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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 20ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

Apesar de condenado, jargão
corporativo tem vida própria

Encomendada por empresas de referência no mundo digital, uma pesquisa feita com 8 000 pessoas de oito países — inclusive o Brasil — atesta a força do jargão corporativo. A onipresença de um código cifrado em ambientes de trabalho e o predomínio do inglês em seu vocabulário não surpreendem ninguém, mas o estudo flagrou aspectos menos óbvios do fenômeno que transforma “rapidinho” em “asap” (as soon as possible). A maioria das pessoas expostas ao corporativês — 57% na média dos oito países — acha que ele provoca perda de tempo, mal-entendidos e retrabalho no dia a dia. Só uma minoria não gostaria de eliminá-lo ou reduzi-lo. Um número ainda maior, 60%, queixou-se de falta de apoio para aprender a “língua da casa” após a contratação. Jargão é assim: serve tanto para reforçar laços entre os que estão dentro do seu círculo de sentido quanto para barrar os de fora. Cada um que se vire para entrar.

Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 6 jan. 2024 (adaptado).

De acordo com esse texto, o jargão corporativo diz respeito a

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto e variação linguística (jargão profissional/corporativo)
  • ⚡ Nível: Fácil — o próprio texto define o conceito de jargão em suas frases finais, bastando localizar e parafrasear corretamente os trechos-chave.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer, a partir de um texto jornalístico, a função social da variação linguística de grupo (jargão), relacionando forma linguística e contexto de uso.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, o que caracteriza o jargão corporativo?"
  • Palavras-chave decisivas: código cifrado, reforçar laços... barrar os de fora, língua da casa
  • Armadilha típica: confundir traços periféricos do jargão — o inglês de "asap" ou os mal-entendidos que ele gera — com a definição essencial do fenômeno: um código restrito a um grupo social específico.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de extrair do texto os dois elementos que definem o jargão — (1) ser codificado e (2) estar circunscrito a um contexto social delimitado — sem se prender a um exemplo ou a uma consequência citados de passagem.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Jargão profissional/corporativo: variedade lexical técnica de um grupo de trabalho, cuja função não é só nomear coisas, mas marcar quem pertence (ou não) àquele universo.
  • Variação linguística de grupo: a língua muda conforme a comunidade que a utiliza; jargões e dialetos técnicos são manifestações desse tipo de variação, sempre presas a um contexto de uso específico.
  • Código/cifra: sistema de signos plenamente decifrável só por quem compartilha as convenções do grupo — ideia ativada pela expressão "código cifrado".
  • Função identitária e excludente: grupos usam vocabulário próprio para reforçar a coesão interna e, ao mesmo tempo, demarcar a fronteira entre "quem está dentro" e "quem está fora", como o texto explicita no fecho.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a onipresença de um código cifrado em ambientes de trabalho" → o jargão é um sistema de signos fechado que circula dentro de um espaço social delimitado: o trabalho.
  • Evidência 2: "Jargão é assim: serve tanto para reforçar laços entre os que estão dentro do seu círculo de sentido quanto para barrar os de fora" → função dupla de unir quem entende e excluir quem não entende, o que só faz sentido porque essa linguagem vale dentro de um contexto social específico (a "língua da casa" que 60% dizem não ter aprendido com apoio).
  • Síntese: o texto define o jargão não pelo idioma que usa nem pelos problemas que causa, mas pela junção de dois traços — expressões codificadas que operam em um contexto social específico — a formulação buscada pelo comando.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o núcleo semântico do texto

Logo na abertura, o jargão corporativo é apresentado como "código cifrado em ambientes de trabalho", associado ao "predomínio do inglês" (ilustrado por "rapidinho" → "asap"). O inglês é apenas um traço frequente nesta pesquisa, não a essência do fenômeno: jargões existem em qualquer idioma e profissão, com ou sem estrangeirismos.

Subpasso 4.2 — Conectar forma linguística e função social

O texto avança de "o que é" para "para que serve": a frase final — "reforçar laços... barrar os de fora" — é a chave interpretativa. Ela mostra que o jargão só existe como fenômeno linguístico-social porque está preso a um contexto delimitado (a empresa), dentro do qual funciona como senha de pertencimento.

Subpasso 4.3 — Verificação

Somando "código cifrado" (expressões codificadas) a "círculo de sentido"/"língua da casa" (contexto social específico), chega-se à alternativa D: "expressões codificadas empregadas em um contexto social específico". Nenhuma outra alternativa reúne forma (codificação) e função social (delimitação de contexto) com a mesma fidelidade ao texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) repertórios linguísticos nacionais usados no trabalho.

❌ Incorreta: o texto não define o jargão pela nacionalidade do repertório; pelo contrário, destaca o predomínio do inglês (idioma estrangeiro) dentro desse jargão, identificado em oito países — logo, "nacional" não é o traço definidor, e sim a restrição a um grupo profissional, que atravessa fronteiras nacionais.

B) estrangeirismos adotados em pesquisas internacionais.

❌ Incorreta: transforma um exemplo isolado ("asap") e o alcance internacional da pesquisa em suposta definição do fenômeno. O jargão corporativo não se resume a estrangeirismos — muitas expressões de jargão são criadas na própria língua local.

C) termos cotidianos disseminados a partir do ambiente de trabalho.

❌ Incorreta: inverte o sentido do texto. O jargão funciona para "barrar os de fora", ou seja, tende a permanecer restrito ao grupo que o usa, não a se espalhar como vocabulário cotidiano geral. O texto não sustenta que essas expressões "escapam" do trabalho para o dia a dia da sociedade.

D) expressões codificadas empregadas em um contexto social específico.

✅ Correta: sintetiza as duas evidências centrais — "código cifrado" (expressões codificadas) e o "círculo de sentido"/"língua da casa" que reforça laços internos e exclui quem está fora (contexto social específico). É a única alternativa que une forma linguística e função social conforme o texto.

E) vocábulos desencadeadores de mal-entendidos na comunicação corriqueira.

❌ Incorreta: toma um efeito colateral negativo do jargão — queixa de 57% dos entrevistados ("perda de tempo, mal-entendidos e retrabalho") — como se fosse sua definição. Além disso, o texto fala em comunicação no ambiente de trabalho, contexto específico, não em "comunicação corriqueira" genérica.

🏆 Gabarito: D — o jargão corporativo é definido pelo texto como um conjunto de expressões codificadas que só fazem pleno sentido dentro de um contexto social delimitado, unindo quem está "dentro" e excluindo quem está "fora".

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que amarra os dois traços definidores do texto — codificação (a "cifra") e delimitação social (o "contexto específico" do ambiente corporativo) — sem se apoiar em exemplos isolados ou efeitos colaterais do fenômeno.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora variação linguística (gírias, jargões, regionalismos, registros formais/informais) a partir de textos jornalísticos, exigindo que o candidato reconstrua a definição de um conceito com base em pistas textuais explícitas, não em conhecimento prévio isolado.
  • Generalização: em questões do tipo "de acordo com o texto, X diz respeito a...", a alternativa correta costuma ser uma paráfrase fiel que reúne todos os elementos centrais do texto, enquanto os distratores isolam um único detalhe (exemplo, dado estatístico, consequência) e o generalizam indevidamente como definição.
  • Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas que retomam um traço citado apenas como exemplo ("asap") ou como consequência (mal-entendidos) — eles raramente definem o conceito central; procure a que conecta o "o quê" (forma da linguagem) ao "onde/para quem" (contexto social de uso).
  • Conexões: variação linguística diastrática e registros de linguagem; sociolinguística e função identitária da fala de grupo; textos de divulgação jornalística sobre comportamento no ambiente de trabalho.

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