mostra e (b) o caráter plural e não hierárquico dessas narrativas — exatamente o que caracteriza um museu comunitário como o da Maré. As demais alternativas tratam de recortes que o texto sequer menciona (jornalismo, opinião pública, arte, engenharia civil).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) mobilização do jornalismo policial.

❌ Incorreta: o texto não menciona reportagem, crime ou cobertura policial. O museu trata de memória social e cultural, não de fatos jornalísticos ligados à segurança pública — é uma associação equivocada com o estigma de "favela = violência", que a questão não sustenta.

B) conservação da edificação civil.

❌ Incorreta: embora exista a "reprodução de uma casa de palafita", o foco não é técnico-arquitetônico (preservar estruturas por seu valor construtivo), mas simbólico — a palafita representa uma forma de vida e um tempo histórico (o da migração e da ocupação), não um exemplar de engenharia a ser conservado por si só.

C) manutenção da opinião pública.

❌ Incorreta: "opinião pública" remete a debate político-eleitoral ou midiático sobre temas do momento. O museu não tem essa função; ele constrói memória histórica e identitária de longo prazo, não pauta o debate público corrente.

D) definição da identidade artística.

❌ Incorreta: o Museu da Maré não é um museu de arte nem busca definir estilos ou movimentos artísticos. Seu acervo é etnográfico e memorial (fotografias, objetos pessoais, réplica de moradia), não uma coleção de obras de arte.

E) valorização da diversidade histórica.

✅ Correta: os "12 tempos" expressam explicitamente uma pluralidade de vivências e momentos históricos da favela — migração, resistência, trabalho, cotidiano, entre outros — reunidos ao lado dos elementos patrimoniais (fotos, objetos, palafita). Essa é a essência de um museu comunitário: articular patrimônio material a múltiplas camadas de memória social.

🏆 Gabarito: E — a exposição une objetos patrimoniais (fotografias, pertences, palafita reconstruída) a uma narrativa deliberadamente plural, os "12 tempos" da favela, o que configura valorização da diversidade histórica.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa E conecta corretamente os dois elementos citados no comando — patrimônio (objetos, réplica arquitetônica) e a pluralidade de tempos sociais narrados pela mostra —, sem extrapolar para temas ausentes do texto (jornalismo, opinião pública, arte, engenharia).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz museus comunitários, ecomuseus e centros de memória popular (favelas, quilombos, povos indígenas, periferias) para testar se o estudante reconhece a "nova museologia" — aquela que dá voz a grupos historicamente silenciados, em contraste com museus tradicionais focados em arte erudita ou grandes feitos oficiais.
  • Generalização: sempre que um texto descrever um museu formado por doações da própria comunidade e organizado em múltiplos "tempos", "memórias" ou "vozes", a resposta caminha para conceitos como diversidade, pluralidade e protagonismo popular — raramente para arte, engenharia ou política partidária.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que traga um substantivo "estranho" ao campo semântico do texto (jornalismo, opinião pública) — são áreas que a questão jamais mencionou. Entre as restantes, prefira sempre a que abranger a ideia central do texto (pluralidade de tempos) e não apenas um detalhe isolado (a casa de palafita, que sozinha sugeriria "edificação").
  • Conexões: compare com questões sobre patrimônio imaterial (saberes, festas populares tombados pelo IPHAN) e sobre movimentos de "história vista de baixo", que também valorizam memórias de grupos populares em detrimento de narrativas oficiais únicas.

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