Mapa de questões · 1º dia
Questão 22 — ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia
Fake news costumam ter erros de português
Mesmo para quem não domina tão bem o idioma, fica fácil encontrar erros como de ortografia e concordância. Até porque reportagens reais prezam por um vocabulário rico e o emprego correto de todas as normas. Além do mais, mensagens e notícias falsas divulgadas tendem a apresentar uma escrita com padrão duvidoso, como a repetição de uma palavra ou até uma quantidade exagerada de adjetivos.
Disponível em: https://medicals.com. Acesso em: 25 nov. 2021 (adaptado).
Nesse texto, um dos recursos que auxilia na identificação de notícias falsas é o conhecimento da norma-padrão porque
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → norma-padrão, gêneros textuais e leitura crítica do texto jornalístico
- ⚡ Nível: Fácil — a resposta está praticamente parafraseada no próprio texto-base, exigindo apenas que o candidato localize a relação de causa e efeito construída pelo autor.
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento da norma-padrão como marca constitutiva do gênero jornalístico e uso desse conhecimento como ferramenta de letramento midiático (identificação de fake news). Mobiliza a Competência de Área 1 da Matriz do ENEM — compreender textos e situações que exigem o reconhecimento de aspectos linguísticos e de gêneros discursivos.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto, por que saber a norma-padrão ajuda o leitor a perceber que uma notícia é falsa?"
- Palavras-chave decisivas: reportagens reais, vocabulário rico, emprego correto de todas as normas
- Armadilha típica: trocar "a norma-padrão é traço do texto jornalístico" por generalizações que o texto jamais afirma — como "todo mundo domina a gramática" (B) ou "qualquer deslize impede o entendimento" (E). São extrapolações, não o que está escrito.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que o texto opõe dois perfis de escrita — jornalismo profissional (correto, rico) e fake news (repetitivo, com adjetivação exagerada) — fazendo da norma-padrão uma "impressão digital" do gênero jornalístico.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Norma-padrão: variedade linguística de prestígio social, sistematizada em gramáticas e dicionários, ensinada na escola e cobrada em contextos formais — entre eles, o jornalismo profissional.
- Gênero textual jornalístico: tem convenções de produção bem definidas (apuração, objetividade, revisão editorial), entre elas o cuidado com a correção gramatical e a variedade lexical, que funcionam como selo de credibilidade do gênero.
- Adequação linguística: a língua varia, mas cada gênero exige um registro adequado ao seu propósito social; fugir da norma num gênero que a pressupõe (o jornalismo) sinaliza produção fora do padrão esperado — indício de fraude ou amadorismo.
- Letramento midiático: reconhecer marcas linguísticas de baixa qualidade (erros de concordância/ortografia, repetições, excesso de adjetivos) é uma estratégia de checagem que complementa a verificação factual — um "filtro" formal, não só de conteúdo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "reportagens reais prezam por um vocabulário rico e o emprego correto de todas as normas" → o texto define, por contraste, o que caracteriza uma reportagem legítima: a norma-padrão é traço esperado, quase obrigatório, do jornalismo verdadeiro.
- Evidência 2: "notícias falsas... apresentam uma escrita com padrão duvidoso, como a repetição de uma palavra ou uma quantidade exagerada de adjetivos" → o autor descreve o comportamento oposto: a fake news se afasta do padrão de correção e riqueza vocabular.
- Síntese: a lógica é contrastiva — texto jornalístico real = norma bem empregada; texto falso = desvio dela. Se a norma-padrão "marca" o texto jornalístico autêntico, conhecê-la permite perceber quando um texto foge do esperado numa reportagem — ela é característica distintiva do gênero, raciocínio expresso na alternativa C.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar a relação de causa e efeito do texto
O comando pede o motivo pelo qual "o conhecimento da norma-padrão" ajuda a identificar fake news. O texto não fala em autoria, em liberdade de expressão, nem afirma que todo desvio compromete a compreensão — ele afirma que reportagens reais seguem a norma e que notícias falsas tendem a fugir dela. Logo, a causa apontada é: a norma-padrão é traço esperado do jornalismo sério, e sua ausência é sinal de alerta.
Subpasso 4.2 — Confrontar essa relação com as alternativas
Reescrevendo a ideia central em frase-teste: "a norma-padrão ajuda a identificar fake news porque ela é característica dos textos jornalísticos [reais]". Comparando com as cinco alternativas, apenas a opção C reproduz fielmente essa relação — as demais introduzem elementos que o texto não sustenta (autoria, domínio universal da gramática, liberdade de expressão, compreensão comprometida).
Subpasso 4.3 — Verificação
Relendo o texto: em nenhum momento se fala em autoria, em toda a população dominar a norma, em liberdade de expressão, ou em compreensão prejudicada. O único ponto sustentado por evidência direta — "reportagens reais prezam... o emprego correto de todas as normas" — é que a norma-padrão caracteriza o texto jornalístico. A alternativa C está confirmada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ele é uma forma de reconhecer a autoria do texto.
❌ Incorreta: o texto trata do gênero (jornalístico vs. fake news), não de identificar quem é o autor específico. Norma-padrão não é uma "assinatura" pessoal, mas um padrão de escrita compartilhado por qualquer jornalista profissional.
B) toda a população domina as regras da gramática.
❌ Incorreta: contraria o próprio texto, que reconhece que "mesmo para quem não domina tão bem o idioma" é possível notar os erros — ou seja, pressupõe-se justamente que nem todos dominam a norma.
C) ele é uma característica dos textos jornalísticos.
✅ Correta: é o que o texto demonstra ao afirmar que "reportagens reais prezam por... o emprego correto de todas as normas". A norma-padrão é traço distintivo do gênero jornalístico legítimo, e sua ausência denuncia um texto suspeito.
D) ele valoriza a manifestação da liberdade de expressão.
❌ Incorreta: o texto não discute liberdade de expressão em nenhum momento; a alternativa introduz um tema estranho ao recorte linguístico-jornalístico do texto.
E) todo desvio compromete a compreensão do conteúdo veiculado.
❌ Incorreta: generalização exagerada. Repetição de palavras e excesso de adjetivos sinalizam baixa qualidade textual, mas não necessariamente impedem o entendimento do conteúdo — o problema apontado é de credibilidade, não de compreensão do sentido.
🏆 Gabarito: C — o texto constrói uma relação direta entre o emprego correto da norma-padrão e o que se espera de uma reportagem real, tornando a norma-padrão um traço característico do texto jornalístico e, por isso, um instrumento de reconhecimento de fake news.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C reproduz com fidelidade a lógica do texto: reportagens reais = norma-padrão bem empregada; logo, a norma-padrão é característica do gênero jornalístico, e seu desvio é indício de fake news.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cruza norma-padrão/variação linguística com gêneros textuais e cidadania digital (fake news, letramento midiático), pedindo que o candidato extraia do próprio texto a função social de um recurso linguístico.
- Generalização: nessas questões, a resposta correta costuma ser a paráfrase mais direta do texto-base — desconfie de alternativas com quantificadores absolutos ("toda", "todo desvio") que o texto não sustenta.
- Dica de eliminação rápida: corte quantificadores extremos (B, E) e temas ausentes do texto (autoria em A, liberdade de expressão em D); resta a alternativa que apenas espelha a relação causal apresentada.
- Conexões: variação linguística e adequação aos gêneros discursivos; letramento midiático (fact-checking).
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