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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 29ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

Uma carta para Freud
Caro Freud,
Resolvi lhe escrever uma carta porque o senhor anda muito ocupado e eu demoro demais para me fazer compreender verbalmente. Aqui, nesta carta, acho que consigo ser franco e direto.
Hoje resolvi aplicar alguns de seus conselhos. E outros do Facebook. O senhor mencionou que eu precisava encontrar prazer no meu trabalho. Pois bem, resolvi espalhar chocolate em todas as mesas, pias, balcões e até no banheiro.
Romanticamente, a história é mais complicada. Sempre que nos encontramos, o senhor pergunta: “E as namoradas, como vão?”. Realmente, doutor Freud, nunca entendi o porquê do plural. Mas já que tocamos no assunto, acho que precisarei de um pouco mais do que chocolate para resolver este problema.
O senhor disse que o segredo do sucesso é fazer as mulheres rirem. Mas rir de mim também conta?
O senhor também mencionou que eu não poderia deixar as garotas me encararem como amigo, não foi? “Mulheres nunca se apaixonam por amigos”. Tentei aplicar este conselho.
Ah, meu amigo Sigmund. A vida não é nada fácil. Pela expressão fechada em seu rosto, o senhor deve me entender. Podíamos sair para tomar uma cerveja. Ver luzes, ouvir pessoas, essas coisas. Acho que lhe faria bem, também.

O trecho que faz referência ao vocativo inicial da carta “Caro Freud” é

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Coesão referencial (anáfora pronominal) e gênero epistolar
  • ⚡ Nível: Médio — a armadilha não é o vocabulário, mas identificar a quem cada pronome/possessivo se refere em meio a vários trechos em 1ª pessoa
  • 🎯 Tema/Habilidade: Mecanismos de coesão textual e reconhecimento de elementos de referenciação em texto (Competência de leitura ENEM: reconhecer recursos linguísticos que articulam as partes de um texto)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual trecho da carta retoma (faz referência a) o vocativo inicial 'Caro Freud', ou seja, fala sobre o próprio Freud, e não sobre o narrador?"
  • Palavras-chave decisivas: vocativo, referência, Caro Freud
  • Armadilha típica: confundir "referência ao vocativo" com qualquer trecho relevante sobre sentimentos ou ações do narrador — a maioria das alternativas fala do próprio "eu" que escreve, não de Freud.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de rastrear pronomes/possessivos de 3ª pessoa (ou de tratamento) que apontam para o destinatário Freud, distinguindo-os das marcas de 1ª pessoa (eu, me, mim) que apontam para o remetente.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Vocativo: termo usado para chamar diretamente o interlocutor de um texto, isolado sintaticamente da oração — em "Caro Freud," instaura Freud como a pessoa a quem a carta se dirige.
  • Coesão referencial (anáfora): recurso pelo qual pronomes, possessivos ou expressões retomam um elemento já mencionado, criando uma "corrente" de sentido entre as partes do texto.
  • Pronomes de tratamento em cartas: expressões como "o senhor", "você" e possessivos como "seu/sua" normalmente remetem ao destinatário, enquanto "eu", "me", "mim", "meu" remetem a quem escreve.
  • Gênero carta pessoal/crônica epistolar: estrutura com vocativo inicial e corpo dirigido a um interlocutor específico — aqui, uma carta bem-humorada a Sigmund Freud, que usa repetidamente "o senhor" para retomá-lo ao longo do texto.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Caro Freud," → o vocativo estabelece Freud como interlocutor da carta; tudo que remeter a ele ao longo do texto retoma esse vocativo.
  • Evidência 2: o narrador usa reiteradamente "o senhor" para se dirigir a Freud — "o senhor anda muito ocupado", "o senhor mencionou", "o senhor disse", "o senhor deve me entender" → a forma de tratamento "o senhor" (e o possessivo correspondente "seu/sua") é a marca que aponta para Freud.
  • Síntese: a alternativa correta precisa conter um pronome/possessivo de tratamento voltado a Freud, e não uma marca de 1ª pessoa referente ao próprio narrador.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Testar o referente de cada trecho

  • "me fazer compreender verbalmente" → "me" (1ª pessoa): o próprio narrador, que tem dificuldade de se expressar oralmente. Não fala de Freud.
  • "resolvi espalhar chocolate em todas as mesas" → sujeito oculto "eu" (narrador); relata ação sua no trabalho, sem pronome apontando para Freud.
  • "Romanticamente, a história é mais complicada." → frase impessoal, sem pronome ou possessivo; apenas introduz o assunto amoroso do narrador.
  • "Mas rir de mim também conta?" → "mim" (1ª pessoa): o narrador pergunta se ser motivo de riso (dele mesmo) conta como o conselho de Freud. Autorreferência.
  • "Pela expressão fechada em seu rosto" → "seu" é possessivo de 3ª pessoa que, no contexto, retoma a forma de tratamento "o senhor" usada para Freud ao longo do texto. É o rosto de Freud que está sendo descrito.

Subpasso 4.2 — Verificação

A oração completa é: "Pela expressão fechada em seu rosto, o senhor deve me entender." O "o senhor" logo em seguida confirma, sem ambiguidade, que "seu rosto" pertence a Freud — o mesmo "senhor" chamado no vocativo "Caro Freud". Nenhuma outra alternativa contém pronome ou possessivo apontando para o destinatário; todas trazem marcas de 1ª pessoa ou são impessoais. Confirma-se a alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) "me fazer compreender verbalmente".

❌ Incorreta: "me" é pronome de 1ª pessoa e retoma o próprio narrador, que explica por que prefere escrever a falar. Nenhum elemento remete a Freud.

B) "resolvi espalhar chocolate em todas as mesas".

❌ Incorreta: sujeito oculto "eu" (o narrador); descreve atitude dele no trabalho, sem pronome ou possessivo referente a Freud.

C) "Romanticamente, a história é mais complicada.".

❌ Incorreta: comentário genérico e impessoal, sem marca linguística (pronome, possessivo) que retome pessoa alguma — só introduz o assunto amoroso do narrador.

D) "Mas rir de mim também conta?".

❌ Incorreta: "mim" é pronome oblíquo tônico de 1ª pessoa; o narrador questiona se ser motivo de risada (ele mesmo) cumpre o conselho de Freud. Autorreferência, não retomada do destinatário.

E) "Pela expressão fechada em seu rosto".

✅ Correta: o possessivo "seu" retoma a forma de tratamento "o senhor", usada insistentemente para se referir a Freud — único trecho que remete ao interlocutor chamado no vocativo "Caro Freud".

🏆 Gabarito: E — apenas nesse trecho há um possessivo de 3ª pessoa ("seu rosto") que retoma explicitamente Freud, o destinatário nomeado no vocativo inicial "Caro Freud"; todos os demais trechos são autorreferências do narrador ou comentários impessoais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa em que o possessivo aponta para o destinatário (Freud), não para quem escreve; a continuação da frase ("o senhor deve me entender") reforça essa retomada.
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente testa a identificação de elementos coesivos — pronomes, possessivos e elipses — que retomam um referente já apresentado no texto, em cartas, crônicas, notícias ou diálogos.
  • Generalização: para localizar a retomada de um vocativo, procure pronomes/possessivos de 2ª ou 3ª pessoa de tratamento ("você", "o senhor", "seu/sua") e verifique se apontam para esse interlocutor — não basta que o trecho "pareça importante".
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro trechos com marcas nítidas de 1ª pessoa ("me", "mim", "resolvi") — falam do remetente. Entre os restantes, procure o possessivo/pronome ligado ao "o senhor" repetido no texto.
  • Conexões: coesão referencial (anáfora e catáfora), pronomes de tratamento, gênero carta pessoal e crônica humorística.

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