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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensEducação FísicaFácil

Questão 19ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

Pesquisas mostram que o preconceito se faz presente em nossa sociedade e existe mesmo nas comunidades mais desenvolvidas. No esporte, que também reflete os valores de uma sociedade, a situação se mostra parecida. Entre outros tipos de preconceito, podemos citar aquele contra as mulheres, no sentido de elas não serem capazes de realizar atividades físicas semelhantes e/ou até mesmo iguais às dos homens. No contexto do rugby, que é a segunda modalidade esportiva mais praticada no mundo e que cresce significativamente no Brasil, os comentários mais comuns ainda são de que essa é uma prática violenta de/para homens, e que as mulheres não deveriam praticar. Por esse motivo, aquelas atletas inseridas na modalidade são consideradas homossexuais e/ou masculinizadas. Contudo, o rugby busca a adesão de mulheres ao seu universo.

MOURA, G. X. et al. Mulher e esporte: o preconceito com as atletas de rugby da cidade de Maringá (PR). Motrivivência, n. 50, maio 2017 (adaptado).

Ao abordar os preconceitos presentes no rugby, o texto denuncia o(a)

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Educação Física → Sociologia do Esporte (gênero e preconceito) + Língua Portuguesa → Interpretação de texto argumentativo
  • ⚡ Nível: Fácil — o próprio texto sinaliza literalmente o mecanismo de preconceito denunciado, sem exigir inferência complexa
  • 🎯 Tema/Habilidade: Preconceito de gênero no esporte (estigmatização) + competência de leitura crítica para identificar a tese/denúncia central de um texto
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é exatamente o preconceito que o texto denuncia contra as mulheres que praticam rugby?"
  • Palavras-chave decisivas: "consideradas homossexuais e/ou masculinizadas", "prática violenta de/para homens", "atletas inseridas na modalidade"
  • Armadilha típica: confundir a denúncia de rotulação/julgamento identitário com denúncia de impedimento de acesso (alternativa C) ou de violência física (alternativa B) — ambas soam plausíveis por citarem "violência" e "mulheres no rugby", mas descrevem fenômenos diferentes do que o texto realmente narra.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o preconceito relatado é de natureza simbólica e discursiva — a atribuição de rótulos depreciativos à mulher atleta —, e não uma barreira física, um ato de agressão ou uma comparação de desempenho.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Estigma social: marca depreciativa atribuída a um indivíduo ou grupo, geralmente fundada em estereótipo, que reduz sua identidade a um rótulo negativo (conceito clássico de Erving Goffman). No texto, "masculinizada" e "homossexual" funcionam como rótulos usados para desqualificar a mulher atleta.
  • Preconceito de gênero no esporte: crença de que certas modalidades — por serem tidas como "violentas" ou exigirem força física — pertenceriam a um domínio essencialmente masculino, de modo que mulheres que as praticam estariam "transgredindo" um papel social esperado e, por isso, seriam punidas simbolicamente com rótulos.
  • Diferença entre exclusão e estigmatização: exclusão é impedir a participação de um grupo em determinada atividade; estigmatização é permitir a participação, mas deslegitimar quem participa por meio de estereótipos. Essa distinção separa a alternativa correta das distratoras C e B.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "aquelas atletas inseridas na modalidade são consideradas homossexuais e/ou masculinizadas" → mostra que a mulher que joga rugby já está dentro da modalidade (não há barreira de acesso), mas sofre um julgamento sobre sua identidade e sexualidade — isso é o mecanismo de estigmatização em ação.
  • Evidência 2: "o rugby busca a adesão de mulheres ao seu universo" → reforça que não existe impedimento formal ou institucional; pelo contrário, a modalidade convida a participação feminina. O problema denunciado não é a porta fechada, e sim o rótulo que recai sobre quem entra.
  • Síntese: o texto não denuncia falta de interesse, nem violência física, nem barreira de acesso, nem diferença de desempenho — denuncia que a mulher atleta de rugby é marcada por rótulos pejorativos ("homossexual", "masculinizada") só por praticar um esporte visto como "coisa de homem". Esse fenômeno tem nome técnico: estigmatização.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o discurso preconceituoso citado

O texto situa o preconceito de forma ampla e depois particulariza no rugby: "os comentários mais comuns ainda são de que essa é uma prática violenta de/para homens, e que as mulheres não deveriam praticar." Trata-se de um comentário/opinião social que circula sobre a modalidade — não uma regra ou barreira concreta que impeça fisicamente a entrada de mulheres nos times.

Subpasso 4.2 — Identificar a consequência que o texto de fato aponta

A frase seguinte revela a consequência desse discurso sobre as mulheres que, mesmo assim, decidem jogar: "aquelas atletas inseridas na modalidade são consideradas homossexuais e/ou masculinizadas." Esse é o núcleo da denúncia. A mulher que insiste em praticar rugby não é impedida de entrar — ela entra, mas recebe um rótulo que tenta deslegitimar sua feminilidade e sexualidade como forma de puni-la por romper a expectativa de gênero associada ao esporte. Atribuir um rótulo depreciativo a quem rompe uma norma social é exatamente a definição de estigmatização.

Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas

Comparando essa síntese com as cinco opções, buscamos a que traduz "atribuição de rótulo/depreciação da imagem" — e não "impedimento", "violência física" ou "resultado esportivo". Apenas a alternativa D, "estigmatização das mulheres no âmbito dessa modalidade esportiva", corresponde ao mecanismo textual identificado, sem introduzir nenhuma informação que o texto não afirma.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) desinteresse das mulheres por essa atividade esportiva.

❌ Incorreta: o texto afirma exatamente o oposto — "o rugby busca a adesão de mulheres ao seu universo" e menciona "atletas inseridas na modalidade", ou seja, há interesse real e participação ativa das mulheres, não desinteresse.

B) violência física contra as mulheres nessa prática esportiva.

❌ Incorreta: a palavra "violenta" no texto qualifica o esporte em si ("prática violenta de/para homens"), dentro de um discurso preconceituoso sobre quem "pode" praticá-lo — não descreve nenhum episódio de agressão física sofrido pelas atletas. O preconceito relatado é simbólico/discursivo (rótulos), não corporal.

C) impedimento de acesso das mulheres a essa modalidade esportiva.

❌ Incorreta: o texto afirma explicitamente que existem "atletas inseridas na modalidade" e que "o rugby busca a adesão de mulheres" — logo, não há impedimento de acesso. As mulheres entram na modalidade; o problema denunciado ocorre depois da entrada, na forma como são julgadas.

D) estigmatização das mulheres no âmbito dessa modalidade esportiva.

✅ Correta: é exatamente o que o texto denuncia — a atribuição do rótulo "homossexuais e/ou masculinizadas" às atletas, uma marca depreciativa ligada a estereótipos de gênero, usada para desqualificar sua presença legítima no esporte.

E) desigualdade de resultados entre homens e mulheres nessa prática esportiva.

❌ Incorreta: em nenhum momento o texto compara desempenho, placares ou resultados esportivos entre os gêneros. O preconceito citado é de natureza social e identitária (rótulos sobre quem a mulher "é"), não uma questão de rendimento técnico ou de resultados de partidas.

🏆 Gabarito: D — o texto denuncia a atribuição de rótulos depreciativos ("homossexuais e/ou masculinizadas") às mulheres que praticam rugby, configurando um caso claro de estigmatização de gênero no esporte.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que capta o mecanismo de rotulação e depreciação simbólica relatado no texto, sem contrariar nenhuma evidência textual — há participação comprovada das mulheres (elimina A e C), não há relato de agressão física (elimina B) e não há comparação de desempenho (elimina E).
  • Padrão de cobrança: o ENEM, na área de Linguagens, frequentemente traz textos de denúncia social (racismo, machismo, LGBTfobia, etarismo, capacitismo) pedindo que o estudante identifique com precisão o tipo de preconceito ou o mecanismo social descrito — estigma, exclusão, violência ou estereótipo —, que costumam ser parecidos, mas conceitualmente distintos.
  • Generalização: em questões do tipo "o texto denuncia...", a alternativa certa é sempre a paráfrase mais fiel do fenômeno social explicitado no próprio texto — nunca a opção "mais chocante" ou mais genérica. Desconfie de alternativas que introduzem elementos NÃO mencionados no texto (violência física, resultados numéricos, desinteresse), mesmo que soem coerentes com o tema geral.
  • Dica de eliminação rápida: sempre que o texto citar rótulos, apelidos ou julgamentos sobre a identidade de um grupo (padrão "consideradas/vistas como X"), a resposta gira em torno de estigma/estereótipo. Elimine de imediato as alternativas que falam de violência física concreta e de comparação de resultados/desempenho, pois exigem dados que o texto simplesmente não fornece.
  • Conexões: conceito de estigma de Erving Goffman aplicado ao esporte; movimentos de inclusão de mulheres em modalidades historicamente masculinas; interpretação de textos argumentativos e dissertativos cobrados no ENEM.

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